Capítulo 39

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Josh me fazia bem.

Eu não tinha recaídas desde que ele me pedira em namoro e a última havia sido no dia em que havíamos oficializado nossa relação. Desde então ele cuidava de mim, me distraía dos pensamentos que me machucavam e estava sempre lá para mim.

Era tão bom não ter de esconder o que eu sentia, poder beijá-lo a qualquer momento sem ter de inventar uma desculpa para tal ato e poder ficar com ele sem achar que estou forçando a barra, pelo simples fato de eu saber que ele gostava de mim tanto quanto eu dele.

Josh estava na minha casa em um sábado de manhã. Estávamos sozinhos e eu achei muito estranho Carmen não ter tentado me dar algum conselho sexual ou se intrometido em algo da forma como sempre fazia e eu admiro que adorava.

Estávamos fazendo uma maratona de Maze Runner, mas era tão excitante a ideia de que ele estava ali e não havia ninguém para nós impedir de fazer qualquer coisa.

Eu pausei o filme, sentei no colo de Josh e o beijei com desejo, mas eu gargalhava por dentro - me sentia uma criança arteira.

Josh estava no meu ritmo, mas me tocava da forma como sabia que eu gostava e eu amava que ele me conhecesse tão bem. Ele deixou uma trilha de chupões em meu pescoço, mais como uma brecha caso eu quisesse recuar, mas eu não queria, naquela hora.

Continuamos nossas carícias e beijos desenfreados.

Mas a minha mente começou a pensar no estava por vir. Sexo parecia assustador e, eu confiava em Josh, mas... De um segundo para o outro passei a me sentir desconfortável com tudo aquilo.

Me relacionar sexualmente com ele envolveria responsabilidades - assim como com qualquer um - e eu não tinha mais certeza de que queria aquilo.

Já havíamos tentado antes e eu tive um mini surto porque tudo me lembrava o acampamento, mas daquela vez foi mais medo.

Eu nunca havia me sentido tão estúpida antes, mas eu estava apavorada com tudo o que estava acontecendo. Eu amava ser tocada por Josh, mas estávamos desbloqueando uma fase nova em nosso relacionamento e essa fase não me deixava relaxada e nem tão segura.

Então me desvencilhei.

Encarei os olhos de Josh e os assisti ficarem confusos, mas ele respirou fundo e tocou meu rosto, como se pudesse ler meus pensamentos.

- Está tudo bem - um sorriso sem emoção tomou seu rosto. Ele não parecia chateado e nem nada do tipo, mas ele queria transar e eu havia dado para trás de novo.

- Me desculpa, Josh... - senti meu rosto corar e sentei sobre os calcanhares, ficando sobre a minha cama, mas de frente para o garoto.

Meus olhos já estavam marejados e eu me sentia uma pé no saco.

- May... - ele me chamou quando eu desviei o olhar - Não fica assim. Está tudo bem, olha para mim - engoli em seco - A gente vai seguir o seu ritmo, não tenha pressa. Eu espero por você, tá legal? Até você estar a vontade e se sentir pronta, eu espero...

- Eu me sinto uma imbecil em níveis catastróficos por te fazer esperar...

- Eu seria um imbecil em níveis catastróficos se não esperasse - ele abriu um sorriso cúmplice - Você vale a espera, Maya.

Eu sorri e uma lágrima solitária escorreu de meu olho.

- Droga, eu te amo - o abracei forte. Ele beijou o topo da minha cabeça e ecoou. - Sabe, Josh... Acho que devíamos conversar sobre uma coisa séria agora...

Ele assentiu.

- Na minha penúltima sessão com o psicólogo ele me disse para conversar com você sobre o acampamento. Eu disse que não estava me sentindo segura em relação ao sexo e ele me pediu para tentar conversar com você, a conversa fortalece a intimidade - ele ponderou e concordou.

- Começar pelo início, é mais fácil - ele disse entrelaçando nossos dedos, quando percebeu que eu estava completamente perdida.

- Desde do dia em que conheci Andrew ele demonstrou que queria mais do que uma amizade comigo e eu não deixei claro que não iria rolar, desde o começo.

- Por que, não?

- Porque eu aceitei ir ao jogo com ele... Ele me beijou - contei - Eu brinquei com ele e sustentei um flerte originalmente unilateral, só para te provar que não gostava de você. Mas fui burra e demorei até abrir o jogo para ele. Depois de um bom tempo eu disse que nunca teríamos mais e ele me pediu em namoro... - senti um bolo se formar em minha garganta - Ela já sabia a resposta: não. Mas... eu fui burra e não percebi - sequei uma lágrima - Ele já tinha demonstrado que não sabia ouvir um não e, mesmo assim eu...

Funguei o nariz e voltei a falar com a voz embargada.

- No acampamento, eu acordei no meio da noite e não conseguia dormir. Eu bebi água, voltei para a minha barraca e fiquei mexendo no celular até ver uma sombra e sair da barraca. Era o Andrew, ele se assustou quando me viu, mas continuou a andar na direção da cachoeira. Eu tentei chamar ele, mas como estava todo mundo dormindo eu não podia berrar, daí eu segui ele até estarmos a uns dez metros do acampamento e então eu parei ele. Nós estávamos sozinhos e não tinha para o dele fugir, então a minha ideia era aproveitar aquela oportunidade para tentar acertar as contas entre nós. Eu odeio ficar brigada com as pessoas e, embora ele quem tivesse me xingado, ele estava muito bravo comigo.

- Idiota...

- Foi aí. A gente continuou a entrar na floresta e avançar na direção da cachoeira e ele apenas fingia que estava escutando o que eu estava falando, até que ele parou de andar. Me segurou pelo braço e me mandou calar a boca. Daí ele começou a tentar forçar um clima e eu comecei a ficar com tanto medo - eu já estava chorando - E aí tudo aconteceu rápido demais, mas pareceu uma eternidade. Ele... arrancou o meu short do pijama e ficou me mandando fazer silêncio o tempo todo ou me machucaria mais ainda e eu estava em choque. Eu não conseguia gritar por ajuda, a minha voz estava fraca e eu... Só queria que tudo acabasse logo porque eu sabia que não adiantaria tentar me livrar dele porque ele iria atrás de mim...

Josh me puxou para perto e eu o abracei e desabei, seus olhos estavam marejados e seu maxilar trincado. Ele me apertou entre seus braços e eu podia ouvir seu coração bater acelerado.

- Eu não posso acreditar que ele fez isso, Josh! As vezes eu consigo sentir as partes do meu corpo onde ele tocou formigarem, eu sinto nojo...

Deti as próximas lágrimas que insistiam em sair, me desvencilhei de Josh e ele tocou me rosto com carinho.

- Ele me largou lá... - solucei - Eu resei para morrer, Josh. Eu te juro que pedi a Deus para morrer...

- Maya, você...

- Eu penso mais nisso, não se preocupe - jurei - Eu não vou te dizer que superei, mas eu não quero mais morrer. Eu senti medo de dizer isso para alguém, mas... não quero esconder isso de ti. Você me ajudou voltar a amar a mim mesma e eu sou grata.

- Eu estou aqui para o que você precisar. Para qualquer coisa, Wilson... - consegui esboçar um sorriso - Eu te admiro demais, eu me inspiro em você para tanta coisa. Se algum eu tiver metade da força que você tem eu serei de ferro... Você é foda, você faz acontecer você é a dona da bola, a dona do jogo e nunca deixa ninguém te tirar isso - outra lágrima escorreu por minha bochecha - Eu amo a sua determinação, eu amo o seu jeito de lidar com as coisas e eu amo ver você tentar se levantar depois de cada tombo. Eu já disse isso antes, mas é verdade.. Você é incrível.

E eu acreditava em suas palavras.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora