👤 POV ANA
Diante daquela cara de confusão total de Robert, cruzei as pernas na poltrona e adotei meu tom mais didático e profissional para explicar o inexplicável.
- Chama-se galactorreia por estímulo emocional, Adams. O corpo humano não é uma máquina exata. Quando encontrei o Oliver e o aninhei no meu peito no meio daquele pânico, meu cérebro sofreu um choque de amor e proteção tão violento que liberou uma descarga maciça de prolactina. Meu organismo simplesmente entendeu que aquela criança precisava de mim para sobreviver e se adaptou. Eu produzo o leite dele puramente por conexão afetiva. É raro, mas a medicina explica.
Robert ouviu tudo imóvel, completamente fascinado pela explicação e olhando para mim como se eu fosse a oitava maravilha do mundo moderno.
Mas a admiração dele logo deu espaço para a audácia clássica dos Adams. Ele soltou um suspiro longo, levantou-se da poltrona, caminhou até a minha cama king-size e, sem a menor cerimônia, jogou o corpo de um metro e noventa nos lençóis de luxo, deitando-se confortavelmente.
Eu quase pulei da poltrona de tanta indignação.
- Mas que porra você pensa que está fazendo, Adams?! - sibilei, a voz travada em um sussurro furioso.
Eu queria gritar, mas precisei engolir o tom para não acordar o pequeno Oliver, que dormia tranquilamente no berço ao lado.
- Sai da minha cama agora antes que eu teste meus conhecimentos de jiu-jitsu na sua carótida!
- Estou exausto, senhorita Willians. E como o perímetro está perigoso, vou fazer a guarda bem de perto. Relaxa, eu não mordo... a menos que você peça - ele provocou em um sussurro rouco, batendo no espaço vazio ao lado dele com um sorriso de canto irritantemente lindo.
Fiquei pisando firme no tapete por dois minutos, praguejando mentalmente contra todos os engenheiros do planeta. Mas o cansaço da madrugada anterior e a adrenalina do atentado finalmente cobraram o preço.
Minhas pálpebras pesaram. Com os dentes trincados, deitei na outra ponta da cama, jurando que se ele se mexesse eu o jogaria no chão.
No entanto, conforme os minutos passavam no escuro daquele quarto silencioso, o calor do corpo dele pareceu diminuir a distância entre nós. Sem que nenhum de nós percebesse, fomos cedendo à gravidade e ao cansaço, pegando no sono profundo.
O problema foi o amanhecer.
Acordei com os primeiros raios de sol entrando pela cortina e demorei alguns segundos para processar onde estava.
O quarto estava quente, aconchegante demais... e apertado. Foi aí que percebi: Robert e eu estávamos dormindo colados em uma conchinha perfeita e anatômica.
As costas do meu corpo estava totalmente pressionadas contra o peito musculoso dele, e o braço pesado dele estava jogado por cima da minha cintura.
Mas o alerta vermelho tocou de verdade quando senti algo rígido, volumoso e muito nítido cutucando a minha bunda através do tecido fino do meu pijama.
O "problema matinal" de Robert Adams estava ali, firme, forte e reivindicando território.
Prendi a respiração, o coração disparando de um jeito que não tinha nada a ver com medo. Devagar, com toda a frieza tática que meu pai me ensinou, segurei o pulso dele e afastei o braço dele da minha cintura.
No milésimo de segundo em que rolei para o lado para encará-lo com fúria, Robert agiu rápido. Ele se inclinou, roubou um selinho estalado e delicioso dos meus lábios carnudos e saltou da cama com uma agilidade absurda, saindo correndo do quarto antes que eu pudesse quebrar um abajur na cabeça dele.
- Vá para o inferno, Adams! - xinguei o vento, com a boca formigando e o coração batendo na garganta.
Tentei me acalmar, tomei um banho gelado e revigorante e me vesti. Antes de descer, tirei o pequeno Oliver do berço e o amamentei com calma, curtindo aquele momento nosso que sempre renovava as minhas energias.
Com o menininho devidamente alimentado e limpo, peguei-o no colo e desci as escadas para enfrentar o clã Adams.
Chegando lá embaixo, dona Catarina praticamente brotou na minha frente. Com toda a sua animação italiana, ela pegou o neném do meu colo com um carinho imenso, enchendo o loirinho de mimos, e virou-se direto para o marido na mesa de café:
- Sebastian, guarda que perfezione! Nós deveríamos ter mais bebês nesta casa, olhe que coisa mais linda! - ela exclamou, fazendo o Sr. Sebastian dar uma risada contida e Robert, que estava tomando café na ponta, quase engasgar com a torrada enquanto me mandava um olhar cúmplice e carregado de segundas intenções.
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👤 POV CAMILLA
Depois de passar a noite operando no "setor de infraestrutura" do Victor " e que setor, senhoras e senhores!" , eu sentia que podia enfrentar qualquer perigo com um sorriso no rosto. Aquele loirão tinha me deixado flutuando.
Na mesa do café da manhã, tentei manter a linha de contadora séria. Victor já estava sentado lá, vestindo uma camisa polo que destacava os braços fortes.
No segundo em que nossos olhos se cruzaram, ele me mandou um olhar cúmplice, cheio de safadeza, e eu não consegui evitar morder o lábio inferior, trocando olhares que diziam absolutamente tudo sobre as últimas horas.
- Dormiu bem, Milla? - Ana perguntou, sentando-se ao meu lado e me avaliando com aqueles olhos azuis cirúrgicos de advogada.
- Como um anjo, amiga. A cama dessa casa tem uma sustentação... maravilhosa - brinquei, chutando de leve o pé de Victor por debaixo da mesa.
Victor engasgou com o suco de laranja na mesma hora, tossindo um pouco, enquanto Noah, o irmão estilista, soltou uma risada nasalada de puro deboche.
- Imagino, querida. O setor de hotelaria dessa mansão é de primeira categoria - Noah alfinetou, olhando de Victor para mim.
Robert, ignorando a piada do irmão, manteve os olhos fixos na Ana.
- O quarto da Ana também é ótimo. Tem uma segurança excelente de madrugada - ele disparou na maior cara de pau, lembrando do nosso despertar de conchinha.
Ana quase deixou a xícara cair e cravou um olhar mortal nele, as bochechas ficando vermelhas. Aquela mesa era uma comédia romântica prestes a explodir.
Mas o clima leve evaporou por volta das dez da manhã. Duas viaturas da polícia civil e oficiais federais cruzaram os portões da fortaleza dos Adams.
Eles tinham vindo trazer atualizações sobre o caso e recolher o restante das provas que Milla e eu havíamos organizado. E a notícia que o delegado jogou na mesa de centro da sala de estar fez o meu estômago girar de puro pavor.
- O caso mudou de figura, Sr. Adams - o delegado falou, olhando seriamente para Robert e o Sr. Sebastian. - Erik foi encontrado morto em seu próprio apartamento hoje de madrugada. Queima de arquivo clara. E as investigações preliminares sobre o Sr. Ludovico mostram que o buraco é muito mais embaixo. Ele é infinitamente pior e mais perigoso do que a contabilidade indicava. Não estamos lidando apenas com desvio de dinheiro corporativo; o homem tem conexões pesadas com o crime organizado de colarinho azul e lavagem de dinheiro em grande escala.
Olhei para a Ana, sentindo o suor frio escorrer pelas minhas costas. O perigo não era apenas uma ameaça de demissão ou processo legal. Ludovico estava eliminando as próprias pistas, e nós duas éramos as próximas da lista.
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ROBERT ADAMS
ActionDuas amigas/irmãs que se metem em um enorme confusão, no meio de tudo isso encontram o amor verdadeiro.
