Eu não fazia ideia de que a minha mente poderia ficar em branco. Sempre tive tanta coisa passando pela minha cabeça, que nunca imaginei que simplesmente desligaria e não pensaria em nada.
Foi assim que me senti no caminho de volta para casa depois de a noite da grande final do torneio ter acabado comigo sendo resgatada de um porta-malas. Aquilo deveria soar patético, mas minha mente estava vazia, em silêncio.
Obviamente eu estava em choque, nem havia conseguido ajudar muito na sondagem inicial da polícia. Eles me interrogaram sobre o que havia acontecido, depois Laís e então meu pai e Max, mas Carmen insistiu que me deixassem em paz.
Não consigo me lembrar do que houve depois que saí do carro de meu pai, mas no dia seguinte estive cedo na delegacia. Dei o meu depoimento, torcendo para que minha família não estivesse ouvindo, mas talvez eu tivesse que falar com eles mais cedo ou mais tarde sobre ter entrado em contato com minha mãe. Principalmente porque aquele tinha sido o motivo de tudo ter acontecido na noite anterior.
Depois de ler o email dela, tive uma crise de choro e precisei tomar um ar. Saí do meu vestiário, tentando apenas manter a minha respiração regular, apesar de eu soluçar feito uma criança. Eu não queria encontrar com ninguém no caminho, nem ser consolada. Só precisava de um pouco de ar para acalmar meu choro e eu iria para a quadra, fazer o meu melhor jogo da temporada.
Caminhei até o estacionamento e fiquei andando para lá e para cá na porta que ligava o corredor com a saída. O celular em minha mão parecia ter o meu peso, ele abrigava no mínimo a minha rejeição.
Eu nunca deveria ter enviado aquele email e criado expectativas. Naquele momento, odiei minha mãe como a mim mesma.
Como ela podia dizer, sem nenhum rodeio, que não queria saber de mim e meu irmão? O quão grande era a arrogância dela de achar que existia no mundo um motivo razoável para abandonar sua família sem deixar uma resposta sequer para trás. Aquilo era ridículo.
A ira cresceu dentro de mim naquele momento e secou minhas lágrimas. Me deu a determinação que eu precisava, o combustível para aquele jogo que seria o meu último no time masculino. Me virei para entrar no prédio da escola novamente...
Mas fui interditada.
Senti apenas uma pancada forte que causou uma dor aguda no meu maxilar e então acordei sentindo meu corpo todo doer. Tateei no escuro e percebi que o lugar onde eu estava era pequeno demais e o desespero atingiu seu pico em um segundo.
Esperneei naquele breu por alguns segundos até perceber que eu deveria estar em um porta malas. Meu maxilar pulsava com a dor da pancada, mas eu continuei dando socos contra o teto. O ruído seco não era tão alto nem para mim mesma, ninguém iria ouvir aquilo.
Chorei minha impotência, gritei minha frustração e comecei a tremer sem parar quando me dei conta de que aqueles poderiam ser meus últimos momentos de vida. Eu não sabia ontem estava, nem o que aconteceria comigo, tudo o que eu tinha era a vaga noção de quem poderia ter feito aquilo.
Depois da minha primeira onda de desespero, cheguei muito rapidamente à conclusão de que o oxigênio ali não duraria muito tempo. Claro que comecei a hiperventilar - o que era a pior coisa que poderia acontecer naquele momento. Me senti idiota imediatamente, mas isso não ajudava a me acalmar nem de longe.
Confrontei minha solidão naquele momento. Percebi que, se aquele fosse mesmo o fim da linha para mim, não me restava nada fora daquele cubículo além de uma série de arrependimentos.
Eu tinha assuntos inacabados com todas as pessoas da minha vida. Se eu morresse naquele dia, meu pai jamais saberia que eu não o culpava pelo sumiço da minha mãe; meu irmão não saberia que eu o admirava profundamente por sua irreverência e determinação; meus amigos do não saberiam que eles eram as primeiras amizades que eu já quis levar para o resto da vida.
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Dona da Bola [Revisado]
RomanceMaya está de volta à sua cidade natal. O calor ainda é o mesmo e sua amiga de infância continua doida como sempre, mas muita novidade cerca a menina de uma vez. A começar por uma nova pessoa que invade a sua vida com um show de inconveniência, mas...
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