Edu
Sexta-feira, eu aqui na cama deitado sem nada para fazer... Olhei para o outro lado da cama para ir buscar o telemóvel e nem acreditei quando dei conta. A Mari nunca dormiu na minha casa, talvez fosse hoje que isso poderia mudar. É uma sexta, portanto não temos que acordar cedo, é um ótimo dia.
Levantei-me da cama, vesti uma blusa branca, umas calças pretas e umas sapatilhas pretas. Dei uma arrumada no cabelo e já peguei mas chaves de casa. Desci do meu quarto, e fui descendo as escadas. Até ouvir um barulho da cozinha, lembrei-me aí que infelizmente não vivo sozinho e teria que falar com a minha mãe sobre ela vir cá.
- Mãe, olha... A Mariana pode vir cá dormir?- eu pergunto e ela olha-me confusa.
- Se tu dormires no teu quarto, e ela no de hóspedes, por mim tudo bem.- ela diz dando um sorriso no final, não entendi muito a graça.
- Mãe nós 17 anos, Ok? Já não somos crianças.- eu digo e ela cruza os braços.
- Se não for como eu disse, não vem.- ela vira-se e volta a mexer lá na comida.
- Tudo bem...- eu digo irritado e saindo de casa.
Fui andando até ao estúdio de dança, porque hoje a Mari tinha dança e a esta hora devia estar a sair de lá.
Fui andando até lá, como vivia na parte mais central do Porto tinha tudo muito perto de casa e era escusado andar de carro, ainda mais com o trânsito.
Cheguei lá, por volta das 18.
- Desculpe, a Mariana ainda está na aula?- perguntei para a rececionista.
- Já acabou, mas acho que ela está lá dentro. Se quiseres podes entrar.- ela responde com um sorriso.
- Obrigado.- eu digo retribuindo o sorriso.
Vou andando devagar até á sala, ao longe já dava para ouvir a música. A porta estava aberta, logo consegui vê-la, encostei-me á porta e fiquei só a observar.
Ela estava tão fora do mundo, que nem reparava que eu estava aqui. Das poucas vezes que a tinha visto dançar, esta foi com certeza a que mais me chocou, por isso deduzi que algo estava a acontecer. Ela dançava energeticamente, com raiva, com angústia, com culpa, algo se passava. Ela sempre foi muito suave a dançar, era como se tivesse asas nos pés, agora parecia que tinha botas de chumbo e não se conseguia libertar.
Quando a música parou, ela caíu de joelhos no chão e começou a chorar. Eu fui lentamente até ela, não queria assustá-la mais ainda do que ela já estava. Quando já estava perto dela, como ela tinha as mãos no rosto e não conseguia ver-me, eu coloquei me frente a ela e devagar abraçei-a.
Ao início ficou surpresa, mas assim que sentiu que era eu, rendeu-se ao abraço e começou a chorar com mais força.
Ficámos bons minutos ali abraçados, como se nada no mundo existe-se. Quando ela se acalmou, eu tinha que perceber o que estava acontecer.
- O que se passa, amor?- eu pergunto e ela olha-me.
- Eduardo... Eu não sei...- ela responde e eu assustu-me.
Sempre gostei do meu nome, é um nome que talvez nunca trocaria. Porém, o meu nome tem 3 fases com a Mari.
A primeira é "Edu", é a que ela costuma sempre chamar-me e a que quase toda a gente.
A segunda é "Mor ou Amor", é quando ela quer atenção, precida de carinho e eu com muito gosto dou-lhe todo o que tenho.
A última (e pior), é "Eduardo". Bom assim, é basicamente como diserem-me que o mundo vai acabar! Eu odeio que me chamem pelo meu nome próprio, portanto chamarem-me assim é como uma sirene ativada.
- Explica-me... É alguma coisa comigo?
- Mais ou menos... Eu hoje tive um sonho.- ela e diz e respira fundo- Eu sonhei com os meus pais, eles disseram-me que estavam demasiado orgulhosos de mim, por eu saber enfrentar os problemas que surgiram na minha vida durante os meus últimos onze anos, por eu te ter conhecido...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Só tu e eu
Dla nastolatkówQualquer adolescente de 17 anos tem o desejo de ter um grupo de amigos, boas notas e um namorado... Camila tem tudo, menos a última opção. É uma rapariga engraçada, sensível e com o melhor trio de amigos que alguém poderia imaginar, segundo ela. Mas...
