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Capítulo 19:Joelhadas Táticas, Armadilhas em Queens e o Peso do Fogo Cruzado

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👤 POV ANA

Robert deu um passo firme para dentro do cômodo, batendo a pasta de relatórios contra a mesa com força suficiente para fazer o meu notebook tremer. Ele interrompeu a minha ligação na maior cara de pau.

- Quem é o homem na linha, senhorita Willians? - ele exigiu, a voz mansa, mas perigosamente rouca, o olhar cinzento cravado no meu celular.

A audácia daquele homem foi a gota d'água para o meu estresse acumulado. Desliguei a chamada com o Charles, levantei da poltrona em um salto e parei bem na frente dele, peito a peito.

- Ficou maluco, Adams?! Desde quando eu te devo satisfações da minha vida? Eu já disse que nossa relação é estritamente profissional! Cuida da sua engenharia que dos meus amigos cuido eu! - gritei, a fúria faiscando nos meus olhos azuis.

- Eu não dou a mínima para o profissional agora, Ana! Você passa o dia me tratando como gelo e bastou um telefonema para ficar rindo boba para outro cara? Eu quero saber quem é! - ele rebateu, os quase um metro e noventa de puro músculo se impondo contra mim.

Começamos a discutir aos gritos, um batendo de frente com o outro no meio da biblioteca. Robert estava cego de ciúmes, e eu estava possessa com a possessividade dele.
No meio do bate-boca, ele perdeu o autocontrole, segurou o meu rosto com as duas mãos e me puxou para um beijo possessivo, urgente e calando a minha boca à força.

Ele achou que eu ia amolecer como no sofá, mas esqueceu com quem estava lidando. No milésimo de segundo em que a boca dele tocou a minha, meu instinto de combate entrou no automático.


Curvei o corpo para trás, usei o impulso do quadril e desferi uma joelhada tática e certeira direto no meio das pernas dele.

O impacto foi seco. Robert quebrou o beijo na hora, soltando um gemido abafado de dor pura. Ele se encolheu, perdeu o equilíbrio e caiu de joelhos no chão da biblioteca, segurando a região atingida com as duas mãos e me encarando com os olhos arregalados de choque e agonia.

- Você... enlouqueceu... - ele resmungou, a voz saindo fina pelo golpe.

- Eu avisei para não cruzar a minha linha, Adams - respondi, limpando a boca com as costas da mão, arfando de raiva.

Antes que ele conseguisse levantar do chão, a porta da biblioteca foi empurrada com força. Meu pai, Ricardo Willians, entrou na sala acompanhado de Daniel e Lucas, trazendo uma urgência que congelou qualquer briga na hora.

Ele olhou para Robert de joelhos no chão e depois para mim, mas o modo general ignorou a cena bizarra.

- Andem logo, os dois - meu pai comandou, a voz de trovão ecoando. - As telas de espionagem lá embaixo acabaram de capturar um sinal ativo e definitivo do Ludovico. O cerco fechou. Ele cometeu um erro nas transações e nós temos a localização exata do galpão de operações dele em Queens. A tropa está saindo de campo agora.

A adrenalina limpou o ambiente. Robert se levantou como pôde, ignorando a dor, o instinto de proteção falando mais alto enquanto calçava as botas táticas. Nós não íamos ficar para trás.

Em menos de trinta minutos, cruzamos a ponte de Manhattan dentro das SUVs pretas e blindadas da agência do meu pai, com Daniel e Lucas checando o armamento no banco de trás.

Quando chegamos ao endereço em Queens, um galpão industrial cinzento e isolado perto das docas, o clima estava tenso. O plano era uma invasão cirúrgica, mas assim que Daniel arrombou a porta lateral, percebemos o pior: nós havíamos chegado tarde.

O lugar tinha sido limpo às pressas, mas o Ludovico tinha deixado uma equipe de contenção pesada para trás para nos receber.

- Armadilha! Chão! - meu pai gritou.


O inferno desabou. Uma troca de tiros violenta e barulhenta estourou no meio do galpão escuro. O som dos disparos de calibre grosso ecoava nas paredes de metal. Eu saquei a minha pistola licenciada, rolando para trás de uma pilha de caixotes de madeira para revidar o fogo junto com o Lucas.

Do outro lado, Robert, mesmo sendo civil, tentava se manter perto de mim para servir de escudo, os olhos cinzentos arregalados de pavor pela minha vida.

No meio do fogo cruzado, tentei mudar de posição para flanquear um dos atiradores. Foi quando senti um impacto violento e uma queimação insuportável rasgar o meu braço esquerdo.

O tiro de raspão rasgou a manga do meu casaco, e o sangue quente começou a jorrar rapidamente, encharcando o tecido. Soltei um gemido de dor, caindo de joelhos atrás do concreto.

- Ana! - o grito de Robert cortou o barulho dos tiros.

O CEO simplesmente perdeu o juízo. Ele correu no meio do tiroteio, jogando-se no chão ao meu lado e me puxando para os braços dele com um desespero que eu nunca tinha visto em ninguém. Suas mãos compridas tremiam enquanto ele pressionava o ferimento, o rosto pálido de puro pavor.

- Não, não, não... Fica comigo, Ana! Pelo amor de Deus, olha para mim! - ele suplicava, a voz embargada, os olhos cinzentos completamente desesperados enquanto tentava estancar o sangue.

- Eu estou bem, Adams... Foi só de raspão, me solta! - tentei protestar, mas a dor estava me deixando tonta.

Daniel e Lucas eliminaram os dois últimos atiradores em segundos, limpando o perímetro. Meu irmão mais velho correu até nós, avaliando o estrigo com o olho clínico de quem já viu centenas de ferimentos de guerra.

- O projétil não ficou alojado, mas o corte foi fundo. Precisamos fechar isso agora antes que infeccione, e não podemos ir a um hospital público com a polícia rastreando o Ludovico - Daniel comandou, puxando a maleta médica tática da mochila.

Voltamos para a SUV sob o comando do meu pai, que já limpava a cena do crime. No banco de trás do carro em movimento, o cenário era puro drama. Robert se recusava a sair do meu lado; ele me mantinha firme contra o peito dele, me abraçando com uma força possessiva enquanto eu tentava não desmaiar.

Daniel preparou a agulha e o fio de sutura ali mesmo. Sem anestesia e sem tempo para delicadezas, meu irmão começou a costurar a pele do meu braço com pontos firmes e precisos.

Eu trinquei os dentes com tanta força que achei que ia quebrá-los, enterrando o meu rosto no pescoço de Robert e cravando minhas unhas nos ombros musculosos dele a cada espetada da agulha. Robert não se moveu; ele apenas segurava a minha mão livre com força, sussurrando palavras desconexas no meu ouvido e sofrendo junto comigo a cada ponto que Daniel dava.

A caçada contra o Ludovico tinha falhado naquele galpão, o desgraçado continuava solto e agora tinha sangue Willians nas mãos.

Olhei de relance para o Robert, que limpava uma gota de suor da minha testa com os dedos trêmulos. A vida em Nova York estava mudando rápido demais, e olhando para o rastro de sangue no meu braço, eu só não sabia dizer se o desfecho dessa história seria a nossa salvação ou o nosso completo fim.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora