👤 POV ROBERT
Cruzei o corredor do segundo andar em direção ao escritório e paralisei ao ver a cena. Daniel Willians, o gigante de um metro e noventa das forças especiais que dias atrás parecia uma estátua de gelo intocável, caminhava de cabeça baixa, com os ombros curvados e o olhar completamente perdido.
O soco que dei no maxilar dele não era nada perto do estrago que o gelo da Stella tinha feito no orgulho daquele soldado.
Pela primeira vez desde que o clã Willians invadiu a minha propriedade, não senti raiva ou instinto de disputa. Senti pena. Eu sabia exatamente como era o temperamento da minha irmã caçula; o "brinquedo assassino" ia fazê-lo sofrer e ralar muito antes de ceder, mas, no fundo, ela estava coberta de razão. Ele merecia aquele castigo.
Limpei a garganta, quebrando o silêncio do corredor, e fiz um gesto com a cabeça em direção à biblioteca.
- Willians. Vem cá. Vamos conversar - chamei, a voz grave e pausada.
Daniel ergueu os olhos azuis, surpreso com a falta de agressividade no meu tom, mas me seguiu. Fechei a porta da biblioteca e servi duas doses de uísque puro, entregando uma na mão dele.
- A Stella vai te dar um chá de cadeira monumental, você sabe disso, né? - comecei, encostando-me na mesa. - Mas ela está certa. Você foi um completo idiota com ela lá embaixo.
Daniel soltou uma risada curta, sem humor nenhum, olhando para o copo de cristal.
- Eu sei, Adams. Eu fui o pior tipo de lixo. Eu só... entrei em pânico com o que sentia.
Ficamos ali conversando por quase uma hora na madrugada, trocando confidências sobre o peso de carregar as expectativas dos nossos pais e o medo de falhar com as mulheres que amamos. Pela primeira vez, o terno sob medida de CEO e a farda invisível de forças especiais caíram.
Olhando para o Daniel ali, de peito aberto, eu finalmente enxerguei um amigo, um parceiro de verdade com quem eu cruzaria qualquer linha de tiro. A nossa trégua estava oficialmente assinada.
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👤 POV DANIEL
Uma semana se passou. Uma semana torturante onde tentei manter a distância respeitosa que a Stella pediu, monitorando o perímetro e garantindo que ela estivesse segura. Mas a calmaria nos portões da mansão Adams nos cobrou o preço mais caro e maldito de todos.
Na quinta-feira à noite, sufocada pelo confinamento e pela mágoa, Stella cometeu um erro fatal: burlou o ponto cego das câmeras dos fundos e saiu escondida de casa para tomar um ar na calçada deserta do bairro.
Ela achou que estava segura dentro do perímetro residencial de luxo. Mas os olhos frios que nos vigiavam de longe não perdoaram.
Do outro lado do mundo, o Sr. Ludovico moveu a sua última peça de covardia. Ele pagou três capangas profissionais para encurralarem a minha garota. Stella foi brutalmente abordada e espancada em uma rua escura, sem qualquer chance de defesa. Quando os nossos seguranças finalmente rastrearam o sumiço dela e nós a encontramos caída no asfalto frio, o meu mundo desabou em cinzas.
O trajeto para o hospital de urgência foi um pesadelo de sirenes e desespero. Stella deu entrada em estado gravíssimo, com ferimentos profundos, costelas quebradas e hemorragia interna. Passamos a madrugada inteira no corredor do hospital, com a dona Catarina e a Ana chorando abraçadas, enquanto o Robert e o Sr. Sebastian tentavam conseguir notícias dos cirurgiões.
Duas horas depois, o médico chefe cruzou as portas duplas da UTI com o semblante desolado. Os ferimentos causados pelas agressões brutais tinham sido violentos demais para o corpo dela aguentar.
Stella ia sobreviver e se recuperar, mas, infelizmente... ela tinha perdido o bebê. O nosso filho tinha morrido antes mesmo de ter a chance de nascer.
Voltar para a mansão Adams depois de receber aquela notícia me transformou em uma fera enjaulada, um monstro perigoso trancado no box de treinos. Eu andava de um lado para o outro descalço, desferindo socos violentos contra a parede de concreto até os meus nós dos dedos sangrarem e exporem o osso.
Eu gritava de puro ódio, a fúria primitiva me consumindo por dentro enquanto eu me culpava com cada fibra do meu ser. Como eu, um soldado treinado pelas forças especiais, tinha deixado a segurança falhar? Como eu não tinha prestado mais atenção na garota que eu amava?! Eu deveria ter protegido o meu filho.
No final da tarde, a porta de ferro do subsolo foi aberta com força. Meu pai e o Robert entraram na sala, trazendo o delegado da polícia federal. O cerco tático tinha avançado, mas o gosto era de puro sangue.
- A inteligência da polícia conseguiu interceptar a rota de fuga e capturou um dos bandidos que espancaram a Stella perto do porto - o delegado anunciou, jogando um relatório tático na bancada de metal. - Nós o esprememos na sala de interrogatório. O desgraçado abriu o jogo: confirmou que foi o Sr. Ludovico quem pagou o serviço diretamente da China, como uma punição clara pelo dossiê que a Camilla montou.
Robert deu um passo à frente, os olhos cinzentos injetados de sangue e o maxilar travado em uma fúria idêntica à minha. Ele apertou os punhos na mesa.
- E o que aquele monstro quer agora, delegado? Ele já destruiu a vida da minha irmã!
- Ele mandou uma mensagem criptografada pelo celular do capanga - o delegado continuou, olhando seriamente de Robert para mim. - Ludovico quer 100.000.000 de dólares transferidos para uma conta fantasma na Ásia nas próximas quarenta e oito horas. É o preço dele para sumir do mapa de vez e deixar a família Adams e a empresa em paz. Se o dinheiro não cair, ele prometeu mandar o resto da equipe de contenção terminar o serviço com o Oliver, com a Ana e com a Camilla.
Olhei para o Robert e depois para o meu pai. A dor de ter perdido o meu filho tinha acabado de se transformar em uma sede de sangue incontrolável.
Ludovico achou que uma transferência bancária de cem milhões resolveria o crime dele, mas ele tinha acabado de assinar a sua própria sentença de morte com o clã Willians. Ele mexeu com a minha mulher e matou o meu bebê.
E eu ia cruzar o planeta para arrancar a cabeça dele com as minhas próprias mãos.
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ROBERT ADAMS
ActionDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
