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Capítulo 36:Fogo Cruzado em Long Island, Paredes de Zinco e a Lei do Sangue

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👤 POV RICARDO

O comboio de SUVs pretas e viaturas do esquadrão tático da Polícia Federal freou no cascalho úmido do porto de Long Island sem as sirenes ligadas, apagando os faróis de uma vez.

O galpão de distribuição desativado parecia uma carcaça de zinco abandonada na névoa, mas os sensores térmicos da agência não mentiam: o Sr. Ludovico e o resto da sua escória de capangas estavam lá dentro.

Os nervos de todos estavam à flor da pele, a linha entre a lei e a vingança por um fio de cabelo.
Daniel abriu a porta do veículo segurando o fuzil tático com tanta força que os nós dos seus dedos empalideceram.

Os olhos azuis do meu filho mais velho estavam injetados de puro ódio, a mente dele focada no monstro que destruiu a vida da Stella e matou o nosso bebê. Ao lado dele, Ana Elizabeth destravou a pistola, com a roupa tática ajustada e um semblante gélido de combatente que me deu orgulho. Robert ajustou o colete balístico, trincando os dentes e segurando a lâmina de aço no cinto.


- Esquadrão tático, avançar pelos fundos! - o capitão da Polícia Federal comandou pelo rádio de comunicação. - Willians, mantenham o flanco leste. Arrombar e conter!
Não deu tempo nem de montarmos a barreira de escudos. No segundo em que Daniel chutou a porta lateral de ferro com toda a sua força de um metro e noventa, o inferno desabou sobre nós.
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👤 POV ANA


O som do primeiro disparo de calibre doze rasgou o silêncio do porto, quebrando os vidros das janelas altas e arrancando lascas de concreto a centímetros da minha cabeça.


- Emboscada! Proteção! - meu pai gritou, a voz de general ecoando no meio do caos.


A troca de tiros foi violenta, ensurdecedora e caótica. Mais de dez capangas profissionais do Ludovico começaram a descarregar fuzis e pistolas automáticas contra a nossa linha de frente de trás de empilhadeiras e caixas de metal.

O cheiro de pólvora queimada e o barulho dos cartuchos caindo no chão de metal eram ensurdecedores. Mergulhei atrás de uma barreira de ferro, atirando de volta com precisão cirúrgica, enquanto o Robert descia ao meu lado, usando o próprio corpo de engenheiro para cobrir o meu flanco com um desespero protetor.


- Filhos da puta! Bando de arrombados desgraçados! - Daniel berrava no meio do fogo cruzado, os xingamentos saindo rasgados da garganta enquanto ele avançava feito um touro raivoso, descarregando o fuzil e abatendo dois atiradores que tentavam nos flanquear. A fúria do meu irmão mais velho era uma força destrutiva e incontrolável.


A Polícia Federal avançou com granadas de efeito moral. O clarão e o estrondo desestabilizaram o restante dos capangas, abrindo o corredor central do galpão. Foi quando eu o vi.

No fundo da plataforma de carga, tentando subir as escadas em direção a uma saída de emergência, estava o Sr. Ludovico. Ele segurava uma maleta tática e olhava para trás com o rosto pálido, escorrendo suor de puro pavor ao perceber que o império dele tinha desabado.


- Ludovico! - o rugido de Daniel estalou pelo galpão vazio.


Meu irmão largou o fuzil sem munição no chão, sacou a faca de combate e correu em direção às escadas com uma velocidade assassina.

Ele pegou o vilão pelo colarinho do terno caro antes que ele pisasse no primeiro degrau, arremessando o corpo do velho contra o chão de concreto com violência. Ludovico soltou um gemido de dor, cuspindo sangue, e ergueu as mãos trêmulas enquanto Daniel montava sobre ele, erguendo o braço com a lâmina de aço reluzente pronta para rasgar a garganta do monstro.


- Espera! Não faz isso! Pelo amor de Deus, me poupa! - Ludovico chorava desesperado, encolhido no chão, o mestre da contabilidade reduzido a um verme assustador.
Daniel estava cego. Ele ia descer o braço e acabar com a vida do homem ali mesmo, limpando o luto do próprio filho com sangue.
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👤 POV ROBERT

No milésimo de segundo em que a lâmina do Daniel ia descer, dois agentes federais e o general Ricardo se jogaram em cima dele, agarrando os braços musculosos do soldado de um metro e noventa na marra e puxando-o para trás com toda a força tática que tinham. Daniel se debatia feito um bicho enjaulado, berrando e tentando se soltar para terminar o serviço.


- Me solta, porra! Deixa eu apagar esse desgraçado! Ele matou o meu filho! Ele destruiu a Stella! - Daniel gritava, a voz embargada de ódio e luto.


- Para com isso agora, Daniel! Acabou! - o capitão da Polícia Federal berrou bem perto do rosto dele, forçando o corpo do soldado contra a parede enquanto os outros agentes prendiam as algemas de aço nas mãos do Ludovico no chão. O capitão segurou o maxilar de Daniel com firmeza, olhando no fundo dos olhos azuis dele.

- Escuta bem, Willians! Você é um soldado das forças especiais, mas agora você tem uma família lá fora! Você tem a Stella se recuperando em uma cama esperando por você! Você tem um futuro em Nova York e não pode se sujar, não pode estragar a sua vida inteira com o sangue de um verme desse calibre! Deixa a lei enterrar esse lixo na cadeia pelo resto da vida dele! Pela Stella, Daniel! Para!


As palavras do agente federal entraram na cabeça de Daniel como um choque de realidade. O peito musculoso dele subia e descessem de forma arquejante, o suor e o sangue do lábio escorrendo pelo rosto. Lentamente, a fúria assassina deu espaço para o esgotamento. Ele relaxou os músculos, soltou a faca tática que caiu no chão e cobriu o rosto com as duas mãos pesadas, respirando fundo enquanto o meu pai e os federais arrastavam o Sr. Ludovico algemado em direção ao camburão.


Caminhei até a Ana, que vinha guardando a pistola no coldre da perna tática, e a puxei para um abraço apertado e possessivo, sentindo o calor do corpo dela me acalmar de vez. O mestre da fraude financeira da Adams Engenharia tinha sido capturado vivo, a Vick estava na cela e o cerco tático tinha terminado dentro da lei.

Olhei para o Daniel, que agora aceitava um tapinha no ombro do meu pai, e soube que a tempestade finalmente tinha ficado para trás. Estávamos inteiros, estávamos seguros, e era hora de voltar para casa para reconstruir o que o destino tinha tentado nos tirar.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora