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Capítulo 4: Condomínios de Luxo, Herdeiras Frustradas e o Peso do Medo

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Levantei às 06:00 em ponto. Fiz trinta minutos de HIIT para fingir que a saúde está em dia, liguei a cafeteira e marchei até o quarto da Milla. Como previsto, ela parecia uma estrela-do-mar jogada na cama, babando no travesseiro.

- Acorda, bela adormecida! O capitalismo nos chama! - gritei, empurrando a perna dela.

Milla puxou o edredom até a cabeça, com a voz abafada pelo tecido:

- Amiga, por que eu tenho que trabalhar? Me dá um motivo real. O voto feminino foi um erro, eu só queria ser uma herdeira sustentada por um velho rico.

- Primeiro: porque você é a mente brilhante da contabilidade na Adams Company. Segundo: o boleto do condomínio desse apartamento maravilhoso que a minha mãe me deu vence depois de amanhã.
O prédio é de luxo, Milla, e o síndico não aceita sua beleza como forma de pagamento.

Ela emergiu das cobertas como uma fênix dramática, jogando o cabelo para o lado com a mão:

- É verdade. Sou uma mulher incrível e gostosa demais para ser pobre.
E correu para o banheiro antes que eu jogasse um travesseiro na cara dela.
Desci, organizei a mesa do café e subi para me arrumar rápido. Banho tomado, optei pelo meu uniforme clássico de sobrevivência corporativa: terninho preto justo, camisa social branca de botão bem engomada, rabo de cavalo alto milimetricamente alinhado e um scarpin que destrói meus pés, mas eleva minha autoestima ao Everest.

Quando desci, às 07:15, Milla ainda mastigava uma torrada com geleia, mas notei que ela não estava olhando o TikTok com a calmaria de sempre. Seus dedos tremiam levemente no celular.

Engolimos o resto do café juntas e jogamos a louça na lava-louças num trabalho de equipe milimétrico digno de Fórmula 1.

No caminho para a porta, ela parou e me olhou com aquela rugquinha clássica de preocupação bem no meio da testa, mas havia um brilho de puro pânico nos olhos dela:

- Amiga, sério agora. Toma cuidado no seu setor hoje, tá? Você sabe que lidar com essa ala criminal da engenharia é perigoso, Ana. Você mexe com empreiteiros e gente muito poderosa no jurídico.

- Ah, qual é! O nosso escritório pode ser caótico, mas eu sei me cuidar. Lidar com processos complexos de fraudes e crimes ambientais no subsolo da Adams é o que eu faço de melhor - respondi, pegando as chaves do carro.

Milla cruzou os braços, os olhos marejados de uma angústia que ela tentava engolir:

- Eu sei que você é uma advogada foda, mas por favor, não se arrisque demais por nenhuma empresa. Eu fico com o coração na mão. Jura para mim que você vai andar com cuidado?

Olhei para ela, estreitando os olhos em um modo totalmente criminalista, sentindo que o desespero dela era real demais e que aquela preocupação ia muito além do meu trabalho cotidiano:

- O que você está me escondendo, Camilla Castilho? Esse nervosismo todo tem nome, sobrenome ou CNPJ?

Ela disfarçou rapidamente, limpando uma lágrima invisível e pegando a bolsa. Olhando para ela assim, bem-sucedida, linda, mas claramente apavorada com alguma coisa, quase não parece a mesma mulher que encontrei há seis anos. Era madrugada, fazia um frio congelante de inverno e eu voltava de um evento da firma quando a vi caída perto de uma lixeira. Roupa rasgada, machucada, o olhar completamente quebrado após ter sido violentada. Eu a acolhi, passei o resto da noite no hospital segurando a mão dela e, quando ela se recusou a prestar queixa na polícia por medo, apenas a levei para minha casa. Desde então, viramos o porto seguro e a família uma da outra.

- Alô, Houston? Estamos perdendo ela - Milla tentou rir, mas a voz saiu embargada, me trazendo de volta à realidade. - Estou falando há um minuto. Onde você estava?

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora