Capítulo 27

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Acordei no dia seguinte, me arrumei e ganhei uma carona, como prometida. Eu ainda estava radiante pelo dia anterior, ficar com Joshua me fazia tão bem.

Ele me cumprimentou com um grande sorriso e um selinho e eu estampei nos lábios um sorriso bobo.

Josh dirigiu até a escola e fomos conversando enquanto avançávamos os metros. Chegamos à escola e seguimos nossos rumos opostos, já que tínhamos grades diferentes.

Me dirigi até a salada História e, para o meu grande descontentamento, só havia um lugar vago: a mesa atrás da de Judy, a idiota.

Cogitei a ideia de dar as costas e fingir que havia errado a sala, mas eu não podia me dar por vencida, ainda mais por Judy. Tomei meu lugar atrás da garota e ela me encarou com um sorriso, mas seus olhos refletiam o fogo do inferno.

Soltei um sorriso nitidamente falso e ela se virou para frente quando o professor adentrou a sala.

Tentei assistir a aula e prestar atenção, mas não conseguia parar de pensar em como seria ótima a sensação de cortar aquelas mechas loiras que caíam em cima da minha mesa.

Eu odiava como me importava com aquela garota.

Judy não valia a pena, então por que eu não conseguia simplesmente ignorar a sua existência e seguir com a minha?

Parecia que ela fazia de propósito e eu tive a validação da minha hipótese durante o intervalo.

Eu estava na fila do almoço, quando a vi se esgueirar entre as pessoas atrás de mim e ficar ao meu lado.

- Olha, Maya, eu tenho que admitir: você fica linda com este par de chifres - ela disse com um sorriso cínico nos lábios pintados de rosa.

- Me deixe em paz, Judy - pedi e virei para frente, a deixando falar sozinha.

- Tá, legal - ela deu de ombros - Eu até estava disposta a te contar o tipo de cara sem vergonha que o Josh é...

- O que quer dizer com isso? - eu perguntei e ela abriu um sorriso triunfante.

- Nós transamos ontem - ela disparou - Não vou dizer que sinto muito, Josh te faz de otária. Ele até que resistiu por bastante tempo, mas, você deveria saber que ele é um cara de ação, Maya... E ele não vive só de basquete e mãos dadas no pôr do sol.

- Por que... Está dizendo isso? - ela me encarou com pena, como se eu fosse um cachorrinho na chuva.

- Porque você roubou ele de mim, só queria que soubesse que já o peguei de volta.

Cerrei o punho.

Aquilo era apenas uma tentativa de Judy de me machucar.

Sai da fila e comecei a me aproximar da mesa onde os meninos do Time estavam. Ela cravou as unhas no meu braço e me puxou para perto.

- Qual é o seu problema?! - soltei o meu braço com força e algumas pessoas começaram a prestar atenção na gente, inclusive Josh e os meninos do Time - Se quer confusão, posso arranjar uma para você, mas vai precisar seu uma tala para o seu nariz.

- Tá vendo só, eu não entendo! O que esse cara vê em você, Maya? - ela berrou - Uma jogadora de basquete bruta e desleixada, cheia de vergões. Haha, francamente! Você é uma piada.

- Eu sou uma piada? - coloquei a bandeja que segurava na mesa mais próxima - Eu consigo pensar algo bem mais engraçado, por exemplo, a forma como você vive correndo atrás de alguém que não dá bola para você.

E ela me acertou um tapa.

Antes que eu pudesse revidar e enterrar meu punho em seu nariz, alguém me puxou para longe e eu me debati como uma doida para me soltar.

Josh.

Ele me colocou no chão e me encarou com o mesmo olhar de decepção que o treinador Marvin usaria quando soubesse que eu havia me metido em confusão.

- Me deixa, Josh - eu rosnei.

- Você nunca vai ser o bastante para ele, Maya - Judy berrou - Não importa o quanto você tente gostar das mesmas coisas que ele, o quanto você tente parecer impecável para, o quanto você diga e demonstra que gosta - vi os olhos dela se encherem de lágrimas, mas ela não falava diretamente para mim, olhava para Josh - Ele vai conhecer uma garota ainda mais sem graça que você a vai enxergar Deus sabe o que nela. E quando você perceber, ele não vai mais responder as suas mensagens, vai fugir de você na escola e vai aparecer de mãos dadas com uma horrorosa qualquer.

Ela deu as costas e saiu correndo.

Me senti mal por ela e me senti ainda pior quando Josh pegou a minha mão. De repente me senti imunda e quis sumir. Por mais que eu tivesse lutado contra a minha hesitação por todo aquele tempo, por mais que eu tivesse entregado meu coração nas mãos dele há menos de um dia, não estava mais certa de que aquilo era o que eu queria.

Talvez Josh não fosse quem eu pensava. Mas eu também já nem sabia o que eu pensava dele.

Meus pés marcharam para longe dali, enquanto eu fugia de cada olhar que pousava sobre mim durante a minha trajetória para fora daquela escola. Eu só queria estar o mais longe possível daquele lugar.

Josh havia brincado comigo durante todo aquele tempo. Me dizendo que eu era o seu tipo, que gostava de mim e "não do meu corpo", que achava bonitinho quando eu ficava corada.

Eu sentia ânsia de vomito ao pensar que ele tivesse me tratado tão bem ontem para me compensar pela sua falta de caráter.

Ele realmente havia me feito de imbecil, do jeitinho que Sarah havia dito, eu deveria tê-la ouvido.

Eu havia sido a garota imbecil que Andrew dissera e não podia negar.

Meu ego já havia me feito chorar antes, mas meu coração se partindo em uma porção de pedacinhos me fez sangrar.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora