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Capítulo 6: Sombras no Estacionamento e Um Nocaute de Salto Alto

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- Ela continua agindo normalmente, chefe - a voz baixa e rouca do homem de boné escuro ecoou pelo banco traseiro do carro sedan preto, estacionado a uma quadra do prédio da Adams Engenharia. - Vai ao trabalho, volta direto para casa. Mas ela passa bastante tempo no telefone e parece tensa.

No viva-voz do aparelho descartável, a risada fria do Sr. Ludovico cortou o silêncio:

- Ela sabe demais, e o Erik foi incompetente em deixá-la sair daquela sala sem o celular. Aquelas fotos não podem sair daquele aparelho. Continue na cola dela. Se ela fizer menção de procurar o compliance da empresa ou qualquer autoridade, mude o protocolo. Suma com ela.

- Entendido - o capanga desligou, voltando a fixar os olhos na fachada espelhada do império Adams.

Enquanto as sombras se moviam do lado de fora, dentro do apartamento, o cenário era completamente diferente. A rotina de três meses de batalha judicial havia deixado Ana Elizabeth exausta, com olheiras profundas e o corpo implorando por descanso, mas o seu coração transbordava de uma felicidade que ela nunca imaginou sentir.

O pequeno Oliver era um príncipe. Curiosamente, o destino tinha caprichado tanto que o bebê tinha cabelos loiros bem fininhos e olhos de um azul tão profundo que ninguém na rua ousava dizer que ele não era filho legítimo de Ana.

Nesse período, o início da maternidade testou a sanidade de Ana. O pequeno Oliver teve algumas recaídas chatas na saúde, com febres altas de madrugada devido à imunidade baixa do abandono, o que deixou Ana em pânico.

Foi durante uma dessas noites de choro e conexão profunda, enquanto aninhava o bebê desesperadamente contra o peito para acalmá-lo, que o impossível aconteceu.
O corpo de Ana reagiu ao amor e ao sofrimento do filho: seus seios incharam e começaram a produzir leite.

Assustada, ela correu ao médico no dia seguinte. O obstetra explicou, fascinado, que se tratava de um caso raro de galactorréia por estímulo emocional e hormonal, o corpo dela simplesmente entendeu o que o bebê precisava para sobreviver e se adaptou à maternidade.

Por conta disso e dos cuidados com a saúde de Oliver, Ana pediu uma licença oficial na Adams Company, fazendo apenas as auditorias contratuais mais urgentes e confidenciais em regime de home office.

No dia em que Camilla entrou na cozinha e flagrou Ana Elizabeth, com o sutiã de amamentação aberto, alimentando Oliver no peito, ela quase deixou a bolsa cair no chão. Milla ficou completamente incrédula, esfregando os olhos de boca aberta.

- Ana... pelo amor de Deus... você está... tirando leite de verdade de dentro de você?! - Milla gaguejou, chocada.

- O amor faz milagres, Milla. - Ana brincou, com um sorriso sereno de mãe orgulhosa.

As coisas pareciam finalmente calmas e perfeitas na vida das duas. Oliver estava ganhando peso, saudável, e Ana estava curtindo cada segundo daquela bolha de amor materno.

Mas a calmaria, como sempre na vida de Ana Elizabeth, tinha um prazo de validade curtíssimo.

Duas semanas depois, o tempo fechou. Como Oliver estava dormindo sob os cuidados de uma babá de extrema confiança recomendada pelo próprio Juiz Alencastro, Ana decidiu pegar o carro para buscar Milla na saída do expediente da Adams Company.

Ela queria fazer uma surpresa e tirar a amiga daquela rotina estressante.
Ana estacionou na esquina e caminhava em direção à entrada do prédio quando o seu radar militar tático, herdado dos treinos intensos com o pai, apitou com força total.
Na lateral do prédio, perto da saída de funcionários, Camilla estava sendo bruscamente abordada.

Era o Erik.

Ele tinha encurralado Milla contra a parede de concreto, segurando o pulso dela com força, o rosto perturbador colado ao dela enquanto sussurrava alguma ameaça que fazia a contadora tremer dos pés à cabeça. Milla tentava se soltar, os olhos arregalados de pânico.
Erik estava tão focado em intimidar a sua presa que cometeu o pior erro da sua vida profissional: ele não checou os arredores.

Ana Elizabeth não pensou duas vezes. A fúria que ela sentiu ao ver a mulher que ela adotou da rua e que era sua família sendo ameaçada despertou o monstro adormecido dos tempos de Woods Hole.

Ela avançou em passos rápidos e silenciosos. Sem dar tempo para o canalha esboçar qualquer reação ou notar sua presença, Ana usou o impulso do corpo, girou o quadril com precisão marcial e desfechou um soco inglês direto e violento com a base da mão na mandíbula de Erik, seguido por uma rasteira cirúrgica de jiu-jitsu.

O impacto foi seco. O brutamontes da diretoria apagou antes mesmo de o seu corpo pesado atingir o chão do estacionamento, caindo como um saco de batatas desmaiado na calçada.
Ana limpou as mãos na calça social, ajeitou o rabo de cavalo e olhou para o homem desacordado com puro desdém. Depois, virou-se para a amiga, que parecia prestes a desmaiar junto com o agressor.

- Entra no carro. Agora, Camilla - Ana ordenou, a voz fria e assustadora de quem não aceitaria desculpas.
O trajeto para casa foi um silêncio sepulcral. Assim que cruzaram a porta do apartamento industrial, Ana cruzou os braços, os olhos azuis faiscando de uma raiva primitiva.

- Você vai me contar exatamente que porra está acontecendo naquela empresa e quem é aquele merda, Camilla. Agora.

Percebendo que a mentira tinha colocado a vida de ambas em risco, Camilla desabou. Chorando de soluçar, ela finalmente abriu o jogo: contou sobre a fraude multimilionária na contabilidade da Adams Engenharia, as alterações com o seu nome, as fotos que tirou e as ameaças de morte veladas do Sr. Ludovico e de Erik.

Conforme a história avançava, a expressão de Ana ia mudando de choque para uma fúria incandescente. Suas mãos se fecharam em punhos. O crime de colarinho branco da empresa de Robert Adams tinha acabado de usar a sua melhor amiga de bucha de canhão, e o braço direito do diretor tinha ousado tocá-la.

Eles achavam que estavam lidando com uma contadora indefesa, mas tinham acabado de colocar uma advogada criminalista treinada por forças especiais no meio do circuito. E a mulher de gelo ia derreter aquele império se fosse preciso.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora