Capítulo 21

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Na manhã seguinte, fui acordada por meu despertador. Praguegei o pobre coitado com todos os nomes que conhecia, me levantei da cama, me arrumei e me juntei a Max para o café da manhã.

Carmen nos fez engolir, pelo menos, um pedaço de bolo e um copo de suco, porque "o café da manhã é a refeição mais importante do dia, portanto, não se deve pulá-la", foi o seu argumento.

Depois de cumprir suas vontades eu e Max saímos de casa. Nosso destino era a casa da amiga de Dylan, onde ele estava ficando durante aquele tempo.

Era domingo, ele voltaria para a sua casa no Canadá.

Dylan não demerou em aparecer, ele adentrou o carro depois de colocar suas malas no porta-malas, com a ajuda de meu prestativo irmão e se sentou no banco de trás para ir abraçado a mim durante todo o caminho até o aeroporto.

Era triste ter que se despedir.

E o sentimento de tristeza aumentou ainda mais quando o vôo de Dylan foi anunciado e ele se virou para mim com os braços abertos e um sorriso demasiadamente grande, para esconder os olhos magoados.

Mordi meu lábio prendendo a vontade de chorar e o abracei forte, já podendo sentir tanto a sua falta que até sentia meu coração se despedaçar, era como se eu tivesse que dizer adeus a Max.

Eu sabia que o veria novamente, mas não podia evitar sentir como se fosse a última vez.

Desejei-lhe uma boa viagem e respirei seu perfume uma última vez, antes de ele se despedir calorosamente de Max e partir em direção a plataforma de embarque.

Meu irmão e eu voltamos para casa e eu me sentia péssima, as lembranças dos últimos dias que havia passado com o meu querido amigo me esmurravam num looping incessante.

Quando chagamos no nosso lar, avisei a todos que tentaria dormir um pouco, mas era apenas uma desculpa para ficar sozinha.

Subi até o meu quarto, tranquei a porta e me joguei em minha cama, cedendo ao cansaço.

Esfreguei meus olhos, espantando a vontade de chorar.

Eu tinha uma péssima mania de sempre pensar o pior e não conseguia fazer a minha cabeça parar de imaginar o avião de Dylan caindo ou explodindo no céu. Era auto mutilação, mas era inevitável.

Peguei o meu celular e comecei a rever as fotos que havia tirado durante os dias com Dylan.

Fotos dele distraído, vídeos de um campeonato que Max e Dylan haviam feito para saber qual dos dois conseguia plantar bananeira por mais tempo, fotos de nós três no boliche, um vídeo de Dylan correndo comigo nas costas como um doido. Aquilo quase me deixava mais tranquila.

- Oi - dei um berro. Josh surgiu pela janela e se jogou na minha cama, com um sorriso que contrastava totalmente com o meu humor.

Ele riu me vendo assustada, pegou as minhas mãos que tremiam e as acariciou suavemente.

- Estava fazendo alguma coisa errada, senhorita? - perguntou, deixando um beijinho em cada mão.

- Eu só estava distraída - me encarou por alguns segundos.

- O que aconteceu? - perguntou percebendo meu mal humor e minha áurea deprimida.

- Dylan foi embora hoje cedo...

- Que pena - lamentou e eu sabia que ele estava comemorando por dentro.

- Isso é sério! - esbravejei, vendo-o se render a uma risada.

- Eu não fiz nada! A culpa não é minha se você encheu o saco do cara até ele se mandar.

Suas palavras me irritaram no mesmo momento. Dylan não havia me deixado, Josh não sabia de nada e eu estava irada com aquele comentário.

Me joguei em cima dele o prendendo embaixo de mim.

- Retire o que disse! - franzi o cenho, tendo vontade de socar aquele lindo rosto.

- Por que eu deveria?

- E retire o que disse, senão... - e, em um movimento rápido, Josh inverteu as posições ficando por cima de mim, com um sorriso triunfante.

- Senão o que...?

- Senão... eu vou levantar o meu joelho com toda a força que eu tenho - respondi com um sorriso malvado, deixando clara a minha posição favorável para lhe machucar as partes baixas.

- Você não faria isso - ele retrucou e eu gargalhei, sentindo meu humor mudar rapidamente.

- E por que não?

- Porque nós ainda temos nossas crianças para colocar no mundo, né meu amor? - ele sorriu e eu senti meu coração bater tão rápido que me senti perto da morte.

Eu sabia que aquilo era brincadeira, mas as piadas de Josh não costumavam ser cem por cento hipotéticas.

Cogitei dar-lhe sua joelhada prometida, mas o meu lado bobo apaixonado e todos os meu hormônios adolescentes trabalharam juntos para trair o meu lado racional naquele momento.

Eu sorri e segurei o seu rosto com as duas mãos, esperando seus lábios estarem juntos aos meus.

Por um segundo todos os sentimentos que alimentava por Josh ocuparam o meu peito e eu via necessidade em senti-lo.

Uma de suas mãos tirou alguns fios de cabelo do meu rosto, enquanto ele me olhava nos olhos e eu senti um arrepio me percorrer.

Seu olhar azulado carregava um brilho intenso que me tirou do ar por alguns segundos.

E naquele momento eu soube não gostava dele, eu o amava.

Ele me beijou, fazendo-me sentir eletrizada. Josh me tocava e me beijava com carinho e eu ficava cada vez mais vulnerável.

Seus lábios macios se moviam calmamente contra os meus. Meus dedos afagavam seus cabelos e suas mãos escorregavam por minhas curvas.

Eu nunca havia desejado que algo além de alguns beijos calorosos acontecessem entre nós. Mas naquele momento, eu ansiava por algo a mais.

Eu realmente esperava que tudo se intensificasse e que nós não conseguíssemos nos contentar com simples beijos.

Eu queria Josh por completo, e estaria desposta a me dar a ele por completo caso ele também quisesse.

Eu o desejava e isso corria por minhas veias.

Ele tirou a blusa que eu usava me deixando com a minha regata e então trilhou beijos de meu pescoço ao meu ombro. Continuamos assim até que estivéssemos apenas com nossas roupas de baixo.

Josh tinha suas mãos no fecho de meu sutiã, quando a maçaneta foi forçada e a voz de Carmen me chamou.

Josh e eu trocamos um olhar assustado e eu me levantei da cama, recolhendo do chão as suas roupas e as jogando para ele.

Me vesti enquanto ele pulava pela janela e depois de abrir a porta, corri para o banheiro para esconder meus lábios inchados e minhas bochechas coradas.

Voltei para o quarto e Carmen me olhava com uma sobrancelha erguida e com as mãos na cintura.

Só então me lembrei de que naquele dia eu ainda teria de ajudá-la em sua prova de vestidos.

Dona da Bola [Revisado]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora