Capítulo 39 - Roberto

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Somos responsáveis por aquilo que cativamos. Mas será mesmo? O que tenho certeza, é que quando as pessoas à minha volta incentivam o meu pior, meu demônio fica descontrolado.

Depois de ter destruído o carro, fui para o quarto que estou ficando na cidade. Maldito sentimento, assim como uma onda num vai e vem de sua força natural, me invade. Expande, me arrasta e me desgasta. Ressaca bruta. Inebriante. Passa um turbilhão de coisas na cabeça, coisas que quero fazer. Onde quero ir. Coisas loucas para se fazerem, que travam a memória, igual celular ruim, que não desliga.

Queria de alguma forma intimidar, tanto um quanto o outro. Uma coisa que aqueles dois precisam entender é que pisaram em mim, e nunca, jamais, alguém fará isso comigo e ficará impune. Me humilharam, e agora eu vou atrás. Vamos acertar essa conta de igual para igual.

Pensei tantas coisas. Dar um susto. Um trote ameaçador, entre outras coisas, mas eu precisava de algo muito mais forte para ficar na cabeça deles todas vez lembrar de mim. E claro, alguém para me ajudar. Em dois será tudo mais fácil.

Eu apenas não sei o por que lembrei da loira da recepção. O que não é novidade para mim, pois em todos os lugares sempre tem alguém para odia-lá. Percebi que ela não gostava de Angel e talvez fosse uma boa aliada. Afinal, sua convivência ali dentro poderia me render muitas informações, e ninguém desconfiaria dela.

Sábio é aquele que sabe aproveitar todas as oportunidades e ter sucesso no que deseja. Eu não vou desperdiçar nenhuma.

Me vejo obrigado a volto naquele maldito hotel para falar com a loira. Claro que ela tenta resistir no começo, mas como todas as outras, se faz de difícil, porém com um pouco do meu charme convenço a almoçar comigo e esse almoço foi mais do que esperava.

- Ela e o chefinho delicia, tem algum tipo de envolvimento desde que inaugurou o hotel. Não sei se eles querem esconder isso, mas em público estão sempre se ignorando. Só que eu vejo tudo e dá pra ver como se comem com os olhos. Não se parece nenhum pouco como olha para mim. - Apesar da voz insuportável, tinha raiva, eu conhecia muito bem esse tom.

- E como você sabe disso? - Eu queria ter certeza que o que eu vi não era a primeira vez. Ou queria? Bem, eu não sei.

- Quando cheguei na festa, eu tinha certeza de uma coisa, eu queria aquele homem. Por um momento os dois sumiram, e ao retornar eu droguei ele e a gente trocou alguns beijos, e depois ele apagou. O que não evitou de chamá-la durante a noite. Na manhã seguinte ele me humilhou e nos dias que precederam me ignorou. Eu sei que é por causa dela. Eu não me importo porque eu ainda quero ele. Eu farei qualquer coisa pra isso. - O bom dessa conversa foi saber que ela iria me ajudar, pois assim como eu não tinha escrúpulo nenhum para conseguir aquilo que queria.

Na frente acredito que teremos alguns problemas, pois ela quer o babaca. E eu quero me vingar dele. Ela, de alguma forma queria se vingar de Angel, e isso eu posso deixar acontecer. Bem, isso é uma outra história.

Pedi então que a vigiasse no hotel. Se fosse necessário que a seguisse fora também. Era preciso que soubesse de cada passo dela. Tínhamos que estar sempre a frente para que nada desse errado. E enquanto isso, eu ia preparando o melhor da festa. Todo o plano seria arquitetado por mim, pois eu não queria o mal de Angel. Eu queria apenas ela comigo. Não podia confiar totalmente na loira, afinal, ardia o dentro dela a sede insaciável de vingança.

Por isso, às vezes eu a vigiava de longe, para Angel não perceber. Ela precisava acreditar que a tinha deixado em paz, e eu sabia que quanto mais longe ficasse, mais fácil seria para ela acreditar.

Chama do pecado - Em revisãoOnde histórias criam vida. Descubra agora