A propriedade da família Adams não era apenas uma casa; era uma verdadeira fortaleza de altíssimo padrão, cercada por muros imensos, câmeras de última geração e seguranças armados com cara de poucos amigos vigiando o perímetro.
Quando o carro de Victor cruzou os portões de ferro, Milla soltou um suspiro de alívio e eu finalmente consegui relaxar os ombros, segurando o pequeno Oliver um pouco mais frouxo contra o peito.
Assim que a enxurrada de malas foi descarregada pelos funcionários sob os olhares brincalhões dos irmãos Adams, as portas principais da mansão se abriram, e fomos atropeladas por um comitê de boas-vindas digno de um filme de comédia familiar.
A primeira a surgir foi a mãe de Robert, Catarina Adams. Ela era uma italiana lindíssima, elegante e extremamente animada. No segundo em que nos viu, abriu os braços com um sorriso radiante e nos envolveu em um abraço caloroso que cheirava a perfume caro e aconchego.
- Benvenute! Que bom que vocês estão seguras! - Catarina exclamou, a voz cheia de amor e carinho.
Mas, no milésimo de segundo em que seus olhos pousaram no pequeno Oliver, o mundo ao redor dela sumiu.
- Mamma mia, mas o que é esse anjinho?!
Ela se apaixonou instantaneamente. Catarina pegou o meu loirinho de olhos azuis no colo com uma delicadeza de avó babona, enchendo o rostinho dele de beijos e fazendo com que Oliver soltasse um ganido fofo que derreteu a sala inteira.
Logo atrás dela, surgiu Stella, a irmã de Robert. Olhando para ela, você juraria estar vendo um anjo de pintura renascentista: traços delicados, cabelos claros e uma aura pura. Mas bastou ela abrir a boca para eu perceber que a garota era extremamente doida, engraçada e o próprio brinquedo assassino em miniatura.
- Se o palhaço do Erik aparecer aqui, eu mesma arranco os dentes dele com um alicate de pressão - Stella disparou com um sorriso angelical, me fazendo segurar o riso na hora. Ela era o próprio Chucky fantasiado de anjo.
Para completar o clã, veio Noah, o outro irmão de Robert. Ele era um estilista lindo de morrer, impecavelmente vestido com roupas que exalavam bom gosto, e assumidamente gay.
Ele andou até nós com uma postura desfilada e super educada.
- Querida, sua camisa social está um desastre, mas a sua estrutura óssea é divina - Noah brincou, me dando um beijo no rosto antes de esticar os braços para a mãe.
- Deixa eu pegar esse reizinho, dona Catarina. Preciso avaliar o figurino dele.
Todos na casa eram absurdamente educados e acolhedores, o que quebrou totalmente a minha guarda Willians de pitbull de saia. Mas a calmaria familiar durou pouco.
Assim que Noah pegou Oliver no colo e começou a fazer gracinhas, o verdadeiro furacão da casa resolveu dar as caras com uma faceta totalmente nova: o ciúme possessivo.
Robert Adams deu um passo à frente, cruzando os braços. Seus olhos cinzentos faiscaram ao ver o irmão com o bebê, e uma carranca fechada cobriu seu rosto perfeito. Sem a menor cerimônia, ele se esticou e praticamente arrancou o pequeno Oliver dos braços de Noah, ajeitando o menininho contra o seu peito musculoso de um jeito possessivo que também me incluía no pacote de proteção.
- Pronto, já chega de passar o garoto de mão em mão. Ele precisa descansar - Robert resmungou, a voz grave e autoritária.
Noah revirou os olhos com o maior drama do mundo e soltou uma provocação ácida:
- Alguém avisa o hétero top que o instinto de paternidade dele está passando vergonha? Menos, Robert. Você nem é o pai do bebê para agir assim.
Robert nem piscou. Ele ajeitou Oliver no braço, deu um passo na minha direção, diminuindo a distância entre nós, e cravou aqueles olhos diretamente nos meus. O flerte dele veio sem filtros, uma cantada clara e descarada na frente de toda a família dele:
- Eu posso não ser o pai dele ainda, Noah... Mas eu estou perfeitamente disposto a negociar o cargo com a mãe dele a partir de hoje.
Senti meu rosto entrar em combustão espontânea. Para não dar o braço a torcer, ergui o queixo e mandei o meu clássico olhar de desdém, mas o meu coração deu uma cambalhota ridícula.
- Vou levar vocês para cima para se instalarem. Venham - Robert limpou a garganta, mudando de assunto com um sorriso de canto satisfeito.
Subimos a imensa escadaria de mármore. Robert ia na frente, carregando Oliver como se o bebê fosse o tesouro mais valioso da empresa, enquanto Camilla e Victor vinham logo atrás trazendo algumas mochilas. E foi aí que eu percebi que a minha amiga não perde tempo mesmo no meio do caos.
Olhei de soslaio e peguei Milla no flagra, jogando o cabelo de lado e mandando a maior cantada para cima de Victor:
- Sabe, Victor... O seu irmão é o CEO, mas eu tenho a nítida impressão de que é o setor de infraestrutura que realmente carrega a beleza dessa família nas costas - ela disparou, com um sorriso de canto totalmente interessada.
Victor não se fez de rogado. Ele soltou uma risada charmosa, retribuiu a cantada na hora com um olhar que quase fez a contadora derreter no tapete:
- Se você quiser, eu posso te dar um tour particular pelo meu setor de infraestrutura mais tarde, Camilla. Garanto que a vista vale a pena.
Eu balancei a cabeça, incrédula.
A minha amiga estava literalmente sendo caçada por um esquema de fraude, mas o radar de solteira dela continuava funcionando com força total.
Robert parou no final do corredor do segundo andar e abriu a porta de uma suíte gigantesca, decorada em tons clássicos, com uma cama king-size e um berço de madeira de luxo que a dona Catarina provavelmente mandou arrumar em tempo recorde.
- Este é o seu quarto - Robert falou, me entregando o Oliver com cuidado, seus dedos roçando nos meus por tempo suficiente para fazer a minha pele formigar. Ele deu um sorriso de canto, provocativo e perigoso, antes de apontar para a porta exatamente oposta no corredor.
- E por pura coincidência do destino... aquele ali do outro lado é o meu quarto. Se precisar de alguma coisa de madrugada, senhorita Willians... não hesite em bater.
Eu o encarei, o orgulho voltando com tudo, e fiz menção de fechar a porta na cara perfeita dele. Assim que me vi sozinha no quarto, o silêncio finalmente se instalou e o peso das últimas horas desabou sobre as minhas costas.
Sentei-me na beirada da cama de luxo, respirei fundo e puxei o celular da bolsa.
Havia uma rotina sagrada que eu nunca quebrava: desde o dia em que o Oliver entrou na minha vida, eu ligava para os meus pais diariamente para dar notícias do loirinho.
Eles eram o meu porto seguro, mas eu precisava manter a postura de aço. Disquei o número e, assim que a voz doce da minha mãe e o tom firme do meu pai ecoaram do outro lado da linha, forcei o meu melhor tom de voz tranquilo, cômico e descontraído.
Falei sobre as novas gracinhas do Oliver, inventei que o home office na Adams Engenharia estava tranquilo e ocultei absolutamente tudo sobre o ataque ao apartamento, o porteiro morto ou o fato de eu estar trancada na mansão do meu chefe.
Eles não precisavam carregar o meu fardo em Woods Hole. Desliguei o telefone com um sorriso triste, olhando para o meu filho dormindo no berço.
O confinamento na fortaleza dos Adams estava oficialmente aberto, e eu tinha a nítida certeza de que o meu maior perigo ali dentro não seria o Erik ou Ludovico, mas sim o homem loiro de coque que morava na porta ao lado.
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ROBERT ADAMS
AcciónDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
