👤 POV STELLA
Eu estava encolhida no meio da minha cama king-size, com os joelhos colados no peito e o rosto escondido nos travesseiros.
O choro tinha diminuído para soluços fracos, mas a dor no meu peito parecia uma ferida aberta.
Minha mãe tinha descido para me buscar um chá calmante, e o silêncio da suíte de luxo só me fazia reviver as palavras cruéis do Daniel no subsolo: "uma foda para passar o tempo".
Como eu ia criar um filho com um homem que me via como um desvio de protocolo militar?
O som de duas batidas hesitantes e leves na madeira da porta cortou os meus pensamentos.
- Mãe, deita aqui comigo, por favor... não quero conversar - murmurei, a voz saindo abafada e rouca pelo choro.
A porta se abriu num clique suave, mas os passos que pisaram no carpete eram pesados demais para serem da minha mãe. Erguendo os olhos inchados, paralisei. Era o Daniel.
Ele estava sem a jaqueta tática, vestindo apenas uma camisa preta justa que exibia os nós dos dedos ainda vermelhos da briga com o Robert. Seu lábio inferior tinha um pequeno corte purpúreo. Mas o que me chocou de verdade foi a expressão dele.
O soldado implacável das forças especiais, o homem de gelo de um metro e noventa que nunca piscava, parecia completamente quebrado.
Seus olhos azuis, geralmente frios como o aço, estavam marejados, exibindo uma vulnerabilidade que me assustou.
Daniel fechou a porta atrás de si com cuidado. Ele caminhou lentamente até a beirada da minha cama e, num movimento que destruiu qualquer resquício do protocolo militar que ele carregou a vida inteira, ele se ajoelhou no chão.
O gigante Willians dobrou os joelhos diante de mim, apoiando as mãos pesadas nos lençóis de luxo e olhando diretamente nos meus olhos com um desespero puro.
- Stella... por favor, não desvia o olhar. Só me escuta - Daniel começou, a voz grossa saindo trêmula, quase num fio de sussurro engasgado. - Eu fui o maior idiota do planeta lá embaixo. Eu passei a vida inteira sendo treinado pelo meu pai para ser uma máquina, para esconder qualquer tipo de sentimento porque o afeto era visto como uma fraqueza de combate.
Quando eu percebi o tamanho do controle que você tinha sobre mim, quando notei que você tinha pulverizado todas as minhas defesas nas últimas semanas, eu entrei em pânico tático.
Eu usei aquelas palavras podres para tentar me afastar de você, para tentar me proteger do que eu estava sentindo.
Uma lágrima teimosa escapou do olho azul dele, correndo pela bochecha arranhada, e o meu coração deu uma batida em falso.
- Eu não estou aqui ajoelhado por causa do teste de gravidez, Stella. Eu não estou aqui por obrigação, por causa do esporro do meu pai ou porque o Robert me deu um soco - ele continuou, segurando a minha mão livre com uma delicadeza absurda para o tamanho dele.
- Eu estou aqui por amor. Eu te amo, sua maluca. Amo com cada pedaço que sobrou do meu coração de pedra. Eu quero ficar com você. Quero construir uma vida com você, quero te ver desfilar pela casa com esse seu shortinho e quero cuidar de você e do nosso bebê porque você é o meu único porto seguro no meio da guerra. Me perdoa... por favor, me perdoa.
Olhei para ele ali, de joelhos no chão, se entregando por inteiro. A garota de vinte anos em mim queria se jogar nos braços dele e aceitar a declaração na hora. Mas a mulher que carregava um filho dele, a Stella que tinha sido humilhada e pisoteada no tatame horas atrás, ainda estava profundamente magoada.
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ROBERT ADAMS
ActionDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
