Capítulo 14

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Josh estacionou o carro na entrada da minha casa, nem esperei por ele, gritei um agradecimento de longe e corri para dentro. Eu estava pronta para matar Maximus que ele não tivesse um bom motivo para me assustar daquela forma.

Adentrei a sala ouvindo uma voz familiar e só acreditei que era quem eu pensava quando eu estava em seu braços.

Meu querido amigo de infância, Dylan.

Eu não o via há tanto tempo que quase chorei quando ele me abraçou forte. A gente se falava o tempo todo por mensagem, mas não era a mesma coisa. Dylan era como um irmão para mim, havia sido um anjo na minha vida quando nos mudamos para o Canadá.

Foi a mudança mais turbulenta que já fizemos porque Max tinha odiado sair do país, então ele e meu pai brigavam o tempo todo pelas coisas mais idiotas. A única pessoa preocupada comigo naquela época era Dylan e sua família, então vê-lo ali, me deixava tão feliz.

E ele já não era o mesmo de quando tínhamos dez anos. Havia tirado o aparelho, os olhos castanho ainda brilhavam como se fossem uma constelação e seus cachinhos loiros tinham um corte moderno, ele estava lindo de morrer.

Eu estava prestes a dizer isso a ele, quando a campainha tocou. A euforia era tanta que só me lembrei que eu havia deixado Josh para trás quando vi ele à porta.

- Meu Deus, me perdoa. Entra - ele riu aliviada e entrou quando dei passagem.

- Está todo mundo bem aqui?

Ele me seguiu até a sala e eu percebi seu sorriso se desmanchar quando viu Dylan sentado no sofá.

O loiro se levantou para cumprimenta-lo e eu os apresentei.

- Está sim. Dylan, este é o Josh... Josh, este é...

- Dylan... bom te conhecer - Josh disse e apertou a mão do outro, parecendo desconfortável.

Ele lançou um olhar para mim, depois para Dylan.

- Eu não vim para ficar, só queria ter certeza de que estava tudo bem. Você pareceu bem preocupada, então eu também fiquei...

- Tem certeza? - ele assentiu - Te acompanho até a porta...

- Não precisa. Até mais marrentinha - ele disse e beijou minha bochecha antes de sair.

Encarei a porta por alguns segundos, de repente me senti desapontada, mas Dylan não me deu nem um segundo.

- Cara, que clima. Então esse é o tal Josh...?

- Ah, nem começa. Você é que tem que responder as minhas perguntas. O que faz aqui?

- Férias da faculdade mais viagem a trabalho. Eu queria fazer uma surpresa, por isso não avisei.

Abracei ele de novo.

- Senti tanto a sua falta - Max apareceu, finalmente, e eu avancei sobre ele.

Discutimos um pouco - em espanhol, para não espantar a visita -, eu pelo alarde e ele por eu ter demorado para atender o telefone. Depois nos juntamos para entrevistar Dylan sobre sua vida.

Ele nos contou sobre suas aventuras na faculdade, sobre as festas, as dificuldades e planos. Aquilo me deixou pensativa, aquela realidade estava cada vez mais próxima de mim, ano que vem seria o último antes da faculdade e eu ainda não sabia o que queria fazer e nem tinha um trabalho. Honestamente, meu pai e Carmen ganhavam bem o bastante para sustentar nossa família com conforto, mas minhas economias dos trabalhos de verão em breve não seriam o bastante para bancar todos os passeios que eu andava fazendo com meus novos amigos.

Dylan disse que iria me ajudar com a busca por algum estágio e que tentaria me indicar para algo na empresa em que trabalhava, aquilo seria ótimo.

Continuamos conversando, rimos e quase choramos de nostalgia relembrando algumas coisas que vivemos juntos, como na vez em que quase ficamos presos no armário da quadra de educação física porque queríamos ver como era e a porta emperrou. Foi quando eu descobri que eu garoto podia gritar mais fino que eu, Dylan não gostou muito de ser lembrado disso.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora