👤 POV CAMILLA
O peso do mundo tinha esmagado os meus ombros por completo. Ver a Stella, uma garota de vinte anos com a vida inteira pela frente, sofrer daquele jeito e perder um bebê por culpa de um relatório de contabilidade que eu assinei estava me matando de dentro para fora.
Eu não conseguia mais respirar sem sentir náusea.
Tomada por um pânico corrosivo, caminhei a passos trêmulos até o quarto de Ana Elizabeth, com as lágrimas lavando o meu rosto.
Quando ela abriu a porta, eu simplesmente desabei de joelhos no tapete, chorando até soluçar.
- A culpa é toda minha, Ana... é tudo por minha causa! - gritei, a voz embargada pelo desespero puro. - Se eu não tivesse revirado aquela sala, se eu não tivesse tirado aquelas fotos, nada disso teria acontecido! O melhor... o melhor é eu me entregar para o Ludovico de uma vez por todas. Se eu for até ele, ele consegue o que quer e ninguém mais vai sofrer nesta casa! Ninguém mais vai sangrar por mim!
Ana tentou me levantar, mas eu continuei agarrada às pernas dela, soltando a verdade mais dolorosa que eu carregava no peito:
- Deixa eu ir, Ana! Eu não tenho família mesmo... Se ele me apagar, ninguém neste mundo vai sentir a minha falta! Eu sou um estorvo!
No mesmo milésimo de segundo, Ana Elizabeth se agachou no chão. Suas mãos firmes de pitbull de saia seguraram o meu rosto com uma força violenta, me forçando a olhar direto nos olhos azuis dela, que estavam inundados de lágrimas, mas brilhando com uma convicção feroz. Ela me puxou para um abraço esmagador, me apertando contra o peito dela com tanta força que o meu choro travou.
- Nunca mais repita essa porra na sua vida, Camilla Castilho! - Ana sibilou perto do meu ouvido, a voz trêmula de emoção. - Você não está sozinha e você não vai a lugar nenhum. Se o Ludovico quiser encostar um dedo em você, ele vai ter que passar por cima do meu cadáver primeiro. Você não tem família? Olha para mim! Eu sou a sua família, Milla. A minha mãe é a sua mãe, o Oliver é o seu sobrinho e nós estamos juntas até o inferno congelar. Engole esse pensamento de entrega porque nós vamos caçar aquele desgraçado juntas.
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👤 POV ANA
Stella finalmente teve alta da UTI do hospital, mas o quadro dela continuava delicado e doloroso: ela estava em coma, respirando por aparelhos e travando uma batalha silenciosa para o corpo se recuperar do espancamento brutal.
Para evitar os riscos do ambiente hospitalar e o perigo de novos ataques de Ludovico, o Sr. Sebastian e dona Catarina usaram sua fortuna bilionária para montar uma suíte médica de última geração perfeitamente equipada dentro da própria mansão Adams.
Stella estava em casa, cercada por monitores cardíacos, enfermeiras particulares e segurança máxima, mas o silêncio daquele quarto quebrava o coração de qualquer um.
Do outro lado do oceano, a notícia da tragédia atingiu Paris feito um maremoto. Noah entrou em completo desespero ao saber que a irmã caçula tinha perdido o bebê e estava em coma. Ele arrumou as malas chorando e queria pegar o primeiro voo de volta para Nova York para ficar perto da família.
No entanto, dona Catarina interveio com firmeza na ligação internacional. A italiana, com toda a sua sabedoria protetora, proibiu o filho de voltar ao país.
Ela sabia que a mansão tinha virado um alvo de guerra e que o Noah seria apenas mais uma fraqueza que o Ludovico tentaria explorar.
Ela achou melhor ele continuar em segurança na Europa, sob a proteção do Charles, que não largou a mão do nosso estilista por um único segundo, servindo de rocha para o Noah no meio daquele pesadelo.
Enquanto isso, no subsolo e nos escritórios da fortaleza, o cenário era de pura obsessão tática. Daniel passava vinte e quatro horas por dia focado nas telas de espionagem, cruzando dados bancários da Ásia, rastreando satélites na China e procurando absolutamente qualquer pista miúda que pudesse ajudar a agência do meu pai a localizar o esconderijo exato do Ludovico e de Vick.
Ele não dormia, não descansava e o profissionalismo militar dele tinha virado uma loucura autodestrutiva.
E, quando não estava operando as telas no subsolo, Daniel passava as noites trancado na suíte médica da Stella. Ele sentava na beirada da cama, segurava a mão trêmula e fria dela e ficava ali, olhando para os monitores, se culpando em silêncio pelo resto da madrugada.
O soldado de um metro e noventa estava definhando.
Após uma semana inteira de vigília insana, a situação do meu irmão mais velho ficou crítica. Ele estava com a barba por fazer, olheiras profundas, os nós dos dedos em carne viva e exalando o cheiro de suor e sangue pisado. Ele não comia há dias e se recusava a sair do lado da cama da Stella por nada no mundo.
A situação ficou tão feia que o meu pai, o general Ricardo, e o Robert precisaram invadir o quarto da Stella na calada da noite para intervir à força.
- Já chega, Daniel. Levanta dessa cadeira agora - meu pai comandou, a voz firme de general, mas os olhos azuis cheios de uma preocupação real de pai.
Daniel sequer se mexeu, continuando a segurar a mão da garota em coma.
- Eu não vou sair daqui, pai. Eu preciso vigiar o perímetro dela. Eu falhei com o meu filho, não vou falhar com ela - ele resmungou, a voz arrastada e fraca de puro esgotamento.
Robert deu dois passos à frente, os braços musculosos cruzados, e usou o seu tamanho de um metro e noventa para se impor.
Ele não usou a arrogância de CEO, mas sim a autoridade de quem agora enxergava Daniel como um irmão de sangue.
- Você não vai proteger ninguém se cair desmaiado no chão deste quarto, Willians - Robert disparou, a voz grave e mansa, mas firme. Ele se esticou, segurou Daniel pelos ombros com força e o arrancou da cadeira na marra. - Olha para o seu estado. Você está fedendo a pólvora e desespero. Minha irmã precisa de um homem forte para quando ela acordar, não de um cadáver ambulante das forças especiais. Você vai tomar um banho agora e vai engolir a comida que a dona Catarina preparou. O seu pai e eu vamos cuidar da segurança dela nas próximas duas horas. Anda.
Daniel tentou resistir, tensionando os músculos, mas o cansaço extremo e o peso do argumento de Robert o fizeram capitular.
Ele soltou a mão de Stella devagar, limpou uma lágrima invisível e caminhou em direção ao banheiro com os ombros caídos.
Robert e o meu pai assumiram a guarda do quarto no escuro. O ultimato das quarenta e oito horas de Ludovico com o pedido de cem milhões de dólares continuava correndo no relógio, e o clã dos Adams e dos Willians estava acumulando todo o ódio do mundo para o confronto final.
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ROBERT ADAMS
AçãoDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
