👤 POV CAMILLA
O clima de quartel-general que os homens Willians instalaram na mansão estava deixando os hormônios da casa à flor da pele. Eu estava caminhando pelo corredor do térreo quando Victor Adams praticamente brotou na minha frente, bloqueando a minha passagem contra a parede. O loirão de um metro e oitenta e cinco estava com o maxilar travado, os olhos cinzentos faiscando com um ciúme que ele tentava, sem sucesso, mascarar sob uma postura séria. Aquela tensão pura e o foco total dele em mim me deixaram excitada em um segundo.
- Camilla, dá para parar de me enlouquecer? - Victor rosnou baixo, dando um passo à frente, a voz tensa de frustração. - Eu vi você cheia de risinhos com o Lucas perto da janela hoje mais cedo. O garoto não tirava os olhos de você e eu quase quebrei o copo que estava na minha mão.Eu olhei para a cara de bravo dele por dois segundos inteiros e soltei uma risada alta, achando graça daquela marra toda. Eu não ia ficar na defensiva; pelo contrário, aquela crise de ciúmes era o combustível que eu precisava.
- Ah, Victor, por favor! O Lucas tem 20 anos, ele é o berçário da família! - provoquei, dando um passo agressivo para a frente e colando meu peito ao dele.
Antes que ele pudesse rebater, fechei a mão na gravata do terno dele com força e o puxei com tudo para dentro do armário de casacos e despensa que ficava logo ao lado no corredor, batendo a porta com o pé logo atrás de nós. Colei meu corpo no dele no escuro daquele espaço estreito, as mãos subindo pelo peito dele até segurar seu maxilar com firmeza, ditando as regras.
- Mas se você quer tanto saber... - sussurrei contra os lábios dele, mordendo o lábio inferior dele logo em seguida. - Sempre vai ser você, seu idiota. Agora cala a boca e me pega.
Victor não precisou ouvir mais nada. O ciúme dele se transformou em puro desejo selvagem. Ele soltou um rosnado baixo, cravou as mãos nas minhas coxas e me suspendeu no ar, me prensando contra a parede do armário com uma força que me fez arfar. Minhas pernas se prenderam na cintura dele instantaneamente. Não houve espaço para preliminares calmas; foi uma foda desesperada, quente e barulhenta ali mesmo, entre os casacos de inverno e os lençóis de reserva.
O calor ali dentro ficou absurdo em segundos, eu comandava o ritmo com arranhões nas costas dele e puxões de cabelo, enquanto Victor respondia a cada provocação com estocadas fundas, firmes e ritmadas que faziam os cabides chacoalharem ao nosso redor.
Nossas respirações se misturavam em sussurros obscenos e gemidos abafados contra a pele um do outro, um encaixe perfeito e frenético que parecia incendiar o closet inteiro.
Terminamos completamente exaustos, escorregando diretamente para o chão do armário, com as roupas desalinhadas, os corpos suados e tentando recuperar o fôlego. Estávamos quase pegando no sono ali mesmo na borracha do piso, com a minha cabeça no peito dele e a mão dele espalmada na minha cintura, quando a porta do armário foi aberta de uma vez por todas, inundando o espaço com a luz do corredor.
- Mas que falta de criatividade decorativa - a voz dramática e entediada de Noah Adams cortou o silêncio.
O irmão estilista estava parado na porta, segurando uma nova xícara de chá e olhando para nós dois deitados no chão com o maior deboche do mundo.
- Victor, querido, transar entre casacos de pele sintética é tão anos noventa. E Camilla, o seu cabelo está um ninho de mafagafos. Tratem de recolher as roupas e sair do closet, o general Willians está convocando uma reunião e eu não vou inventar desculpas para a contabilidade sumida.
Noah fechou a porta com o pé, nos deixando rir do flagra enquanto nos vestíamos às pressas, com a adrenalina ainda correndo nas veias.
👤 POV ANA
A convivência na mansão depois que o Robert levou aquele legítimo "cheque-mate" físico do meu irmão Daniel no tatame ficou insuportável. O orgulho de homem alfa do CEO tinha sido triturado em público, e o clima entre nós durante o home office estava tenso demais. Nenhum de nós dava o braço a torcer nas reuniões jurídicas, mas dava para ver que ele estava desesperado para quebrar o gelo que eu tinha colocado entre nós.
Mais tarde naquele mesmo dia, eu estava organizando os relatórios de contratos na biblioteca quando Robert entrou. Ele estava sem o terno, com as mangas da camisa social dobradas e o coque loiro-escuro perfeitamente alinhado. Ele caminhou até a minha mesa com uma postura visivelmente mais humilde, os olhos cinzentos carregados de arrependimento.
- Ana... por favor, me escuta - ele começou, a voz baixa e mansa, tentando dar um passo na minha direção. - Eu queria pedir perdão pelo jeito que falei com você no quarto aquela noite. Eu fui um completo idiota. O que aconteceu no sofá... não foi um erro. Eu só fiquei assustado com o retorno do meu passado, mas eu não devia ter descontado em você e muito menos ter sido tão frio. Me perdoa?
Eu continuei digitando no meu notebook, mantendo a minha melhor expressão de paisagem jurídica. Nem sequer levantei os olhos azuis para olhar na cara dele.
- O seu tempo de fala expirou, Senhor Adams. Como eu já disse, a nossa relação é estritamente profissional e eu não tenho o menor interesse em discutir assuntos fora do escopo do compliance da empresa - respondi, a voz saindo mais gélida do que o inverno de Nova York.
Robert tensionou o maxilar, soltando um suspiro pesado de frustração ao perceber que a parede de gelo do pitbull de saia não ia derreter tão fácil. Ele deu as costas e saiu do escritório pisando fundo, o orgulho ferido novamente.
No final da tarde, enquanto o pequeno Oliver dormia no berço ao meu lado, o meu celular começou a vibrar na mesa. Olhei para o visor e um sorriso de canto genuíno nasceu nos meus lábios ao ver o nome na tela. Era o Charles.
Atendi na hora, o tom de voz mudando instantaneamente para algo leve, alegre e carinhoso.
- Charles! Meu Deus, que saudade de você! - exclamei, relaxando na poltrona.
Ele estava ligando direto de Paris, onde agora trabalhava como um chefe de cozinha renomado em um restaurante de alta gastronomia.
Começamos a conversar como nos velhos tempos da escola, e a intimidade da nossa amizade de anos fluiu em segundos. Eu acabei abaixando a guarda e contei para ele tudo o que estava acontecendo em Nova York: a fraude na contabilidade, o ataque ao meu apartamento e o fato de estar trancada na mansão de segurança máxima da família Adams.
Charles ouvia tudo do outro lado da linha, preocupado, me dando conselhos com aquela voz acolhedora que sempre me acalmava.
O problema foi que eu estava tão concentrada na chamada que não ouvi os passos no corredor. Robert tinha voltado para a biblioteca para tentar falar comigo novamente e acabou pegando a história exatamente pela metade.
Ele parou bem no batente da porta, segurando uma pasta de documentos, com os olhos cinzentos semicerrados e fixos em mim. Ao ouvir o tom de voz doce, rindo alto e descontraído que eu estava usando com outro homem - algo que eu não fazia com ele há dias -, o instinto possessivo e o ciúme do CEO explodiram na hora.
O maxilar dele travou de um jeito que a barba loiro-escuro quase se tensionou por completo. Robert estava espumando de ciúmes de um cara que ele nem sabia quem era, e a calmaria daquela biblioteca tinha acabado de virar fumaça.
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ROBERT ADAMS
ActionDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
