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Capítulo 21:Calibres Pesados, Lâminas Afiadas e uma Maluca no Banheiro

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👤 POV ANA

O orgulho de um homem alfa ferido é uma força perigosa. Robert passou a manhã inteira com o maxilar travado, digerindo cada palavra humilhante que o meu pai tinha jogado na cara dele no subsolo. Ele não ia engolir o rótulo de "homem fraco" tão fácil.

Mais tarde naquele mesmo dia, aproveitando que as nossas mães estavam distraídas mimando o pequeno Oliver na sala de estar, desci até o box de treinos para pegar uma faixa limpa para o meu braço. Quando empurrei a porta de ferro, paralisei. Robert estava lá dentro, sozinho. Ele vestia apenas uma calça de moletom cinza e estava de frente para o painel tático, tentando destravar o ferrolho de uma pistola de calibre pesado com uma pegada visivelmente tensa e errada.

- Larga isso antes que você arranque o seu próprio dedo, Adams - ordenei, a voz firme e cortante de advogada criminalista ecoando pelo concreto. Caminhei a passos rápidos até ele e segurei o cano da arma, forçando-o a abaixá-la. - Você enlouqueceu? Quer responder ao desafio do meu pai se matando por acidente?

Robert puxou a arma de volta, os olhos cinzentos faiscando de pura frustração e teimosia.
- O seu pai está certo, Ana. Eu fui um estorvo naquele galpão em Queens. Eu não vou ficar assistindo de braços cruzados enquanto o Ludovico e a Vick tentam matar vocês duas. Eu preciso aprender a me defender.

Olhei para ele, sentindo o meu peito subir e descer. A teimosia dele me irritava, mas a determinação em nos proteger mexeu comigo.
- Sim, você deve aprender a se defender, Adams. Mas não desse jeito amador. Você precisa deixar a minha família fazer o que sabe fazer de melhor, e precisa me escutar.

Tirei a pistola das mãos dele com facilidade, travei o ferrolho e adotei a postura tática que meu pai me ensinou. Fiquei de lado, alinhei a mira com o alvo de papel no fundo do box e descarreguei três tiros rápidos e certeiros, fazendo o som dos disparos estalar no ambiente. Mostrei a ele a pegada correta, o controle do recuo e a respiração. Robert tentou imitar. Ele até que era razoável com a pistola, conseguindo agrupar os tiros no centro do alvo, mas dava para ver que o metal pesado não era a praia dele.

O jogo mudou completamente quando Lucas entrou no box para guardar um material e jogou duas facas táticas de arremesso em cima da bancada de madeira, saindo logo em seguida. Robert olhou para o aço reluzente, pegou uma das lâminas pelo cabo com uma empunhadura perfeitamente natural e testou o peso.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele girou o corpo com uma rapidez impressionante e arremessou a faca. O aço rasgou o ar e cravou com violência exatamente no centro da testa do boneco de treino de madeira. Ele pegou a segunda e, com a mesma precisão cirúrgica de um engenheiro que domina a física e a simetria, cravou-a logo ao lado da primeira. O homem era um monstro com lâminas.

Soltei um sorriso de canto involuntário, genuinamente impressionada, olhando para o corpo musculoso dele que agora estava levemente suado pelo esforço do treino. Robert me encarou de volta, percebendo o meu olhar, e um magnetismo pesado voltou a incendiar o espaço entre nós. Mas o meu radar de orgulho apitou na hora. Lembrei do "termo profissional" que ele tinha me imposto e fechei o rosto instantaneamente, recuperando a minha postura gélida.


- Razoável com pólvora, excelente com aço, Adams. Mas continue praticando - falei friamente, pegando a minha faixa e saindo do box antes que a mulher de gelo derretesse de vez diante daquele peitoral suado.

👤 POV STELLA

Minha mãe e a dona Laura achavam que mandavam na estratégia da casa, mas o meu protocolo de abordagem era muito mais eficiente. Eu passei o dia inteiro infernizando o Daniel, sabotando os fios de espionagem dele, roubando suas canetas táticas e levando patadas daquela estátua de gelo de um metro e noventa.

Eu era o próprio capeta em forma de garota. Mas quanto mais ele bancava o soldado durão, frio e profissional, mais eu ficava obcecada e safada, louca para ver o estrago que aquele homem faria completamente fora do uniforme e sob o meu comando.

Eu esperei pacientemente no corredor do segundo andar. No segundo em que vi o Daniel caminhando em direção ao banheiro social para lavar as mãos, eu me movi feito um raio. Ele mal teve tempo de girar a maçaneta. Eu empurrei o corpo dele para dentro do banheiro com tudo, entrei logo em seguida e bati a porta atrás de mim, girando a tranca com um clique alto e definitivo.


Daniel congelou sob o azulejo claro, os olhos azuis faiscando de irritação e surpresa enquanto tentava manter a postura ereta de ex-militar.


- Stella, que porra é essa? Sai da minha frente - ele comandou, a voz grossa, baixa e intimidadora, bem perto do meu rosto.


Eu não dei a mínima para o tom de general dele. Dei um sorriso absurdamente provocador, encostando meu corpo no dele e subindo as mãos lentamente pelo peito blindado daquela torre de músculos.


- Vai fazer o que, soldado? Me dar uma advertência? - sussurrei, com os olhos fixos nos lábios dele, a safadeza transbordando em cada palavra. - Você passou o dia fingindo que eu não existo, mas nós dois sabemos que você está louco para me prender aqui dentro.


Antes que ele pudesse processar o tamanho da minha audácia, joguei minhas mãos no pescoço dele e o agarrei com força, puxando a cabeça dele para baixo enquanto colava o meu quadril no dele com intimidade total. Daniel tinha o dobro do meu tamanho e força suficiente para me arremessar do outro lado do cômodo em um milésimo de segundo. Ele podia perfeitamente ter me impedido. Mas a verdade é que eu o tinha tentado e provocado tanto nas últimas vinte e quatro horas que a barreira de soldado dele simplesmente colapsou.


Daniel soltou um rosnado primitivo, o controle virando poeira, e cedeu completamente à maluca aqui. Suas mãos pesadas e cheias de cicatrizes agarraram a minha cintura com uma força gostosa, me suspendendo com facilidade e me sentando contra a bancada de mármore frio da pia. No segundo seguinte, a boca dele devorava a minha em um beijo urgente, quente e desesperado, que me tirou o chão.


O beijo dele era dominante, mas conforme minhas mãos se enterraram nos cabelos da nuca dele, um suspiro sôfrego escapou dos meus lábios. E foi aí que o meu lado encapetado deu espaço a algo muito mais profundo. No fundo, por trás de toda aquela provocação e fachada de garota destemida, meu coração disparou de um jeito doce e genuíno. Eu me aconcheguei no peito dele no meio do beijo, buscando o calor daquele homem que, apesar de parecer um monstro de combate, me segurava com um cuidado instintivo, como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo. Eu era viciada no perigo que ele representava, mas era o acolhimento silencioso dele que realmente desarmava a minha alma.


O anjo renascentista tinha acabado de domar o lobo das forças especiais dentro de um banheiro trancado, e o pesadelo tático dele tinha virado o melhor, mais doce e mais quente erro da vida dele.Ficou no ponto certo esse equilíbrio entre a safadeza enérgica dela e o vislumbre do lado doce? Se quiser, podemos continuar a cena com o desenrolar do momento no banheiro ou passar para o Daniel tentando recuperar a postura quando eles tiverem que sair! Como quer prosseguir?

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora