Cap.52- Se sobrevivermos...

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Bea
É óbvio, que só podiam ser aquelas alminhas. Quem mais poderia ser?
Alminhas bêbedas, ainda por cima.

Eles vão andando á minha frente até ao meu carro.

- Edu vens á frente comigo, Vice e Mike vão para os bancos de trás.- eu digo e eles obedecem.

Eu entro e começo a dirigir até casa. Eles ainda continuavam acordados, o que ia mais "feliz" era o Edu.

- Edu põe o cinto.- eu digo séria, porque estavamos a entrar numa estrada onde costumava estar polícia.

- Não mandas em mim.- ele cruza os braços.

- Mando, põe o cinto!- eu digo já a perder a paciência.

- Olha que giro, um cão.- ele diz apontando para a estrada, e foi nesse momento.

Foi nesse momento que vi a minha vida a andar para trás, revi todos os melhores momentos...
Quando conheci a Cami, quando o João pediu-me em namoro, os dias em Madrid com o Miguel, e este seria um momento que recordariamos mais tarde e iriámos rir. Se houvesse a opção de sobrevivemos...

No momento em que ele apontou, vi dois olhos brilhantes iluminados com as luzes dos carros.
Só houve um músculo que mexeu nesse momento: o meu pé. O meu pé carregou com toda a força no travão.

Foi nessa altura que eu olhei para o lado pois lembrei-me do cinto do Edu.
Ele foi disparado até ao vidro do carro, e como não tinha cinto o airbag não teve tempo de abrir.

E foi aí que eu fechei os olhos e esperei as coisas acontecerem naturalmente.

Quando passaram por volta de uns 50 segundos eu voltei a abrir os olhos.

O meu carro estava coberto de sangue, e lá fora também.

Os meus olhos encheram-se de lágrimas, e ao olhar para o lado elas soltaram-se.

O Edu estava coberto de sangue pelo corpo inteiro, a testa dele estava com um corte. Era daí que vinha todo aquele sangue, aquele líquido vermelho escorria-lhe por toda a cara e pingava até ás calças.
Ele estava com os olhos fechados, provavelmente desmai-o durante o impacto.

Depois olhei para os bancos de trás, o Mike e o Vice estavam bem. Eles tinham os cintos e os airbags do carro foram ativados na hora.

A seguir olhei para a rua, e vi que felizmente aqueles olhos continuavam a brilhar.

Saí rapidamente do carro e fui ter com ele (ou ela).
Estava aterrorizado, provavelmente pensou que também iria morrer.
Era um ele, todo castanho claro com uma mancha branca no focinho. O mais engraçado nele era os olhos, o direito era azul claro e o esquerdo era verde escuro.

Mas, de onde vinha tanto sangue se ele não morreu?
Começei a examinar... Vinha da barriga. Tinha um corte enorme, ele devia ser vadio, tinha o pelo todo ensaguento, mas aquele corte parecia ser de algum chicote.

Só de pensar arrepiei-me, e o meu instinto falou mais alto. Vou levá-lo para casa.

Peguei nele com bastante cuidado para não tocar na barriga, abri a bagageira do carro, coloquei umas toalhas de praia que estavam ali, e pousei-o lá.

Só depois entrei no carro e verifiquei como eu estava. Enfiei a cabeça entre os braços que estavam apoiados no volante, e começei a chorar.

Chorar por tudo que tinha acontecido, chorar por não ter feito nada, chorar pelos meus amigos essenssialmente pelo Edu, chorar por quem invadiu a minha cabeça a manhã inteira...

- Não chores, a culpa não foi tua...- o Vice diz colocando a mão no meu ombro.

- Estás bem? Desculpa não reparei que estavas acordado.- eu digo olhando e limpando as lágrimas, parece que do nada ele já não estava mais bêbado.

Só tu e euOnde histórias criam vida. Descubra agora