Capítulo 11

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Não deixe que o medo silencie você.

Não que Gilmar se importasse com um monte de lata pela qual poderia substituir facilmente, mas desde que foi lançado o civic, aproveitou e comprou. Amava o carro que sempre sonhou ter, mas a verdade é que estava querendo trocar de máquina, apenas não queria que fosse dessa maneira.

De toda forma, quem fez isso acabou lhe fazendo um favor. Desagradavel.

Gilmar aciona o seguro para saber o que pode ser feito nesse caso, mas não tem nenhuma resposta no momento. Queria registrar um boletim de ocorrência, porém ninguém se passou pela sua cabeça.

Ele precisava muito voltar para o hotel, e por isso chamou um uber. Eu fico ao seu lado esperando com ele. Está visível que ficou furioso, repete a todo momento que não entende o que aconteceu, e que se descobrisse quem foi ia dar uma bela lição.

A única coisa que consigo pensar é que quem fez isso ainda pode estar por aí. E isso me deixa nervosa. Não sei nem o que pensar, isso tudo é tão estranho.

O uber chega, ele me beija e se vai.

Posso estar muito enganada, mas tenho certeza absoluta que... Isso é a cara dele. Sem dúvidas é coisa do Roberto.

Não tem outra pessoa que seja louco a esse ponto. É só ele. Pelo o que conheço dele, ele não vai parar. É uma pessoa completamente sem limites, que não se importa com ninguém.

Eu preciso conversar com Gilmar, e contar minhas desconfianças a ele. Minha história com Roberto, para ele entender e fazer o que pode para ficar longe de Roberto. Ou de mim.

Já é tarde e eu estou sozinha. Talvez não devesse ficar aqui, mas para onde eu iria? Não posso invadir a casa de Douglas, muito menos o quarto de Gilmar.

Tranco todas as portas e janelas para ter certeza de que nada vai acontecer. Ele não vai aparecer do nada e tentar me matar.

As lembranças voltam ao dia que me agarrou pelo cabelo. Me jogou em cima da cama. Subiu em cima de mim, cuspiu na minha cara, gastou todo seu vocabulário para me ofender. Depois me imobilizou e bateu várias vezes na minha cara com uma faca. Naquele dia tive certeza que ele era um descompensado, e não me deixaria em paz facilmente. Eu tentei me matar, para de alguma forma me sentir livre dele e de toda sua opressão. Talvez na morte eu encontraria a paz que procurava. Eu tomei uma cartela de clonazepam, cortei meu pulso mas não foi fundo o suficiente para acabar com o inferno que vivia.

Não posso negar que estou com muito medo, tanto que nem consigo dormir.

Eu preciso trabalhar amanhã e desse jeito vai ser bem complicado, o bom que não preciso ir cedo, já vou começar o novo horário.

Nem sei bem a hora exata em que consegui dormir, pois ao mínimo barulho eu me desesperava. Então quando o sol já clareava o interior do meu quarto, consegui fechar os olhos e dormir um pouco.

Gilmar sentia que deveria voltar e ficar com Angel. Ela não quis dizer, mas consegui perceber que ficou muito preocupada, no entanto não quero ficar invadindo o espaço dela, mesmo isso sendo o que eu mais quero, ficar perto dela. Ainda não sei o que ela pensa sobre tudo isso, não quero e não vou estragar as coisas entre a gente.

Sou acordada pelo toque alto do celular, que eu atendo sem ver.

- Oi amor, bom dia, tá tudo bem? - Era tudo que eu precisava. Ser acordada por ele. Viajo na intensidade de sua voz, até chamar minha atenção.

- Angel? Tá tudo bem? Você nunca se atrasa, e hoje você está. Eu te buscaria, mas sabe que não posso porque... - Eu nem deixo ele terminar de falar.

Chama do pecado - Em revisãoOnde histórias criam vida. Descubra agora