Capítulo 13

359 33 6
                                        

A semana havia passado num piscar de olhos, se eu soubesse que a correria de conciliar os estudos e um clube faziam a sexta-feira chegar tão rapidamente, teria me inscrito até para o clube de observação de pássaros há muito tempo.

A rotina dos treinos era fácil de acompanhar, mas os garotos eram um poucos cansativos demais. Eles agiam como se eu fosse uma alienígena, pisavam em o ovos em relação a tudo, isso quando implicavam comigo descaradamente nos treinos.

Cheguei a me questionar se a hospitalidade inicial deles era só porque eles achavam que eu não duraria até o final da semana, se esse era o caso, para a infelicidade deles, eu estava doida para estrear um novo top lilás com bojo removível e sustentação ótima (de acordo com a avaliação da internet) na segunda-feira.

Minha estratégia não estava sendo revidar, pelo contrário, eu estava sendo bem complacente e Josh me ajudou a me enturmar como pode.

Os rapazes tinham o hábito de ir à uma lanchonete depois do treino toda sexta-feira, naquela semana, ele me convidou para ir e não abriu a questão para negociações. Me colocou no banco do passageiro e fez os outros cinco garotos se espremerem - ilegalmente - no banco de trás, e eles conseguiram, de alguma forma. Pelo menos na volta cada um seguiria seu rumo.

Claro que eu só tinha assunto com eles quando estavam falando sobre basquete. Inclusive, percebi que Michael - o cara que menos simpatizava comigo - tinha uma opinião polêmica em comum comigo em relação ao Lakers, aquilo me trouxe algum consolo, ao menos eles não odiava tudo em mim, aparentemente.

Mas meu azar só ganhava forças. Eu, com minha boca grande, inventei de tentar dar um conselho romântico ao Zeke quando ele abriu seu coração na roda de conversa e, estava feito, me tornei um dicionário de mulheres.

Eles não me passavam a bola durante os treinos, mas pelo menos eu podia aconselhar eles sobre as vantagens de tomar ao menos seis banhos por semana.

Sinceramente aquilo era infernal. Eles faziam comentários de propósito para me desestabilizar. Josh me apoiou todas as vezes e até se ofereceu para ir embora comigo, mas eu não queria parecer fraca.

Depois de algumas horas naquela lanchonete, eu fiz a feliz descoberta de que se eu encarasse eles como bonobos em um zoológico, tudo aquilo ficava bem mais interessante. Se eu olhasse com atenção, eles até tinham comportamentos bem semelhantes com os dos humanos, mas quando a comida chegava... droga, eram bonobos. Josh riu quando eu lhe disse isso por mensagem.

- ...Na época em que eu comecei a sair com a Kyle, achei que a Brenda e eu não estivéssemos mais juntos. Eu nunca pedi ela em namoro, mas ela surtou legal quando ficou sabendo... Vocês mulheres são tão difíceis de entender.

Todos olharam na minha direção, mas percebi que foi Josh quem ficou bastante desconcertado. Eu não entendi do que aquilo se tratava, mas já estava exausta de ouvir calada àquelas provocações, estava na hora de ajustar minha tática.

- Na verdade, Dustin, eu tenho quase certeza de que se fosse o contrário você faria a mesma coisa - eu disse sem medir demais as palavras.

- É claro que não.

- Digamos que uma garota te leva para sair no seu aniversário, te apresenta para os melhores amigos dela, almoça com você todos os dias e até mesmo curte todas as fotos que você posta abraçado com ela. Você está me dizendo que isso não é nada? - ele me encarou em silêncio - Porque foi exatamente isso que você fez. É assim que você trata todas as suas ficantes? Sinceramente, se eu estivesse no seu lugar, não ficaria surpresa se Brenda e Kyle se juntassem para me dar uma surra.

Eu disse e beberiquei meu suco, despreocupada com como ele me fuzilava com o olhar.

- Vão ter que me desculpar, mas eu estou ouvindo a conversa de todos há duas horas e meia e a única vez em que algum de vocês disse algo razoável sobre como tratam as mulheres foi quando Zeke disse que ajudou a avó dele a tirar as compras do carro, e ainda assim deu o maior chilique. Tipo, por que vocês querem estar com mulheres se não se importam com elas o bastante para perguntar diretamente o que elas pensam, querem e esperam de vocês?

A mesa todo ficou em silêncio e, embora meu rosto provavelmente estivesse vermelho, resolvi aproveitar aquele momento

- Aqui vai, o que eu penso: vocês são machistas e a maioria de vocês não está pronto para sequer ter uma namorada imaginária. O que eu quero: que me tratem de igual para igual porque, apesar de ser mulher, passei no teste como todos vocês e, além disso, não existe nenhuma especificação nas diretrizes do clube e dos torneios estaduais que impede o time de ser misto. Agora, honestamente, o que eu espero é não ter que voltar nesse assunto outra vez porque algum de vocês foi injusto comigo. No mais, vou me esforçar na quadra e vou honrar o voto de confiança que recebi. Também espero que vocês consigam fazer o mesmo, conto com vocês para o torneio que está se aproximando.

Claro, o clima morreu. Tentei sustentar minha indiferença ensaiada, e foi intervenção divina meu celular tocar naquele momento.

- Com licença.

Saí dali calmamente, mas a minha vontade era correr para o lado de fora.

Só quando já estava no estacionamento vi que quem me ligava era Max. Ele não costumava me ligar então meu coração quase parou.

Antes que eu pudesse, atender a ligação foi para a caixa postal e me restou ver as mensagens que ele havia me enviado.

Vem para casa, rápido.

Meu Deus, conhecendo meu irmão e o quanto ele geralmente está disposto a ligar para alguém, a minha família provavelmente havia sido inteira assassinada. Tentei ligar para ele de volta, mas a chamada nem completava.

Liguei para Josh, só segundo toque ele apareceu ao meu lado.

- Max me pediu para ir para casa correndo, você pode me dar uma carona?

Ele destravou o carro.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora