👤 POV ANA
O trajeto de volta para a mansão foi um borrão de dor e exaustão, mas assim que os portões de ferro da fortaleza se abriram, fomos recebidos pelo puro pânico. Quando passei pela porta principal, com o braço esquerdo enfaixado e algumas manchas de sangue ainda visíveis na roupa, Camilla soltou um grito horrorizado e desabou em choro, correndo para me abraçar com todo o cuidado do mundo. Dona Catarina levou as mãos à boca, o rosto italiano empalidecendo instantaneamente.
- Madonna mia! Ana! O que aconteceu com você, minha filha?! - Catarina exclamou, as lágrimas subindo aos olhos de puro desespero.
No meio do pânico coletivo, Stella brotou do nada com os olhos brilhando de uma curiosidade bizarra:
- Deixa eu ver! Daniel, você deu quantos pontos? Ficou uma cicatriz feia? Dá para ver o músculo?!
Noah apareceu logo atrás dela e deu um tapa na nuca da irmã com o maior drama do mundo:
- Stella, pelo amor de Deus, tenha um pingo de noção! A garota acabou de levar um tiro de raspão em Queens e você quer fazer um tour pelo tecido subcutâneo dela? Vá brincar com o seu alicate e nos deixe em paz!
Antes que a discussão familiar aumentasse, Robert me envolveu pela cintura com o seu braço forte, me tirando do meio do saguão de forma possessiva.
- Chega. Ela precisa descansar agora - ele decretou, a voz grave não aceitando contestações.
Ele me levou para o andar de cima com uma delicadeza que me desarmou por completo. Assim que entramos no meu quarto, Robert cuidou de mim com todo o carinho e o arrependimento do mundo estampados naqueles olhos. Como eu mal conseguia mexer o braço esquerdo por causa dos pontos, ele me ajudou com o banho de um jeito extremamente respeitoso, lavando meu corpo e meu cabelo com cuidado para não molhar a faixa.
Depois, ele me ajudou a me vestir e a me posicionar nos travesseiros da cama. O pequeno Oliver começou a chorar no berço, e Robert agiu rápido: pegou o meu loirinho de olhos azuis com o maior cuidado e o ajeitou no meu colo de forma milimétrica para que eu pudesse amamentar sem forçar o ferimento. Fiquei ali, sentindo o calor do meu filho mamando com avidez, enquanto Robert permanecia sentado na beirada da cama, cuidando de nós dois.
O cansaço físico e o efeito do estresse finalmente venceram as minhas defesas. Minhas pálpebras pesaram e eu adormeci ali mesmo, profundamente guardada e abraçada ao meu filho.
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👤 POV CAMILLA
Enquanto a Ana finalmente descansava com o bebê lá em cima, o subsolo da mansão exalava a tensão de um tribunal militar. O general Ricardo Willians reuniu o Sr. Sebastian, o Victor, o Robert e eu ao redor dos monitores de espionagem para soltar a bomba que seus homens tinham acabado de descobrir nas redes de inteligência. A Ana e o pequeno Oliver eram os únicos que não estavam presentes naquela sala fria.
- O galpão em Queens foi uma emboscada armada - o pai da Ana começou, a voz fria como o gelo, os punhos cerrados na mesa metálica. - Alguém vazou a nossa exata rota e localização para o Ludovico horas antes de sairmos. E os rastros digitais dos servidores de inteligência apontam para uma única pessoa: Vick , a ex-noiva do Robert. Ela se aliou ao desgraçado para se vingar de vocês.
O Sr. Sebastian soltou um xingamento pesado, o maxilar travado de ódio ao perceber que a cobra que a esposa tinha expulsado de casa na manhã anterior tinha colocado a vida da Ana em risco de morte.
Depois que o briefing tático acabou e todos os outros se levantaram para organizar as patrulhas do perímetro, o general Willians permaneceu imóvel. Robert estava fazendo menção de sair do recinto quando o pai da Ana ergueu a mão, bloqueando a passagem dele.
- Robert. Fica aí. Eu preciso falar com você - o general comandou, a voz grossa ecoando pelas paredes de concreto do box.
Robert deu um passo à frente, cruzando os braços musculosos e encarando o ex-militar de forças especiais com toda a dignidade que lhe restava. Meu pai deu dois passos na direção dele, medindo os 1,90m do engenheiro com um desprezo cortante.
- Você não é um homem forte, Robert - o general disparou, a voz mansa e perigosa. - Você perdeu o controle por ciúmes na biblioteca, atrapalhou o andamento da operação tática com o seu desespero e colocou a vida da minha filha e da Camilla, a melhor amiga dela, em risco máximo lá no galpão. Civil nenhum dita o ritmo da minha tropa.
Robert tensionou cada músculo do corpo, o orgulho de homem alfa sendo pisoteado, mas ele não recuou diante do general. Ele deu um passo à frente, encarando o pai da Ana de frente:
- Com todo o respeito, Sr. Willians... O senhor não vê os seus filhos como seres humanos. O senhor os vê como soldados, como máquinas que não podem falhar ou sentir medo. A Ana acabou de levar um tiro e o senhor está aqui cobrando protocolo militar!
O velho Willians deu um sorriso de canto gélido, os olhos azuis idênticos aos da Ana brilhando com uma convicção assustadora.
- Eu amo tanto os meus filhos, Robert... que eu jamais poderia me dar ao luxo de deixá-los serem fracos. O mundo lá fora esmaga os fracos, e o Ludovico mata quem não sabe se defender. Se você quer ter o direito de olhar na cara da minha filha e proteger as pessoas que estão sob o teto da sua empresa, trate de aprender a ser forte de verdade.
Robert engoliu em seco, o choque de realidades deixando o ar sufocante antes de o general dar as costas e deixá-lo sozinho no escuro do subsolo, digerindo aquela humilhação.
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👤 POV ANA
O dia seguinte amanheceu com um clima completamente diferente na mansão. Eu acordei me sentindo um pouco melhor, com o braço dolorido, mas funcional. Quando desci as escadas carregando o Oliver com a ajuda do Robert que continuava grudado em mi feito uma sombra protetora , paralisei no último degrau.
Havia uma nova presença imponente na sala de jantar.
Minha mãe, dona Laura Willians, tinha acabado de desembarcar em Nova York vinda de Woods Hole após o esporro do meu pai. Ela estava impecável, loira, de pele clara e olhos cor de oceano, conversando de forma super animada com a dona Catarina.
Bastou eu e Robert entrarmos na sala para as duas matriarcas trocarem um olhar cúmplice e perigoso que eu conhecia muito bem. Elas tinham se conhecido e se unido no mesmo segundo.
Dona Laura correu para me abraçar e pegar o Oliver, enquanto dona Catarina já empurrava o Robert na nossa direção. As duas mães tinham decretado um complô absoluto: iam usar o confinamento daquela fortaleza para juntar nós dois de uma vez por todas, ignorando qualquer "termo profissional" que a gente tentasse inventar. O clã feminino tinha entrado no jogo, e contra as mães, nem o exército do meu pai tinha poder de veto.
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ROBERT ADAMS
ActionDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
