A notícia da morte de Erik caiu como uma bomba de fragmentação no meio da sala de estar dos Adams.
O silêncio que se seguiu foi gélido, quebrado apenas pelo som da respiração descompassada de Camilla. Olhei para a minha amiga, vendo o pânico puro paralisar suas feições, e depois para o berço onde o pequeno Oliver dormia. A queima de arquivo mudava absolutamente tudo. Ludovico não estava jogando para assustar; ele estava limpando o tabuleiro, e nós duas éramos os próximos peões a serem descartados.
Eu não tinha mais escolha. Meu orgulho de querer resolver tudo sozinha precisava ser engolido a seco em nome da sobrevivência do meu filho e da minha amiga.
Virei-me para Camilla, segurando suas mãos trêmulas com força, e olhei diretamente nos olhos de Robert, do Sr. Sebastian e de Victor.
- Eu vou ligar para o meu pai - anunciei, a voz firme, embora o meu estômago estivesse dando nós. - Ele vai me matar por ter escondido isso dele até agora, mas eu prefiro aguentar a fúria dele do que ver qualquer um de nós virar estatística nas mãos de Ludovico.
Robert franziu a testa, os olhos cinzentos semicerrados em pura confusão.
- Ana, com todo o respeito, nós temos uma escolta armada particular de elite cuidando dessa propriedade. O que o seu pai poderia fazer que a minha segurança já não esteja fazendo? - ele perguntou, o tom de CEO voltando de leve.
Soltei uma risada curta, sem humor nenhum, e me ajeitei na poltrona. Chegara a hora de abrir o jogo.
- Robert, vocês são engenheiros bilionários e têm ótimos seguranças de condomínio de luxo. A minha família é outra coisa - comecei, olhando para todos na sala.
- Meu pai e meus irmãos são ex-militares das forças especiais. Meu pai é o CEO da maior agência privada de segurança tática, contraterrorismo e inteligência militar do país. Nós não apenas protegemos perímetros; nós caçamos ameaças antes que elas saibam que viraram alvos. Eu fui treinada em combate corpo a corpo e manuseio de armas pesadas desde os doze anos. Se o Ludovico tem conexões com o crime organizado, o meu pai tem as ferramentas para desmantelar o esquema dele de dentro para fora.
Victor arregalou os olhos, soltando um assobio baixo, enquanto Robert me encarava totalmente chocado, reprocessando cada vez que eu o peitei na empresa e o soco que desferi em Erik no dia anterior. A júnior do subsolo dele era, literalmente, uma arma letal diplomada em Direito.
Peguei o celular e disquei o número privado do meu pai, Ricardo Willians. Coloquei no viva-voz. "Oi, minha filha", ele atendeu, com um tom caloroso que contrastava com a sua antiga postura rígida de general. Aquela demonstração de carinho quebrou minhas últimas defesas, e a verdade saiu sem filtro: contei sobre a fraude, o ataque ao meu apartamento, o homicídio do porteiro, a morte de Erik e o fato de eu estar escondida na mansão Adams.
O silêncio do outro lado da linha durou cinco segundos eternos, e eu juro que consegui ouvir a respiração dele falhar, pesada e trêmula.
Quando a voz do meu pai finalmente ecoou, não veio como um trovão de raiva, mas carregada de uma aflição profunda que quebrou meu coração. Ele não gritou; em vez disso, sua voz vibrou, densa de emoção, naquela que foi a bronca mais dolorosa e cheia de amor da minha vida.
Ele desabafou sobre o pavor absoluto de imaginar que eu e o Oliver tínhamos corrido risco de morte, dizendo que eu não precisava carregar o mundo nas costas por orgulho e que nenhuma justiça no mundo valia a minha segurança.
Dava para ouvir o alívio e o medo misturados em cada palavra. Quando ele finalmente respirou fundo para se acalmar, seu tom mudou para uma firmeza acolhedora, uma promessa inabalável de proteção: "Estou acionando o Daniel e o Lucas agora mesmo, minha filha. Em algumas horas, o nosso protocolo de contenção estará em Nova York. Não saia dessa casa. Eu estou chegando." Desliguei o telefone, respirando fundo. O tabuleiro agora tinha novos jogadores de peso.
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ROBERT ADAMS
AcciónDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
