Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Capítulo 30:Rachaduras na China, Lágrimas na Mansão e a Dor do Luto

2 1 0
                                        

👤 POV LUDOVICO


O relógio de ouro no meu pulso parecia correr duas vezes mais rápido. O prazo de quarenta e oito horas do ultimato que mandei para o Robert Adams estava prestes a vencer, e a falta de uma confirmação de depósito bancário estava me deixando super nervoso, à beira de um ataque de fúria.

Passei as mãos pelo rosto, andando de um lado para o outro na cobertura em Pequim. A verdade oculta que ninguém sabia era que o nosso dinheiro estava acabando rapidamente; os custos para manter capangas internacionais e o suborno das autoridades asiáticas tinham evaporado com as nossas reservas.

Vick estava sentada no sofá de couro, bebendo um copo de uísque com uma indiferença que fez o meu sangue ferver.


- O tempo acabou, Vick. Você vai arrumar as suas malas e vai pegar o próximo voo de volta para os Estados Unidos agora mesmo - ordenei, a voz grossa e trêmula de puro estresse. - Você vai dar um jeito de encurralar o Robert pessoalmente ou usar os seus contatos para arrancar aqueles cem milhões de dólares deles.

Vick ergueu os olhos perfeitamente maquiados para mim, cruzando as pernas com desdém e soltando uma risada sarcástica.


- Eu não vou voltar para Nova York, Ludovico. A agência tática daquela advogada júnior está monitorando os aeroportos, além que a Interpol esta atras de mim. Se eu pisar lá, eu sou presa ou morta. Esquece, eu me recuso a ir.

A negação dela foi a gota d'água para a minha falta de controle. Avancei feito um animal, segurei o casaco de grife dela e desferi um tapa violento diretamente no rosto de Vick.

O impacto estalou no silêncio da sala, e ela foi jogada contra o estofado, segurando a bochecha vermelha. Encolhida e chorando desesperada pelo susto e pela dor, ela me encarou com puro pavor.


- Tudo bem! Tudo bem, eu vou! - Vick soluçou, com a voz embargada e trêmula. - Eu pego o voo na madrugada e faço o que você quer, mas para de me bater!

Olhei para ela sem um pingo de remorso. O cerco estava apertando para nós na China, e a serpente precisava voltar para o ninho se quisesse ver a cor daquele dinheiro.

👤 POV ANA

Naquela mesma noite, a atmosfera no escritório da mansão Adams era pura eletricidade tática. Meu pai, o general Ricardo Willians, reuniu Robert, o Sr. Sebastian, o Victor e eu ao redor do mapa digital. O relógio do ultimato tinha zerado, e o Robert estava com o dedo trêmulo em cima do teclado do notebook, pronto para autorizar a transferência de cem milhões para salvar as nossas vidas.

- Tira a mão do teclado, Robert - meu pai comandou, a voz de general saindo firme, gélida e sem abrir espaço para contestações. - Ninguém nesta sala vai dar um único centavo para o Ludovico. Eu conheço o perfil psicológico desse tipo de criminoso corporativo. Se você pagar, ele ganha fôlego para se esconder por mais dez anos. Se nós ignorarmos o prazo, ele vai ficar completamente descuidado pelo desespero do dinheiro que está acabando, vai perder o controle da estratégia e vai ser obrigado a voltar ou a cometer um erro crasso. Quero o protocolo de alerta máximo ativado. Fiquem todos atentos a qualquer movimentação no perímetro.

A frieza tática do meu pai provou-se cirúrgica poucas horas depois. Por volta das dez da noite, o bipe de um dos monitores de espionagem do subsolo apitou. Meu pai analisou os códigos de reconhecimento facial das câmeras de segurança privada do aeroporto JFK e se virou para nós com um olhar letal.


- Os nossos agentes infiltrados na imigração acabaram de confirmar. A Vick acabou de desembarcar de um voo clandestino vindo da Ásia. A serpente voltou ao país.

👤 POV DANIEL

Eu estava sentado na cadeira ao lado da cama médica da Stella, segurando a mão fina e fria dela, como vinha fazendo em todas as madrugadas desde o ataque. O quarto estava silencioso, iluminado apenas pelos bipes constantes e lentos do monitor cardíaco. Eu estava exausto, mas a minha mente não me dava trégua de tanta culpa.

De repente, os bipes do aparelho começaram a acelerar de forma frenética. A mão da Stella tremeu na minha e, num movimento brusco, os olhos claros dela se abriram.

Stella acordou do coma em um sobressalto, os olhos arregalados de puro pânico, a respiração cortada e o peito subindo e descendo de forma desesperada enquanto ela olhava para os lados sem reconhecer o próprio quarto.

- Stella! Stella, olha para mim! Você está em casa, está segura! - falei rapidamente, quebrando o meu protocolo de soldado e subindo na cama com cuidado, envolvendo o corpo delicado dela nos meus braços de um metro e noventa para contê-la. - Respira, meu anjo. Eu estou aqui, eu não vou te soltar. Alguém chama um médico! - gritei em direção ao corredor.

Aos poucos, o calor do meu peito pareceu trazê-la de volta à realidade. O pânico nos olhos dela diminuiu, dando espaço para uma confusão profunda e dolorosa.

Ela olhou para o próprio corpo, depois fixou os olhos azuis nos meus, e a mão dela subiu instintivamente para tocar a própria barriga, que agora estava vazia.


- Daniel... cadê... cadê o meu bebê? - ela perguntou, a voz saindo num sussurro fraco, rouco e trêmulo.

O meu estômago deu um nó tão violento que achei que ia vomitar. Olhei para a carinha de anjo dela, sentindo as minhas próprias lágrimas queimarem os meus olhos. Com toda a delicadeza, o amor e o cuidado do mundo que o meu pai nunca me ensinou, mas que o meu coração encontrou por ela, segurei o rosto da Stella com as duas mãos pesadas.


- Meu amor... me perdoa. Eu falhei com você, falhei com o nosso perímetro... - minha voz falhou, engasgada pelo choro. - Os médicos tentaram tudo na cirurgia, Stella... mas os ferimentos foram violentos demais. O nosso bebê... nós perdemos ele, meu anjo. Ele se foi.

O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo antes de ser pulverizado pelo som mais devastador que eu já ouvi na vida.

Stella soltou um grito de dor, um choro de puro sofrimento, angústia e rasgo na alma que ecoou com tanta força pelas paredes da mansão que fez o teto parecer tremer. Era o som de uma mãe chorando o luto do próprio filho.

Lá embaixo, na sala, toda a família a Ana, o Robert, Victor e a Camilla e o Sr.e Sra Adams - ouviu o eco daquele choro e caiu em uma profunda e gélida tristeza, sofrendo juntos pela dor que estava destruindo nós dois no andar de cima.

Apertei Stella contra o meu peito com força, deixando que ela molhasse a minha camisa com suas lágrimas desesperadas, chorando junto com ela sem me importar com mais nenhuma armadura de forças especiais.


- Eu estou aqui, Stella... eu te amo tanto, me perdoa, eu amo você - sussurrei contra os cabelos claros dela, a voz embargada de luto. - Nós vamos passar por isso juntos, eu juro pela minha vida que tudo vai ficar bem. Eu nunca mais vou sair do seu lado.

Stella continuou agarrada à minha camisa, os soluços sacudindo o seu corpo frágil enquanto ela olhava para o vazio do quarto.


- O meu coração dói tanto, Daniel... dói tanto por ter perdido o meu filho... - ela soltou em um fio de voz, o sofrimento dela rasgando o restinho de gelo que existia em mim.

O Ludovico e a Vick tinham tirado o meu bebê do mundo, e a cada lágrima que caía do rosto da Stella, a minha promessa de sangue ficava mais perto de ser cumprida.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora