Capítulo 29

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Eu estava evitando Josh há uma semana, e me doía fazer isso. Eu não conseguia não sentir meu peito ficar mais vazio todas as vezes em que eu fingia que ele não existia, mas doía muito mais sempre que eu o via pelos corredores.

Sentia a sua falta, queria jogar conversa fora como antes e só ficar ao seu lado, só que toda vez em que pensava em beijá-lo, uma imagem quase nítida e real dele e Judy fazendo o mesmo me assombrava na mente.

Tudo o que eu tinha eram as palavras de Judy e muito medo de descobrir se elas eram verdade ou não.

Eu tinha acabado de sair da quarta aula, apenas mais duas e o intervalo enfim chegaria e eu poderia ficar com Laís e Sarah.

Vesti as alças da minha mochila, me despedi da minha colega de classe, com quem estava conversando e segui o meu rumo para a sala da próxima aula.

E então meus olhos encontraram os de Josh no meio das pessoas que transitavam. Engoli em seco e apertei meus dedos, sentindo meu coração bater forte.

Continuei a andar e percebi que ele vinha atrás de mim. As pontas de seus dedos tocaram meu ombro e fingi não sentir o arrepio que percorreu o meu corpo.

- Maya - chamou quando viu que eu continuei a andar.

Ele se apressou e entrou na minha frente. Parei de andar, meu rosto próximo do seu como há um bom tempo não estava.

Dei um passo para trás e limpei a garganta.

- Você vai fazer eu me atrasar para a minha aula - alertei e tentei desviar dele, mas ele me acompanhou, continuando à minha frente.

- Se você me ouvir eu paro de tentar falar com você. Estou cansado dessa situação...

- Está cansado? - eu ri - Isso é comovente, Josh - disse, o sarcasmo inundando minhas palavras.

Voltei a andar e ele continuou ao meu lado.

- Eu só quero que você me ouça... - tentou.

- E eu só quero que me deixe em paz - rebati.

- Tá legal, apenas me deixe te contar...

- Outra mentira? - interrompi.

- Eu nunca quis mentir para você - ele murmurou mais baixo e tentou pegar a minha mão.

- Josh, você me prometeu que só iriam fazer o trabalho. Mas eu nem sei porque estou tão surpresa, é claro que esse tipo de coisa poderia acontecer, já que você começou a flertar comigo enquanto estava com a Judy.

Meus olhos marejaram e ele me olhou com um semblante devastado, como eu imaginei que eu também tinha. Josh tentou pegar a minha mão, mas eu recuei e voltei andar.

- Espera - pediu ele - Só me deixa falar com você.

- Você não precisa falar comigo. Olha que incrível, agora está livre para ir atrás de outra garota, pelo menos dessa vez, ela não vai ser cúmplice da sua traição sem saber - dei as costas a ele, tentando sair de lá o mais depressa possível.

Com as lágrimas se atirando para fora, me enfiei no primeiro banheiro que avistei, sabendo que ainda estava sendo seguida por Josh. Para a minha surpresa ele não se incomodou com o fato de ser um banheiro feminino e entrou no mesmo.

- Você não pode ficar aqui - eu disse, tentando desviar do espelho, para que ele não me visse em prantos (embora minha voz embargada denunciasse meu orgulho ferido).

- Eu preciso falar com você, por favor -  disse ele, enquanto checava se todas as cabines estavam vazias.

O garoto se aproximou de mim e, apesar do quão desconcertado parecia com minha cara de choro por trás da raiva, alcançou uma mão minha e deu mais um passo na minha direção.

- Para - protestei quando ele tocou meu rosto. Afastei sua mão quente de minha pele - Eu não quero ouvir suas desculpas.

Eu estava transtornada com a quela situação inteira, me sentia insegura de muitas formas. Não aguentaria ouvir Josh dizer que realmente havia dormido com Judy mas, mais do que isso, as palavras que aquela garota havia despejado ontem não saíam da minha cabeça.

Talvez eu nunca fosse o bastante para ele, mesmo no caso de ele ter sido sincero.

E, por mais que eu temesse sua resposta, ainda me agarrava às coisas lindas que ele havia me dito na minha casa, como se pudesse eternizar meus sentimentos por Josh naquela memória. Lembrava de como ele havia me beijado tão apaixonadamente e não conseguia evitar os pensamentos de que aquilo não duraria para mim, da mesma forma que não durou para Judy.

Eu estava tão frustrada.

- Tudo bem. Se você não quer ouvir, fico quieto. E vou te escutar se quiser dizer alguma coisa - ele disse, me encarando com seu olhar azul desolado. Tanta covardia.

Tentei resistir ao silêncio e aos olhos de Josh, fixos a mim, mas não consegui por muito tempo. Cruzei os braços e dei um passo da direção dele.

- Me sinto uma idiota.

- Você não é idiota - ele disse imediatamente.

- Então por que eu me sinto uma idiota? - minha garganta ficou dolorida com o peso das lágrimas - Você disse que gostava de mim e eu acreditei. Mas... Por mais que eu tenha muitos motivos para não gostar da Judy, a mágoa que ela demonstrou me tocou profundamente. Senti pena dela e também tive medo por mim mesma - respirei fundo - Como espera que eu te entregue meu coração, Josh?

Ele desviou o olhar de mim, parecendo desconfortável.

- Eu sei que fiz muita besteira na minha vida, fui babaca com tantas pessoas e precisei magoar você para me dar conta.

Ele finalmente me olhou.

- Me envergonho de como tratei Judy e as outras garotas com quem eu já fiquei, pensei muito nisso esses dias. Sempre estive rodeado de caras babacas, que me ensinaram pelo exemplo a ser irresponsável com os relacionamentos, só que eu nunca sequer questionei isso, porque era conveniente não me importar com os sentimentos da outra pessoa - tentei não demonstrar minha surpresa com suas palavras - Naquele dia, quando a Judy disse tudo aquilo, senti vergonha ao ponto de doer fisicamente. Eu me aproveitei dos sentimentos dela, e menosprezei tanto a nossa relação que, para mim, a gente nem estava namorando. Não fui claro com ela e isso não foi apenas imprudente, foi baixo - seu rosto estava tão vermelho que ele suava - Só que, como se não bastasse, ainda deixei meus maus hábitos respingarem em você.

Ele engoliu em seco.

- Se quer se desculpar com alguém, deveria ser com a Judy.

Ele assentiu.

- Já fiz isso - contou - Ela não me perdoou, nem acho que deveria.

- E você acha que eu deveria te perdoar? - os olhos dele subiram até os meus e senti um arrepio na espinha, como se alguém deslizasse o dedo por minha coluna.

- Eu não acho que você deva me perdoar. Mas, isso é o que eu mais quero nesse mundo - ele ousou se aproximar - Por favor, acredite em mim, eu gosto de você. Não estou dizendo isso para te pressionar, só quero que saiba que eu fui honesto quando disse isso da primeira vez - meu peito se apertou - Eu fiz tudo errado e não espero que me perdoe, mas imploro que não me odeie.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, talvez esperando uma reação minha que não veio, eu estava em choque.

- Eu sei que nunca mereci os seus sentimentos, mas gostaria de ter ao menos a sua amizade - ele pegou a minha mão e apertou meus dedos entre os seus.

Fixei meu olhar no chão, segurando as lágrimas. Depois disso, ele se afastou e caminhou até a porta.

- Também gostaria que soubesse que nada aconteceu naquele dia - ele disse, convicto - Judy te dou dar em cima de mim, mas ela não era você.

A porta rangeu para ser aberta e fechada.

Chorei por longos minutos.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora