A imensa mesa de jantar da mansão Adams foi completamente virada de cabeça para baixo. Em vez de louças e talheres de prata, o espaço agora estava tomado por notebooks de última geração, cabos de fibra óptica, decodificadores de frequência e três monitores que Daniel e Lucas montavam com a agilidade de quem faz isso em campo de batalha.
O atrito com os irmãos Adams começou antes mesmo do primeiro cabo ser conectado.
- Vocês vão passar esses cabos direto pelo rodapé de madeira colonial? Meu pai importou isso da Itália - Victor Adams reclamou, cruzando os braços com uma cara amarrada enquanto observava Lucas esticar fiação tática perto da parede.
Lucas ergueu os olhos, ajeitando o topete loiro com o dorso da mão e soltou um sorriso abusado:
- Olha, engenheiro, se eu não passar o cabo por aqui, a frequência do rádio vai bater no concreto blindado da sua garagem. Nós não vamos ouvir nem o Ludovico pedindo pizza. Quer salvar o patrimônio ou a pele da contadora?
Do outro lado da mesa, o clima conseguia ser ainda mais caótico. Stella Adams estava literalmente sentada no encosto da cadeira onde Daniel Willians tentava digitar códigos de rastreamento no monitor.
Com sua aparência de anjo renascentista e sua mente de brinquedo assassino, ela apoiava o queixo na mão, olhando fixamente para o meu irmão mais velho com um interesse descarado.
- Sabe, Daniel... Eu tenho vinte anos, sou super madura e acho homens traumatizados das forças especiais o meu ponto fraco. Se você precisar de uma assistente para carregar munição ou esconder um corpo, eu sou ótima nisso - Stella disparou, com o sorriso mais angelical do mundo.
Daniel, que mantinha os olhos azuis cravados na tela com a frieza de uma estátua de gelo, sequer virou o rosto para olhar para ela.
- Menina, sai de cima da minha cadeira. Você tem idade para ser minha paciente de trauma, não minha assistente. Vai brincar de boneca - ele respondeu, a voz grossa, sem dar a mínima trela.
Para Daniel, aquela garota era inegavelmente linda. Se ele não estivesse no meio de uma missão de vida ou morte, focado em proteger o perímetro, com certeza poderia rolar algo.
Mas o profissionalismo militar falava mais alto. Ele fingia costume, enquanto ela fazia da vida dele um verdadeiro pesadelo tático, mudando papéis de lugar e puxando os cabos só para ver a veia da testa dele saltar de irritação.
Perto da janela, o radar de ciúmes mudou de lado.
Camilla estava de risinhos bobos com o Lucas, achando o máximo as piadas do meu irmão caçula de dezoito anos. Victor Adams passou por eles bufando de raiva, parou bem na frente da Milla e deu uma cortada seca que cortou o riso dela na hora:
- Camilla, se você terminou de se divertir com o berçário dos Willians, o relatório do balanço trimestral precisa ser revisado no escritório. Agora. Algumas pessoas aqui trabalham com números reais, não com historinhas de acampamento militar.
Milla engoliu o riso e piscou, chocada com o nível do ciúme possessivo do loirão, enquanto Lucas apenas deu uma risada de deboche, adorando ver o engenheiro morder o cotovelo de ciúmes.
No meio daquele hospício, senti uma mão firme e quente envolver o meu pulso. Virei-me e dei de cara com Robert. O coque loiro-escuro estava perfeitamente alinhado e ele exalava aquele perfume amadeirado que já estava começando a virar o meu ponto fraco.
- Senhorita Willians, preciso de você no meu escritório. A sós. Temos uma brecha contratual na auditoria jurídica que só a sua mente criminalista pode resolver - ele falou, a voz mansa, mas os olhos cinzentos entregando segundas intenções.
Assenti, tentando manter a pose profissional, e o segui até o escritório do segundo andar. Assim que entrei, Robert empurrou a porta de madeira e girou a chave na fechadura com um clique seco. Eu me virei, escorando-me na mesa de mármore e cruzando os braços.
- Que brecha contratual, Adams? Eu revisei tudo ontem à noite.
Robert deu dois passos lentos na minha direção, eliminando completamente o espaço entre nós até que o meu peito batesse contra os músculos do abdômen dele. Ele se inclinou, o rosto a milímetros do meu, e me prendeu contra a mesa com as duas mãos espalmadas na madeira.
- A única brecha que eu quero discutir... é o avancinho que o nosso relacionamento deu na noite em que eu dormi no seu quarto - ele sussurrou, a voz rouca, os olhos focando direto nos meus lábios carnudos.
- Você passou o dia fingindo que nada aconteceu, mas eu passei o dia inteiro sentindo o seu cheiro na minha pele.
Eu não sei o que diabos estava acontecendo comigo.
Todo o meu controle de gelo, o meu orgulho e as minhas defesas simplesmente evaporaram diante daquela proximidade.
Em vez de empurrá-lo, avancei. Cedi ao impulso e o agarrei pelo pescoço, puxando a cabeça dele para baixo e iniciando um beijão desesperado e avassalador.
Robert soltou um rosnado baixo, totalmente pego de surpresa pela minha entrega, e reagiu na mesma intensidade. Suas mãos grandes grudaram na minha cintura, ele me ergueu da mesa com uma facilidade absurda e me pegou no colo, minhas pernas se entrelaçando ao redor do quadril dele enquanto nossas bocas continuavam coladas em um ritmo urgente.
Ele caminhou até o sofá de couro do escritório sem romper o beijo, sentou-se e me manteve ali, encaixada no seu colo.
O clima incendiou de vez.
Tomada por uma audácia nova, comecei a me esfregar deliberadamente contra o quadril dele, sentindo através dos tecidos finos que o pau do Robert já estava completamente duro, volumoso e pulsando de desejo por mim.
Não sei exatamente como ou em que momento, mas a minha blusa social branca já estava escancarada, com os botões abertos.
Robert desceu os lábios carnudos pela minha mandíbula e mordeu o meu pescoço com força, chupando a minha pele e deixando uma marca bem nítida ali, enquanto eu arfava, completamente entregue.
Estávamos quase perdendo o resto das roupas ali mesmo quando o som nítido de duas palmas lentas e irônicas quebrou a nossa bolha de eletricidade pura.
- Mas que cena mais clichê de novela das nove - a voz dramática e entediada de Noah Adams cortou o clima como uma lâmina de gelo.
Robert e eu nos separamos num salto, arfando. Noah estava encostado no batente da porta interna do closet, com uma xícara de chá na mão e olhando para nós com o maior deboche de estilista do mundo.
- Robert, querido, se você queria usar o escritório para outras funções contratuais, deveria ter trancado a porta dos fundos também. E Ana, a sua estrutura óssea continua divina, mas o seu batom está borrado até a bochecha e sua blusa está aberta. O dever chama, o clã dos brutamontes achou um sinal do Ludovico. Tratem de limpar a boca e descer antes que o general Willians suba para caçar vocês.
Noah deu as costas e saiu desfilando. Quando ficamos a sós, comecei a fechar a blusa e logo soltei um riso baixo, meio histérico.
Eu olhei no espelho da parede e vi que estava uma verdadeira bagunça: cabelo solto do rabo de cavalo, lábios inchados, blusa aberta e um chupão roxo gritando no pescoço.
Robert não estava muito melhor; o coque loiro-escuro dele estava completamente desfeito e a camisa amassada.
Ele me olhou, soltou uma risada rouca e charmosa, e deu um passo na minha direção.
Robert segurou meu queixo com delicadeza, me deu um selinho carinhoso e rápido, e começou a me ajudar a abotoar os botões da blusa com os dedos compridos, tentando esconder a marca que ele mesmo tinha deixado ali.
- Seu pai vai notar - ele sussurrou, sorrindo de canto.
- Se ele notar, a Adams Engenharia vai precisar de um novo CEO antes do almoço - brinquei de volta, ajeitando o colarinho por cima do roxo.
Limpamos o batom, prendi o cabelo em um coque rápido e descemos as escadas lado a lado, tentando adotar a nossa melhor postura profissional para enfrentar o tribunal que nos esperava no andar de baixo.
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ROBERT ADAMS
ActionDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
