O som da torcida no ginásio principal estava tão alto que eu mal podia ouvir meus propósitos pensamentos, por isso, devo ter dependido exclusivamente da minha memória muscular para ir até o vestiário de Maya.
Não nos falávamos muito desde que ela havia me dado um fora merecido, nossa relação estava bem distante em comparação ao que era há poucos meses atrás, mas ela me confidenciava algumas coisas as vezes. Como o fato de ter conseguido o email da mãe e estar receosa sobre contatá-la, ou sobre como a rivalidade dos times estava a deixando assustada. Este último tópico, admito, me tirou o sono algumas vezes.
Sempre houve animosidade entre os times principais dos torneios regionais, na verdade, algumas provocações eram até tradicionais. Porém, há pouco tempo, um jogador se excedeu em quadra e cometeu uma falta muito grave contra Maya, que a deixou afastada por quase uma semana para recuperar da lesão na perna consequente.
Claro que o otário sofreu as devidas consequências e foi expulso do próprio time, mas esse acontecimento iniciou uma onda de perseguição virtual contra Maya, que estava sendo atacada pelas torcidas rivais e recebia até ameaças. Ela estava muito assustada, apesar de querer parecer durona.
E, para ajudar, quando ela foi conversar com o técnico sobre querer fundar um time feminino, foi totalmente desistimulada.
Foi a última coisa que eu soube, então me vi batendo à porta de seu vestiário para apenas checar como ela se sentia naquela noite. Era a final do torneio, para potencializar todo o stress dela.
Repassei mentalmente as palavras de incentivo que diria, enquanto esperava a porta ser aberta, mas isso não aconteceu. Bati mais uma vez e, com a falta de resposta, adentrei o cômodo, não encontrando nada ali.
Achei estranho, mas imaginei que ela estivesse se preparando para o jogo. Talvez tivessem ido pegar água, ou encontrar suas amigas, ou a caminho da quadra, talvez também estivesse procurando por mim...
As possibilidades me cansaram rapidamente, então apenas saí dali e voltei para o vestiário masculino, ali era o ponto de encontra para subirmos para a quadra, de qualquer forma.
Os rapazes do time estavam animados por motivos diferentes. Para alguns deles, aquele seria o último campeonato que jogariam já que iriam se formar em menos de um mês, e para outros, era a primeira final de suas vidas.
Me peguei pensando em Maya novamente, ela teria adorado conversar sobre aquilo e diria algo lindo aos nossos veteranos, eu tinha certeza. Mas ela não apareceu no horário combinado e fiquei preocupado.
Fui atrás do treinador, talvez ela tivesse dito algo a ele se tivesse um contratempo.
- Como é que vou saber? - ele respondeu com um tom que detestei - Essa garota anda impossível ultimamente. Na semana passada ela me procurou querendo fundar um time feminino de basquete. No meio de uma temporada! Maya ficou muito irritada, não me surpreenderia se ela faltasse no jogo de hoje.
- Ela esteve em todos os treinos, mesmo depois da conversa de vocês. Não faria o menor sentido faltar hoje. Tem certeza que ela não te mandou nenhuma mensagem? Nada?
Ele revirou os olhos, remexendo o bolso da calça esportiva e tirou o celular dali. Checou a tela rapidamente e negou com a cabeça, me mostrando.
Então senti a preocupação revirar meu estômago, aquilo não era normal e nem combinava com Maya. O jogo começaria em cinco minutos, ela sempre chegava com uma antecedência assustadora e avisava até quando se atrasaria para os treinos de final de semana.
- Escuta, Josh. É melhor você não dar um perdido em mim hoje. Se Maya não quer aparecer, o problema é dela, mas preciso de você na quadra com os rapazes agora mesmo.
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Dona da Bola [Revisado]
RomanceMaya está de volta à sua cidade natal. O calor ainda é o mesmo e sua amiga de infância continua doida como sempre, mas muita novidade cerca a menina de uma vez. A começar por uma nova pessoa que invade a sua vida com um show de inconveniência, mas...
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