Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Capítulo 34: Pistas em Espera, Massas Italianas e Brasa Brasileira

2 1 0
                                        


👤 POV ANA

Assim que passei pelas portas duplas da mansão Adams, ainda vestindo a farda tática escura e com o cansaço pesando nos meus olhos azuis, toda a família se reuniu no saguão.

Robert e Daniel deram dois passos rápidos na minha direção, os olhos fixos em mim em uma mistura de ansiedade e sede de respostas.

Descarreguei cada detalhe do depoimento perturbador da Vick, repetindo a revelação de que o Ludovico havia limpado as contas e fugido da China no mesmo dia em que ela embarcou.

A reação foi de puro choque e uma frustração avassaladora que se espalhou pela sala mais uma vez. Robert passou as mãos pelo rosto, soltando um xingamento abafado, enquanto Daniel tensionou os ombros de um metro e noventa, dando um soco violento contra o batente da porta.

Estávamos estáticos no mesmo lugar, andando em círculos contra um inimigo invisível. Foi aí que o meu pai, o general Ricardo Willians, interveio com aquela postura ereta que sempre trazia ordem ao caos.

Ele desligou o rádio tático e olhou seriamente para o grupo.

- O Ludovico pode ter limpado as contas corporativas, mas um homem desse tamanho não se esconde no mundo sem deixar rastro logístico - meu pai anunciou, a voz grossa ecoando.

- Eu acabei de entrar em contato privado com um antigo parceiro dos meus tempos de inteligência militar nas forças especiais. Ele tem acesso aos radares de satélite e listas de voos clandestinos não comerciais. O problema é que, por questões de segurança de protocolo, o resultado do cruzamento de dados vai demorar exatamente vinte e quatro horas para sair. Até amanhã à noite, nós estamos de mãos atadas.

O silêncio tenso que se seguiu foi quebrado pelo Sr. Sebastian Adams. O patriarca da engenharia deu um passo à frente, suspirou fundo e olhou de relance para as escadas que davam para o quarto de Stella e para a Camilla que continuava roendo as unhas de pavor.

- Se nós temos vinte e quatro horas de espera forçada, não adianta ficarmos nos consumindo de ódio e estresse dentro deste perímetro - Sebastian decretou, com uma autoridade mansa.

- Minha filha está se recuperando, a Vick está atrás das grades e o império está de pé. Hoje à noite, todos nós vamos relaxar um pouco. Catarina, vamos organizar uma janta italiana de verdade para este clã.

👤 POV CAMILLA

A decisão do Sr. Sebastian foi um bálsamo para os meus nervos destruídos. E o que era para ser apenas uma noite de massas acabou virando o maior intercâmbio cultural e gastronômico que aquela fortaleza já testemunhou.

As duas famílias decidiram se unir na cozinha e no pátio interno para criar um verdadeiro banquete de trégua.

Naquela noite, a mesa imensa da varanda foi coberta com uma quantidade absurda de comidas deliciosas. Dona Catarina comandou o fogão de dentro, preparando travessas fumegantes de lasanha clássica, nhoque ao molho de quatro queijos e massas artesanais que exalavam um aroma dos deuses.

Mas o verdadeiro show aconteceu do lado de fora, perto do jardim blindado.

Dona Laura e o seu Ricardo resolveram assumir o comando da brasa e montaram um legítimo churrasco brasileiro para todos.

Ver o general das forças especiais, o homem que comandava missões antiterrorismo, vestindo um avental, virando peças imensas de picanha sangrenta na grelha e servindo fatias perfeitas com um sorriso de canto orgulhoso foi a cena mais cômica e maravilhosa das últimas semanas.

Nos sentamos todos juntos e, por algumas horas, o fantasma do Ludovico foi completamente trancado do lado de fora dos muros.

Victor sentou ao meu lado, mantendo a mão boba na minha coxa por debaixo da mesa e trocando olhares cúmplices comigo que mostravam que o ciúme dele tinha dado espaço para uma satisfação deliciosa.

Do outro lado, o Daniel tinha subido com uma bandeja especial para a Stella no quarto, mas desceu logo em seguida e aceitou um prato de churrasco do meu pai, os dois homens Willians conversando em um tom mais baixo e maduro.

Ana estava sentada no colo do Robert perto da ponta da mesa, o peito dela relaxado contra o peitoral musculoso do CEO, que não parava de ninar o pequeno Oliver no braço esquerdo enquanto usava a mão direita para roubar pedaços do prato da Ana.

O meu loirinho de olhos azuis soltava risadinhas fofas com o barulho da conversa, completamente alheio ao fato de que o seu novo pai de coração estava completamente rendido a ele.

Nós estávamos dando forças uns aos outros, alimentando não apenas o corpo, mas o espírito para o que estava por vir. O relógio das vinte e quatro horas do general continuava correndo em direção à rota do vilão, mas no calor daquela noite regada a vinho italiano e carne na brasa, nós sabíamos que éramos uma linha de frente imbatível.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora