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Capítulo 31:Colo de Mãe, Laços de Sangue e a Força do Recomeço

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👤 POV STELLA

O amanhecer entrou pelas cortinas da suíte médica trazendo uma luz suave, mas a escuridão dentro do meu peito continuava intacta.

Eu sentia cada centímetro do meu corpo doer por causa do espancamento, mas nenhuma dor física chegava perto do vazio avassalador que se instalou na minha barriga.

Daniel tinha passado o resto da madrugada deitado ao meu lado, segurando a minha mão e murmurando que me amava até que o cansaço o vencesse.


Pela manhã, meu pai o chamou para o subsolo para traçar a rota de busca da Vick, e eu fiquei sozinha com os meus pensamentos.

A porta do quarto se abriu devagar. Ana Elizabeth entrou a passos lentos, trazendo o pequeno Oliver aninhado nos braços. Meu loirinho de olhos azuis piscou, olhando para o teto com aquela inocência pura que só os bebês têm. Ana caminhou até a beira da minha cama, o olhar azul cheio de uma compaixão profunda, e se sentou com cuidado ao meu lado.

Sem dizer uma única palavra, Ana ajeitou o Oliver e o entregou delicadamente nos meus braços. Assim que senti o peso morno daquele garotinho contra o meu peito, as minhas defesas desmoronaram novamente.

Olhei para o rostinho dele, sentindo as lágrimas quentes voltarem a queimar as minhas bochechas, e apertei o Oliver com todo o cuidado e amor do mundo contra o meu corpo.

- Ele é tão lindo, Ana... - sussurrei, a voz embargada, os soluços voltando a sacudir os meus ombros. - O meu neném... se ele estivesse vivo... eles poderiam ter brincado juntos aqui no pátio. Eles seriam primos e parceiros de tudo... dói tanto saber que eu nunca vou ver o rostinho do meu filho.

Ana se inclinou para a frente e me envolveu em um abraço esmagador, me apertando com força contra ela, tomando todo o cuidado para não machucar o meu corpo debilitado.

- Eu sei, meu anjo... eu sei - Ana sussurrou perto do meu ouvido, as suas próprias lágrimas molhando o meu cabelo claro. - Stella, escuta a sua cunhada. Eu não posso nem começar a imaginar a dor absurda que você está sentindo agora, porque perder um filho é arrancar um pedaço da alma. Mas eu te prometo, com cada fibra do meu ser, que tudo vai melhorar com o tempo. Você nunca, sob hipótese alguma, vai esquecer o seu bebê, e ele sempre vai ser o seu primeiro amor... mas a dor vai virar uma saudade suportável, e a ferida vai fechar. Você não está sozinha nessa caminhada.

Fiquei ali agarrada a ela e ao Oliver, sentindo o calor da minha cunhada me sustentar no meio daquele abismo de luto.

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👤 POV CAMILLA

Abri a porta da suíte médica empurrando o trinco com o quadril, carregando uma imensa bandeja de prata com waffles, frutas cortadas, suco de laranja e o café forte que a dona Catarina tinha preparado com todo o amor do mundo.

Eu tinha passado a manhã inteira chorando na cozinha de tanta culpa, mas no segundo em que ouvi o choro da Stella lá de cima, decidi que precisava engolir as minhas próprias fraquezas. Ela precisava de nós fortes.

- O comitê de nutrição da Adams Engenharia acabou de chegar - anunciei, forçando um sorriso leve e cômico para tentar quebrar aquele clima de hospital pesado. Coloquei a bandeja com cuidado na mesa de cabeceira e me sentei na ponta da cama, olhando para a Stella com todo o carinho que eu guardava no peito. - Trate de comer tudo, mocinha. O Daniel está lá embaixo quase abrindo um buraco no concreto com os dentes de tanta preocupação, e se você não se alimentar, ele vai querer me dar um esporro de general.

Stella soltou uma risada curta, o som saindo fraco e rouco, mas foi o primeiro pingo de luz que vi naquele rosto angelical desde o atentado. Ela limpou as lágrimas com o dorso da mão e pegou um pedaço de morango, mantendo o Oliver deitado ao seu lado nos lençóis.


Nós quatro passamos a tarde inteira trancadas dentro daquele quarto, dividindo a comida, trocando confissões e dando força umas às outras.

O Oliver começou a fazer suas gracinhas e resmungos fofos, tentando puxar os cachos do meu cabelo e arrancando risadas sinceras da Stella, o que fez o meu próprio peito respirar aliviado.

Olhando para a Ana segurando a mão da cunhada e para a Stella tentando se recuperar, eu entendi o que a Ana quis dizer no corredor no dia anterior: nós éramos uma família de verdade.

O Sr. Ludovico e a Vick podiam ter conexões com o crime organizado, podiam ter armas e milhões de dólares roubados da contabilidade da empresa, mas eles não faziam a menor ideia da força que aquelas paredes tinham agora.

Estávamos unidas, curando as nossas cicatrizes passo a passo, e quando aqueles homens do subsolo subissem com o mapa para o confronto final, nós estaríamos prontas para desmantelar aquele império de maldade até o último tijolo.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora