Capítulo 2

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As aulas do dia se encerraram e eu disparei na direção da saída do colégio, estava louca para ir para casa e ter meia hora de reclusão. Os primeiros dias de aula costumavam me deixar drenada com a quantidade de coisas que eu precisava assimilar, mas o meu trajeto para casa sofreu com um pequeno contratempo: meu celular havia descarregado e eu só me lembrava do caminho até certo ponto.

Caminhei desaplaudida pela rua principal, me lembrando vagamente de uma curva que Max havia feito naquela manhã, achei que se seguisse meus - pobres - instintos, eu conseguiria chegar a algum lugar, mas depois de um tempo me senti andando em círculos, todas as ruas eram iguais!

Além do caminho confuso, o sol também estava me deixando desnorteada e fazendo meu corpo pesar. Bem na hora em que eu já estava começando a me sentir vencida, um carro se aproximou de mim.

- Maya Sandoval! - a voz era familiar. Me virei e vi Josh, com um sorriso que me tirou do sério - Você está perdida?

- Só estou fazendo um caminho alternativo - ele continuou me seguindo pelo acostamento - Aliás, como sabe o meu nome?

- Você deixou uma baita impressão, eu não sosseguei até descobrir o nome da garota que acabou comigo sem nenhuma piedade - quando eu permaneci em silêncio, ele propôs: - Claro que você não está perdida e tal, mas eu posso te dar uma carona se souber dizer o nome da rua. Sei que acabou de se mudar, não vou te julgar se não souber.

- Você sabe bastante coisa, né? - rebati, enxugando o suor da minha testa - Agora quer até o meu endereço?

- Entra logo, você vai ter uma enrolação - ele destravou as portas. Fiquei imóvel por alguns segundos.

Senti tanta raiva de mim mesma, mas entrei no carro e, droga, estava tão fresco ali dentro.

- Por que tá fazendo isso? - perguntei.

- Eu sou só um veterano muito solícito. Gosto que as calouras se sintam bem vindas - a minha cara provavelmente denunciava que eu não estava achando aquilo engraçado, porque ele limpou a garganta e abriu o GPS.

- Não decorei o nome da rua ainda - senti meu rosto queimar e me preparei para ouvi-lo zombar de mim.

- Você conhece algum ponto de referência? - não parecia que ele estava segurando uma risada.

- Sei que tem uma pracinha em frente a uma farmácia na mesma quadra da minha rua - Josh pensou por um segundo e então deu a partida.

- Que sorte a minha, eu também moro naquela quadra - ele comentou e eu me arrependi de ter acordado naquela manhã.

O rapaz tentou puxar conversa comigo o caminho todo e eu fui o mais discreta e genérica possível com as minhas respostas. Se ele morava tão perto da minha casa nova, por mim, essa seria a única informação que teria de mim além do meu nome.

Mas o destino não estava nem aí para as minhas preferências. Quando chegamos na quadra da minha casa, eu disse para ele que faria o restante do caminho a pé, mas ele estacionou o carro em uma vaga a três metros da minha casa.

Desci do carro o mais rápido que pude e ele me acompanhou, o encarei confusa e irritada.

- Você está de brincadeira? Como sabe onde eu moro? - ele deu de ombros, fechando a porta do carro.

- Eu não sei do que você está falando. Essa é a minha casa - ele apontou para a casa ao lado da minha.

De repente o rosto dele se iluminou e eu não gostei daquilo.

- Espera, você é a vizinha gata que se mudou no sábado? - ele passou a mão pelos cabelos, segurando a risada.

Depois do gelo que eu havia dado nele durante todo o caminho, ele provavelmente estava satisfeito em ver minha pose se desmanchar em derrota.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora