Cap.56- Sentimentos escondidos

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Edu

Sexta-feira, eu aqui na cama deitado sem nada para fazer... Olhei para o outro lado da cama para ir buscar o telemóvel e nem acreditei quando dei conta. A Mari nunca dormiu na minha casa, talvez fosse hoje que isso poderia mudar. É uma sexta, portanto não temos que acordar cedo, é um ótimo dia.

Levantei-me da cama, vesti uma blusa branca, umas calças pretas e umas sapatilhas pretas. Dei uma arrumada no cabelo e já peguei mas chaves de casa. Desci do meu quarto, e fui descendo as escadas. Até ouvir um barulho da cozinha, lembrei-me aí que infelizmente não vivo sozinho e teria que falar com a minha mãe sobre ela vir cá.

- Mãe, olha... A Mariana pode vir cá dormir?- eu pergunto e ela olha-me confusa.

- Se tu dormires no teu quarto, e ela no de hóspedes, por mim tudo bem.- ela diz dando um sorriso no final, não entendi muito a graça.

- Mãe nós 17 anos, Ok? Já não somos crianças.- eu digo e ela cruza os braços.

- Se não for como eu disse, não vem.- ela vira-se e volta a mexer lá na comida.

- Tudo bem...- eu digo irritado e saindo de casa.

Fui andando até ao estúdio de dança, porque hoje a Mari tinha dança e a esta hora devia estar a sair de lá.
Fui andando até lá, como vivia na parte mais central do Porto tinha tudo muito perto de casa e era escusado andar de carro, ainda mais com o trânsito.

Cheguei lá, por volta das 18.

- Desculpe, a Mariana ainda está na aula?- perguntei para a rececionista.

- Já acabou, mas acho que ela está lá dentro. Se quiseres podes entrar.- ela responde com um sorriso.

- Obrigado.- eu digo retribuindo o sorriso.

Vou andando devagar até á sala, ao longe já dava para ouvir a música. A porta estava aberta, logo consegui vê-la, encostei-me á porta e fiquei só a observar.

Ela estava tão fora do mundo, que nem reparava que eu estava aqui. Das poucas vezes que a tinha visto dançar, esta foi com certeza a que mais me chocou, por isso deduzi que algo estava a acontecer. Ela dançava energeticamente, com raiva, com angústia, com culpa, algo se passava. Ela sempre foi muito suave a dançar, era como se tivesse asas nos pés, agora parecia que tinha botas de chumbo e não se conseguia libertar.

Quando a música parou, ela caíu de joelhos no chão e começou a chorar. Eu fui lentamente até ela, não queria assustá-la mais ainda do que ela já estava. Quando já estava perto dela, como ela tinha as mãos no rosto e não conseguia ver-me, eu coloquei me frente a ela e devagar abraçei-a.
Ao início ficou surpresa, mas assim que sentiu que era eu, rendeu-se ao abraço e começou a chorar com mais força.

Ficámos bons minutos ali abraçados, como se nada no mundo existe-se. Quando ela se acalmou, eu tinha que perceber o que estava acontecer.

- O que se passa, amor?- eu pergunto e ela olha-me.

- Eduardo... Eu não sei...- ela responde e eu assustu-me.

Sempre gostei do meu nome, é um nome que talvez nunca trocaria. Porém, o meu nome tem 3 fases com a Mari.
A primeira é "Edu", é a que ela costuma sempre chamar-me e a que quase toda a gente.
A segunda é "Mor ou Amor", é quando ela quer atenção, precida de carinho e eu com muito gosto dou-lhe todo o que tenho.
A última (e pior), é "Eduardo". Bom assim, é basicamente como diserem-me que o mundo vai acabar! Eu odeio que me chamem pelo meu nome próprio, portanto chamarem-me assim é como uma sirene ativada.

- Explica-me... É alguma coisa comigo?

- Mais ou menos... Eu hoje tive um sonho.- ela e diz e respira fundo- Eu sonhei com os meus pais, eles disseram-me que estavam demasiado orgulhosos de mim, por eu saber enfrentar os problemas que surgiram na minha vida durante os meus últimos onze anos, por eu te ter conhecido...

Só tu e euOnde histórias criam vida. Descubra agora