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Capítulo 10: Vazamentos Críticos, Malas Prontas e Olhares Ardentes

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- Mas que diabos está acontecendo aqui? - a voz estrondosa e imponente do Sr. Sebastian Adams cortou o ar da sala, fazendo Robert e eu nos afastarmos num salto.

O patriarca da família cruzou os braços, olhando para o filho e para mim como se fôssemos dois adolescentes pegos fazendo travessura. Atrás dele, o irmão mais novo de Robert, Victor, tentou manter a postura séria, mas não aguentou. Ele soltou uma gargalhada alta e limpa, achando o máximo ver o irmão CEO sendo peitado por uma loira furiosa.

Camilla, que até um segundo atrás parecia prestes a desmaiar de pânico com a contabilidade, acabou se contagiando com o deboche de Victor e começou a rir junto, aliviando toda a tensão acumulada da madrugada.

Robert bufou, ajeitando o paletó do terno com uma irritação fingida, enquanto o pai dele exigia explicações imediatas sobre o caos. Robert pegou o dossiê que estava na mesa e revelou toda a verdade, mostrando as provas irrefutáveis da fraude para o pai e para o irmão.

Enquanto eles se concentravam nos números, o mundo ao meu redor começou a girar por um motivo puramente biológico.

A dor no meu peito ficou insuportável e, num reflexo de puro horror, olhei para baixo: duas manchas úmidas e circulares começavam a se espalhar rapidamente pelo tecido da minha camisa social branca de botão. O leite tinha começado a vazar com força total.

Desesperada, dei um cutucão violento em Camilla e apontei discretamente para o meu peito. Milla arregalou os olhos, percebendo a emergência de mãe.


- Com licença, senhores, precisamos ir ao banheiro rapidinho. Assunto de mulher - Camilla anunciou, me puxando pelo braço antes que qualquer um dos homens Adams notasse o desastre.

Corremos para o banheiro privativo da presidência e trancamos a porta. Eu estava prestes a chorar de dor e constrangimento.


- Milla, me ajuda, está vazando e doendo muito! - pedi, tirando o paletó.
Com agilidade, Camilla pegou papel-toalha para me ajudar a secar o estrago e segurou os meus cabelos enquanto eu me inclinava sobre a pia, massageando os seios para aliviar a pressão e extrair o excesso de leite manualmente. Era uma cena absurdamente caótica, mas era o que tínhamos para o momento.

Foi exatamente no meio desse processo que o meu celular começou a berrar dentro da bolsa. Atendi no viva-voz com o coração na boca. Era a babá de Oliver. A voz dela veio em um sussurro histérico, entrecortado por soluços de puro terror:


- Ana... Ana, pelo amor de Deus, me ajuda! Invadiram o apartamento... Eles mataram o porteiro no saguão, eu ouvi os tiros... Eu consegui pegar o Oliver e correr! Estamos escondidos naquele quarto atrás do espelho que você me mostrou! Tem gente andando pelo corredor da casa quebrando tudo!

O meu sangue congelou nas veias. O instinto militar do meu pai subiu como uma descarga elétrica pura.


- Fica aí, não respira! O quarto é blindado, eles não vão entrar! Estou indo agora! - gritei, desligando o aparelho.

Arrombei a porta do banheiro, com a camisa ainda úmida e o paletó na mão. Pisei na sala da presidência parecendo um demônio de saia.


- Invadiram o meu apartamento. Mataram o porteiro. Meu filho está lá dentro - disparei com uma frieza cortante.

Robert e Victor não hesitaram por um único segundo.


- Victor, pega o carro. Agora! - Robert ordenou, os olhos cinzentos faiscando com uma fúria assassina que combinava perfeitamente com a minha. Ele segurou o meu braço com firmeza. - Eu vou com você, Ana.

Camilla desabou no sofá da recepção, cobrindo o rosto com as mãos e chorando copiosamente, em choque ao perceber que o crime da contabilidade tinha levado assassinos para a casa da sua melhor amiga.

Como havíamos voado em alta velocidade com os irmãos Adams, chegamos a tempo. A polícia isolou a área e nós entramos. Felizmente, o pequeno Oliver estava intacto e seguro dentro do quarto do pânico biométrico, chorando no colo da babá. Peguei meu filho nos braços, tremendo de ódio.

Enquanto isso, o Sr. Sebastian permaneceu na empresa e usou sua influência para falar diretamente com as autoridades federais e a Receita. Diante da gravidade extrema do atentado, a sugestão oficial e imediata foi de que nós precisávamos de proteção o tempo todo. Sebastian chegou ao apartamento logo em seguida, acompanhado de uma escolta pesada.


- Vocês não podem ficar aqui. Minha sugestão é que todos vocês venham para a propriedade da nossa família. É uma fortaleza cercada por muros, com seguranças armados vinte e quatro horas por dia.

Eu olhei para ele, meu orgulho Willians gritando de resistência.


- Eu sei me cuidar, Sr. Adams. Meu pai me ensinou a atirar antes de andar, eu posso proteger meu filho sozinha - retruquei, a voz dura como gelo.

Camilla, ainda soluçando e agarrada ao meu braço, implorou:
- Ana... por favor. Eu estou morrendo de medo. Eles sabem quem eu sou! Pelo amor de Deus, aceita. Pelo Oliver.

Olhei para a Milla apavorada, olhei para o meu bebê e capitulei.
- Tudo bem. Nós vamos - cedi entre dentes. - Mas primeiro, precisamos arrumar as malas.

E bota malas nisso. Milla e eu não sabíamos quanto tempo ficaríamos longe, então começamos a empacotar tudo o que podíamos. Juntamos uma quantidade absurda de malas - roupas, sapatos, produtos de skin care e, claro, todas as fraldas, roupinhas e brinquedos do Oliver.

Robert e Victor observavam o volume de bagagem que ocuparia quase todo o porta-malas do carro com uma mistura de divertimento e descrença masculina.

Com a situação mais controlada e sabendo que estaríamos sob a segurança máxima dos Adams, decidi dispensar a babá por um tempo, pagando-lhe um bônus generoso para que ela pudesse viajar e ficar em segurança com sua própria família até que o B.O. com o Ludovico e o Erik fosse resolvido.

Antes de colocarmos os pés para fora, meus seios protestaram novamente, cheios e doloridos. Eu precisava alimentar o meu filho. Sentei-me na poltrona do quarto que havia restado inteira, abri os botões da camisa e acomodei o pequeno Oliver, que abocanhou o bico com avidez, começando a mamar.

Robert estava de pé perto da porta do quarto, teoricamente vigiando o perímetro. Mas quando olhei de soslaio, os olhos dele estavam fixos em mim. Não era um olhar qualquer; eram olhares ardentes, intensos, cheios de um magnetismo pesado que misturava a admiração pela minha postura de mãe com aquela atração predatória que ele vinha alimentando desde que o peitei na presidência. A sala parecia ter ficado dez graus mais quente.

Percebendo que o bonitão estava hipnotizado pela cena, não me fiz de rogada. Mantive o Oliver seguro no meu peito esquerdo e, com a mão direita livre, ergui o braço lentamente e mostrei o dedo do meio bem no centro da cara perfeita dele.

Robert Adams deu um sorriso de canto, lento e perigoso, cruzando os braços sem desviar os olhos de mim por um único segundo. O jogo estava apenas começando, e agora nós estaríamos trancados na mesma fortaleza.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora