Josh deixou o carro no estacionamento e adentramos o parque, fiquei surpresa com a beleza e imensidão daquele lugar. Levamos quase 15 minutos para atravessar os campos e encontrar a área de piqueniques e, não consegui esconder minha animação em estar ali.
No geral, Atlanta era uma cidade bonita, mas o que eu mais adorava era como a vegetação transformava praticamente todo lugar em um lar acolhedor. Nasci na Costa Rica e, por mais que não tenha ficado lá tempo o bastante para lembrar de muita coisa, entre minhas saudosas memórias de infância, estavam as paisagens lindas, o povo caloroso e um sol que tocava nossas peles como se não tivesse ressentimento da humanidade.
Só encontrei uma sensação parecida com aquela quando morei em Santo Domingo e em Atlanta. E não fiz um bom trabalho em disfarçar porque Josh disse que nunca tinha visto um sorriso tão grande no meu rosto.
Quando encontramos o pessoal, fiquei aliviada de perceber que estávamos em bem menos gente do que eu imaginava - contei cinco casais, além de mim e Josh. Todos pareciam felizes e cheios de assunto, conversavam, riam, comiam e dançavam quando começava alguma música mais famosa na playlist que tocava.
Assisti a interação deles, me sentindo um pouco alheia pela falta de intimidade, mas era divertido.
Josh me fez companhia e me contextualizou sobre os assuntos o máximo que pôde, mas logo foi envolvido em uma série de desafios idiotas que os garotos resolveram iniciar, como quem conseguia ficar de ponta cabeça por mais tempo, quem vencia uma corrida de costas e mais algumas palhaçadas neandertais.
Foi nesse momento que as meninas se juntaram em uma roda e começaram a cochichar sobre Deus sabe o que. Xinguei Laís mentalmente por não estar ali ainda e ter me deixado sozinha naquela selva social, mas uma boa alma pareceu perceber meu sofrimento e se aproximou para me prospectar.
- Você se chama Maya, né? - uma garota ruiva se aproximou e se sentou ao meu lado no banco.
- Isso. Você é Amber… - ela assentiu e sorriu para mim - Temos aula de espanhol juntas, não temos?
A expressão dela se iluminou.
- Na verdade, eu queria falar com você desde aquele poema que a professora te fez recitar. As palavras soaram tão lindas quando você as disse.
Senti meu rosto ficar vermelho, era a primeira vez que alguém elogiava meu espanhol. Por mais que meus pais fossem latinos, não tínhamos costume de falar em espanhol em casa desde que passamos a viver com a Carmen. E, morando nos EUA já há alguns anos, as aulas eram basicamente os únicos momentos em que eu praticava o meu idioma nativo, o que era uma grande infelicidade para mim.
- Obrigada…
- Eu que agradeço! Eu adoro literatura e fiquei tão obcecada com o poema que você leu que traduzi metade dele na semana passada.
- Se quiser, posso te ajudar a traduzir o restante.
Ganhei Amber naquele momento. Continuamos conversando sobre livros e séries e depois ela sugeriu uma partida de poker com as demais meninas. Formamos um círculo e iniciamos o jogo, só então consegui me enturmar um pouco com elas, mas eu era péssima naquilo.
Para a minha sorte, nenhuma delas estava levando aquele jogo a sério de mais, então minha incompetente com as cartas não pareceu ofender ninguém. Ninguém falou comigo diretamente, mas elas tentavam manter o assunto tão acessível quanto o possível para que eu soubesse do que elas estavam falando.
Aos poucos a roda foi dissipando quando duas delas resolveram apostar no jogo. Eu não me arrisquei àquilo, senão sairia daquele parque devendo até minhas meia.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Dona da Bola [Revisado]
RomanceMaya está de volta à sua cidade natal. O calor ainda é o mesmo e sua amiga de infância continua doida como sempre, mas muita novidade cerca a menina de uma vez. A começar por uma nova pessoa que invade a sua vida com um show de inconveniência, mas...
![Dona da Bola [Revisado]](https://img.wattpad.com/cover/77410815-64-k949555.jpg)