Robert Adams me encarou por mais alguns segundos congelantes antes de se dar por vencido. Ele esticou o braço longo e apertou um botão na lateral da mesa.
- Sarah, cancele a minha reunião com os suíços. E não me interrompa por nada nas próximas duas horas - ordenou pelo interfone. Em seguida, olhou para nós. - Fechem a porta e sentem-se.
Vamos olhar essa papelada.
Camilla soltou um suspiro audível de alívio e puxou a cadeira, me dando um cutucão discreto na costela.
- Ana, pelo amor de Deus, abaixa as armas e tenha calma - Milla sussurrou entre os dentes, enquanto nos acomodávamos.
Robert puxou o calhamaço de planilhas para o seu lado da mesa e começou a analisar folha por folha, cruzando os dados com o sistema interno do seu MacBook. Mas o homem simplesmente não conseguia focar 100% no trabalho sem tentar me provocar. A cada três minutos, ele jogava charme para cima de mim: soltava um comentário de duplo sentido sobre a minha "persistência agressiva", dava um sorriso de canto que faria qualquer mulher normal desmaiar ou sustentava o olhar cinzento em mim por tempo demais.
Eu ignorei com todas as minhas forças, mantendo a minha melhor cara de paisagem jurídica. Mas, caramba... mentira eu estaria dizendo se falasse que não reparei em nada. Enquanto ele fingia ler um relatório de transações, meus olhos passearam pela barba loiro-escura dele, milimetricamente aparada, e pelo cabelo comprido, da mesma cor, que estava perfeitamente preso em um coque masculino no topo da cabeça. O terno sob medida não conseguia esconder o fato de que o homem era absurdamente musculoso; os ombros eram largos e o tecido da camisa social parecia implorar por misericórdia nos braços dele. Ele era um pecado em forma de engenheiro, mas eu tinha orgulho demais para dar o braço a torcer.
Me escorei na cadeira e peguei um copo de água da bandeja para tentar me distrair. Foi quando o meu próprio corpo resolveu me trair de forma monumental. Uma fisgada familiar e dolorosa atingiu o meu peito. Olhei discretamente para o relógio de pulso e engoli em seco. Droga.
O tempo tinha passado rápido demais. Minha licença-maternidade em home office existia justamente porque eu precisava tirar leite a cada poucas horas para o Oliver, e eu achei que essa reunião no Olimpo seria um jogo rápido de trinta minutos. Meus seios começaram a pesar e a inflar dentro do terninho de batalha. Se eu não saísse dali logo, ou se não arrumasse um canto com uma bomba de extração, eu ia passar pelo maior vexame da minha vida.
Do outro lado da mesa, Robert bateu as duas mãos na madeira, a expressão finalmente séria, o que desfez qualquer resquício de charme brincalhão. Ele tinha terminado de analisar o dossiê da Milla.
- Que inferno... Vocês estão certas - ele rosnou, os olhos cinzentos faiscando de uma raiva contida. Ele puxou o telefone fixo da mesa imediatamente e discou um número interno com força.
- Quero o meu irmão Victor e o meu pai Sebastian, com urgência máxima na minha sala agora. Larguem o que estiverem fazendo e subam. É um problema de segurança nacional interno.
Ele bateu o telefone no gancho, respirou fundo e passou a mão pelo coque loiro, tentando processar o tamanho do desfalque que a velha guarda do pai estava dando na firma. Mas então, os olhos dele voltaram a focar em mim.
Ele notou o meu desconforto físico, o jeito como eu estava encolhida e segurando o copo de água como se a minha vida dependesse daquilo.
Robert inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos na mesa de mármore e cravando os olhos nos meus, sem a menor cerimônia.
- Você está aérea, senhorita Willians. E parece estar com pressa. Por acaso você tem um bebê em casa? É casada? - ele perguntou, com uma curiosidade genuína que me irritou profundamente profunda. Quem ele achava que era para dar palpite na minha vida privada?
A pergunta sobre casamento e o meu incômodo físico foram a gota d'água para a minha paciência inexistente. Bati o copo de água na mesa com violência.
- E desde quando a minha vida pessoal, o meu estado civil ou o meu útero são da sua conta, Sr. Adams?! - gritei, levantando da cadeira de uma vez, a fúria voltando com força total.
- Eu vim aqui salvar a sua empresa de ir para a cadeia por causa de uma fraude multimilionária, não para responder a um questionário de aplicativo de namoro! Foca no CNPJ e esquece o meu CPF!
Robert levantou na mesma hora, os quase um metro e noventa de puro músculo se impondo contra mim, os olhos dele brilhando com o início de mais uma discussão barulhenta que ele claramente estava adorando alimentar.
- Eu sou o CEO desta empresa, senhorita! Se uma advogada júnior do meu jurídico está agindo de forma suspeita e desconfortável na minha frente, eu tenho todo o direito de questionar as suas motivações!
- Motivações o caralho! Você é só um egocêntrico que não aceita ouvir um "não" ou ser peitado por uma mulher que não cai no seu joguinho de terno caro!
- Do que você me chamou?! - ele deu um passo ao redor da mesa, o rosto colado ao meu, os dois respirando fundo de pura raiva mútua.
Milla cobriu o rosto com as duas mãos, fingindo que não nos conhecia. E foi exatamente nesse milésimo de segundo de caos, gritos e hormônios à flor da pele que a imensa porta dupla da presidência foi aberta sem bater.
O irmão dele, Victor, e o pai, o imponente Sr. Sebastian Adams, pisaram no tapete do escritório, parando estáticos diante da cena: o novo CEO da empresa e uma advogada júnior loira quase saindo no tapa no meio da sala.
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ROBERT ADAMS
AçãoDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
