Capítulo 30

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Depois que saí do banheiro naquele dia, não falei mais com Josh, mas ele não saiu da minha cabeça por um único momento. Ele respeitou o meu espaço e não falava comigo além do básico nos treinos ou quando nos encontrávamos, eventualmente.

Aquela distância era necessária porque algumas coisas foram desenterradas de mim pelas palavras de Judy. Eu estava magoada com Josh por não ter sido franco desde o começo e me dito que o que tinha com Judy era sério. Por mais que ela não fosse a pessoa mais legal que eu conhecia, eu jamais teria me aproximado de Josh se soubesse que eles namoravam quando nos conhecemos.

Mas, mais do que isso, percebi que eu tinha uma ferida aberta que eu vinha negligenciando durante toda a minha vida: minha mãe.

Desde pequena, sempre tentei me convencer de que a ausência dela não significava nada demais para mim, mas a falta que eu sentia dela esteve sempre comigo, me corroendo e fazendo de mim alguém insegura, que tinha, sim, medo de ser abandonada outra vez.

Por muitas noites, perdi o sono pensando nas palavras de Judy sobre "nunca ser o bastante". Eu já me sentia daquela forma antes mesmo de aprender a escrever meu nome e, ainda sim, me deixei cometer a estupidez de me apaixonar por alguém volátil como Josh. 

Talvez meus esforços não fossem o suficiente para fazê-lo ficar, talvez meu coração não significasse nada demais para ele. Afinal, eu não era o bastante nem para ter o amor incondicional de minha própria mãe.

Decidi abrir mão daquilo tudo enquanto eu podia. Por isso, decidi esquecer Josh e dediquei toda a minha atenção às aulas e treinos. Fiz meu melhor bimestre e tive um desempenho aclamado nos jogos. De certa forma, aquilo era satisfatório.

Mas agora que eu sabia que o vazio estava ali, nada parecia o bastante para diminuí-lo.

No dia em que meu pai e Carmen voltaram da lua de mel, Max também voltou. A rotina que eu havia criado para mim mesma sofreria algumas alterações, como quanto tempo eu teria de  monopólio sobre o banheiro do andar dos quartos e a televisão. Mas era bom tê-los de volta.

Sairíamos para jantar juntos na noite em que eles retornaram.

Achei que seria uma noite como outra qualquer em que passaríamos um tempo juntos e depois voltaríamos para casa, nos trancaríamos em nossos quartos e ficaria por isso mesmo. Mas meu pai disse que iríamos apenas ele, Max e eu e, devo admitir, que achei aquilo estranho. Na última vez em que fizemos algo parecido com aquilo, foi quando ele disse que iria se casar com Carmen e voltaríamos para Atlanta.

Não me arrumei demais e fiz bem, ele nos levou para um restaurante familiar que eu conhecia de vista, das vezes em que passei de carro. Era aconchegante e a comida era uma delícia. Comemos bem, num silêncio que só era quebrado quando meu irmão fazia alguma graça, eu comentava que o que a gente havia pedido parecia melhor que o prato dele.

Meu pai estava quieto de uma forma que me incomodava, apesar dele parecer feliz e descansado - como alguém que havia viajado por quase dois meses deveria parecer. Ele claramente queria alguma coisa com aquele jantar, mas não parecia que abriria o jogo tão cedo. Para minha surpresa, Max estava pensando o mesmo que eu, pois, entre uma garfada e outra na sua torta de amora, ele perguntou:

- Então, o que você quer com a gente? - seu tom foi tão indiscreto quanto a frase.

Claro que, àquela altura, o jeito de Max não comovia meu pai. Ele sabia que a rebeldia de meu irmão era apenas charme.

- Queria passar um tempo com vocês, Maximus - retrucou - Você pode não acreditar, mas senti falta até mesmo desse tom.

- Fala sério! - eu intervi - Pai, não precisa desse prelúdio todo. Se tem algo a dizer para nós, é só falar. 

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora