Capítulo 11

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Quando saímos para o estacionamento, a nostalgia me atingiu como um soco no estômago. Eu soube que aquela tarde com minha família e amigos seria uma das memórias que estariam no filme da minha vida quando eu morresse.

A visão do pôr do sol me deu um calafrio e ninguém que se despediu de mim percebeu. Mas Josh viu em meus olhos, sorriu para mim com cumplicidade.

- Posso te levar a um lugar? - perguntou e alcançou a minha mão. Olhei em volta, meu pai já estava chegando no nosso carro. Fiz contato visual de longe com Max, ele acenou e fez um gesto positivo, cuidaria do papai por mim.

- Por que não? - respondi e a expressão de Josh se acendeu.

O acompanhei até seu carro, ele abriu a porta para mim e depois entrou para dar a partida. Dobrou o trânsito cortando por algumas ruas que eu não conhecia, então imaginei que nosso destino seria algum lugar próximo, mas acabamos na rodovia quando eu menos esperei e ele me tranquilizou:

- Eu juro que não estou te sequestrando - ele sorriu e eu fingi que não estava convencida - Fala sério, que tipo de sequestrador eu seria se deixasse sua família te ver indo embora comigo?

- Não seria a forma mais sofisticada de sequestrar alguém.

- Certamente...

- E você ainda está me deixando ir no banco da frente, desamarrada...

- Bem, mas eu também não sou um monstro. Minha abordagem de sequestro seria bastante humanizada - eu ri.

- Como?

- Acho que eu me aproximaria na escola, flertaria até você ficar apaixonada por mim e te chamaria para sair sem você perceber. Daí você acabaria sentada no meu banco do passageiro.

Senti meu rosto esquentar. Deus, eu odiava aquele cara.

- Não estou apaixonada por você.

- Claro, e isso é mesmo um sequestro - dei um tapa em seu ombro e ele gargalhou.

Continuamos conversando durante o trajeto, Josh dirigiu até Marietta. Eu não conhecia bem aquela cidade, mas me lembrava de ter visitado ela com meu pai quando moramos em Atlanta pela primeira vez.

A noite já tinha caído, mas pela janela do carro, vi o centro da cidade iluminado pelos bares e restaurantes movimentados. Josh não parou ali, dirigiu até a entrada de um parque, com letreiro bem desgastado, então o nome estava muito pouco distinguível.

- Pode não parecer, mas esse parque tem o bosque com a cachoeira mais linda da Geórgia - ele se gabou, quando descemos do carro. Não entendi muito bem porquê aquilo o deixava tão orgulhoso - Eu posso te trazer aqui durante o dia em outro momento, não viemos pela cachoeira, de qualquer forma.

Ele avançou na direção da entrada e, quando viu que eu estava hesitante, me encorajou:

- Já disse que não vou te sequestrar, só quero te mostrar uma coisa - ofereceu a mão para mim e senti meu coração se tranquilizar quando a segurei.

Caminhamos por alguns minutos, guiados pelas placas de sinalização. O parque era realmente bonito e, pela forma como o letreiro estava mal cuidado, provavelmente era a natureza quem se regulava mesmo por ali. Até me surpreendi que os postes de luz funcionassem, mas então reparei que os brinquedos pareciam novos.

Josh me guiou até o playground, então pude ver com mais atenção, tudo era de madeira, e parecia que tinha acabado de ser instalado. A gangorra, um pequeno labirinto de chão, perto da caixa de areia, e... uma casinha que parecia um pouco grande mais para o público alvo - apesar do escorregador que saía dela e os balanços acoplados, aquilo parecia bem divertido.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora