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Capítulo 2: A Versão Iludida de Mim Mesma (Com Participação Especial de um Model

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Dois anos se passaram num piscar de olhos. Era o meu aniversário de 15 anos. Eu não queria uma festa pomposa, mas dona Laura insistiu tanto, apelando para toda a chantagem emocional do mundo, que acabei cedendo.

A verdade é que eu já não era mais aquela garotinha desengonçada de antes. Meus treinos diários e intensos com o papai haviam se intensificado de um jeito quase militar, e o meu corpo mudou drasticamente. Quando parei na frente do espelho do closet, precisei processar a imagem refletida.

Eu tinha 1,60m de altura, uma barriga definida e esculpida pelo jiu-jitsu, e seios médios perfeitamente proporcionais. Meu rosto havia afinado, destacando um nariz fino e delicado, além de lábios carnudos que ganhavam cor mesmo sem batom.


Meus longos cabelos loiros, brilhantes e bem cuidados, batiam na altura da cintura, emoldurando meus olhos azuis cor de oceano. 

Eu estava genuinamente feliz com o que via.
Eu me sentia uma verdadeira mocinha de livro de romance, daquelas que esperam o príncipe na janela. Eu era uma romântica incurável e ingênua, daquelas que acreditam em felizes para sempre com trilha sonora de violinos.


Meus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta.
Antes que eu pudesse responder, minha mãe entrou segurando um vestido deslumbrante. Era um modelo rose gold, com uma renda delicada trabalhando todo o busto, feito sob medida para o meu corpo slim e torneado. Não contive as lágrimas diante de tanta perfeição.

— Tudo bem, meu amor? Por que está chorando, princesa? — ela perguntou, preocupada, já que eu raramente demonstrava fragilidade.

— Calma, mãe, está tudo bem — funguei, limpando o rímel imaginário. — É só que... esse vestido é simplesmente perfeito. Parece que saiu dos meus sonhos mais cafonas.

Ela sorriu, e um brilho cúmplice surgiu em seus olhos. Minha mãe sempre soube da minha paixão platônica — e nada secreta — por Brenno.

— Lindo mesmo é o Brenno, filha. Ele está tão arrumado que parece um príncipe de verdade. Está lá embaixo, esperando por você com os olhos brilhando.

Senti minhas bochechas queimarem instantaneamente. Esse é o grande problema de ter a pele muito clara: qualquer pingo de vergonha ou batimento cardíaco acelerado me transforma em um pimentão maduro.

— Ah, mãe, poupe-me! — sussurrei, tentando conter o embaraço e o frio na barriga.
— O Brenno pode até ser lindo, mas ele nunca vai me olhar como mulher. Para ele, sou apenas uma irmã mais nova irritante. Ele mesmo já me disse isso. Sem contar que ele é um tremendo galinha na escola.

Minha mãe arqueou uma sobrancelha, com aquela sabedoria de quem sabe o final do filme, mas seu rosto logo se suavizou em uma expressão acolhedora.

— Filha, ele gosta de você. Só você, com toda essa sua inocência, não enxerga isso.

Tentei mudar de assunto antes que meu rosto entrasse em combustão espontânea. Foi quando ela disparou, como quem não quer nada:

— A Tiffany já chegou à festa?

Semicerrei os olhos, o romantismo dando espaço ao ranço. Ela sabia muito bem que eu detestava a Tiffany. Minha prima era magra, loira de olhos azuis e extremamente invejosa; passava a vida querendo tudo o que era meu, desde brinquedos até a atenção dos meus irmãos.
O pacote do pesadelo ficava completo com a mãe dela, minha tia Margaret Preston, outra mulher insuportável que claramente roía as unhas de inveja da nossa família.

Mas eu não ia deixar que aquele par de cobras estragasse o meu dia de princesa.
Vesti o vestido, fiz uma maquiagem leve para realçar os lábios e os olhos, e prendi o cabelo em um meio-preso delicado.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora