Capítulo 54

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Gilmar sai para procurar ajuda, eu entro na banheira e espero por ele.
Apesar do sangue manchado minha calcinha, não estou mais sangrando, será que eu fiz algo de errado? Os pensamentos de culpa me consome. Agradeço profundamente quando ele volta.
Gilmar volta mas infelizmente não conseguiu ajuda.

- Vou ter que pedir ajuda para Hector. Então comecei a perceber que tinha uma parte de sua vida que eu ainda não conhecia.

Como Eliza e a amizade dele com esse Hector não era só sobre os hotéis. Gilmar liga para ele e ficamos na espera, paro de chorar e tento me tranquilizar, quase me conformando que o pior tinha acontecido.

Hector demora mas chega, numa camionete com rodas de esteirar apropriado para a neve. Levamos mais um tempo para voltar, Gilmar fica no banco de traz comigo, me dando todo o apoio que preciso. Percebo também os olhares de Hector pelo retrovisor mas não me deixo incomodar. Chegando ao hospital ele perguntou todo enrolado.

- Do you need anything else?

(Você precisa de mais alguma coisa?)

Gilmar conversa com ele e entramos no hospital, sou atendida com urgência. Gilmar me acompanha a todo o momento, explica o que aconteceu para a médica que disfarçadamente olha para ele admirada. Tem que fazer aquela ultrasson vaginal pois são poucas semanas e não da para ouvir seu coração ainda e nem ver em um ultrasson normal.
Gilmar entende tudo que ela fala, eu fico boiando. Estamos saindo do hospital e Hector continua esperando por nós, eu estou mais que curiosa para saber o que a médica falou.

- Aqui na frente de Hector não vamos falar disso, no hotel eu te conto. Vou dormindo apoiada em seu ombro e vou carregada em seu colo.

Acho a coisa mais fofa, ele me carrega no colo, me coloca na cama com cuidado, prepara um chá e se deita ao meu lado.

- Amor, a médica disse que tá tudo bem, que é normal sangramento nos primeiros meses. O sangramento pode ter ocorrido porque o corpo está se adaptando ao novo membro, por muito estresse, força e por causa do sexo. Ela pediu repouso absoluto por três dias. E pediu que ao voltar para Brasil, começar logo o pré natal.

Me deu um alívio saber que não foi nada de grave, esse dia foi tudo isso, estresse, força e um sexo divino que parece que eu vou ter que abrir mão por um tempo. Eu durmo dentro do seu abraço apoiada em seu peito. Mas no meio da madrugada sou acordada por um choro abafado, procuro pelo Gilmar, que está na sacada, que é toda envidraçada, olhando para a cidade e chorando. Fico aflita por isso e me levanto para ver o porque dele estar chorando.

- Oi amor, porque você esta chorando? Ele se ajoelha e dá dois beijos em minha barriga, um de cada lado.

- Por causa de vocês, senti tanto medo mas saber que está tudo bem, da uma paz. Eu prometi cuidar de vocês.

- Quando voltar para fazer o pré natal quero que você me acompanhe e eu não quero saber do sexo do bebê, quero que seja uma surpresa então se você quiser saber, prefiro que não me conte. Eu quero sentir aquela emoção da surpresa no momento do parto.

- Tudo bem amor, quero voltar logo e resolver essa nossa situação. Vamos voltar a dormir que depois do almoço vamos para Viena, ficamos dois dias, e voltamos para passar virada de ano lá com nossa família.

*

Acordamos as 8:30 arrumamos nossas malas, tomamos café no quarto. Eu queria muito transar até provoquei Gilmar beijando seu pescoço e passando a mão pelo seu pau que estava muito duro mas ele não quis para o bem do bebê.

Ligo para Joice quero saber como estão indo as coisas lá, ela me diz que vão muito bem, que Gilbran está cuidando do hotel com Mara e eles ficam só em casa com o José e Cristiano.

- Você soube alguma coisa de Roberto? Eu só queria saber como está.

- Só sei que ele ta muito mal tia.

Desligo e fico muito preocupada com ele, quando chegar lá vou procurar por ele não importa o que Gilmar diga.
Gilmar diz que vai descer para o almoço aqui no hotel e me esperar lá embaixo. Coloco minha bota, meu casaco e vou para área onde é servido o almoço, quando estou para entrar encontro uma moeda no chão, abaixo para pega-la e ao me levantar, a cena...
Eliza vem por traz, coloca as mãos nos olhos de Gilmar, ele a agarra e a beija, meus olhos se enchem de lágrimas e eu saio correndo de volta para o quarto, quando estou no andar do quarto, sou puxada pelo braço e tomada por um beijo. Um beijo tranquilo, seus lábios são firmes no movimento, suas mãos me seguram firme e eu me entrego nesse momento, seu beijo delicado procura por minha língua, seus braços fortes abraçam meu corpo e eu me lembro de Gilmar, esse beijo não é seu e antes que eu possa parar, outras mãos me puxam e então posso ver Gilmar partir para cima de Hector com alguns socos. Eu viro e saio em direção ao quarto. Quero mais que eles se fodam. Logo atrás Gilmar entra.

- Que porra é essa? Não te pedi para ficar longe dele. Descarado filho de uma puta.

- É? E você agarrado com aquela oferecida lá embaixo?

- Deixa eu te explicar o que aconteceu, não é isso que você ta pensando. E se fosse não ia contar do mesmo jeito.

- A mesma ladainha de sempre, tenho nojo. Vou para o banheiro e vômito, choro, não dá pra confiar em ninguém. Fico ali uma meia hora me arrependendo de ter vindo, de aceitar essa viagem e de não ter dinheiro suficiente para voltar pra casa. Gilmar bate na porta.

- Angel, ta na hora da gente ir.

*

O voo leva 1 hora até Viena mas a verdade é que eu queria ir para casa. Com esse repouso eu não posso fazer nada e mal consigo olhar na cara de Gilmar. Ele também não insiste muito em conversar comigo.
No hotel, o quarto tem duas camas e ele diz.

- Você pode ficar com a de casal,eu durmo na de solteiro. Mas deixa eu te contar o que aconteceu. Ele não me deixa nem responder e continua.

- Eu fiz intercâmbio em Innsbruck e conheci Hector. Sua família sempre foi muito rica,e ele se divertia como eu. Fazíamos tudo errado. Depois de alguns meses, voltei para casar e Thai já estava perto de nascer. Hector me pediu para hospedar ele e sua irmã em minha casa enquanto ficasse no Brasil. O que eu não sabia era que Eliza é traficante internacional, os dois ficaram na minha casa. Eliza tentou muitas vezes me seduzir, não respeitava minha casa, minha mulher e minha família. Gostava de andar com poucas roupas pela casa a qualquer hora do dia. Um dia cheguei em casa e ela estava quase nua no sofá mas nunca rolou nada. Algumas vezes peguei as drogas dela, era uma das melhores. E não foi só para usar, eu repassava também. Durante dois anos eles frequentavam direto minha casa, Hector e Eliza sempre foram muito unidos. Depois que Mirian morreu, eu e Hector fazíamos festas juntos com muita droga e bebida, dividíamos as mesmas meninas ou trocava um com o outro. A gente realmente não se importava. Até o dia que me envolvi com Eliza mas não me apaixonei por ela. Fiquei algumas vezes e depois larguei mão porém ela sempre me procurava constantemente. Quando decidi parar com aquela vida,me afastei de tudo mas mantive contado com Hector, ele ia ao Brasil e eu a Áustria. Eliza continua com seu tráfico e ela é muito fluente nesse meio. Hector também deu uma parada com isso mas nunca deixou de apoiar a irmã. E o que aconteceu no hotel, eu sei que foi armação deles. Eles são ótimos amigos mas também são péssimos inimigos. Hector nem tanto, temos uma boa amizade, agora Eliza sempre foi um problema, quando ela cisma com algo vai até o fim.

Chama do pecado - Em revisãoOnde histórias criam vida. Descubra agora