Capítulo 9

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Depois de toda aquela cena, espero que Gilmar finalmente entenda.

O preço que pagamos por estarmos vivos, é sentir dor. Não só a física, mas também a que doi em nossas almas, e essa é a que mais doi!

Essa aparição dele me custou a visita do meu filho. Porque? Quando eu decidi abandoná-lo, o motivo mais forte foi meu filho. Não poderia trocar o amor que tenho por Davi, por aquilo que tinha com Roberto.

Ele sempre quis me afastar de Davi. Acho que no fundo ele sentia ciúme do meu próprio filho. Não gostava de me ver abraçando ou beijando meu filho. Ele fazia de tudo pra nos afastar.

Quando saímos, para viajar. Ir à praia. Ir ao shopping. No cinema. Fazer um lanche. Qualquer programa em família, ele nunca queria que Davi nos acompanhasse.

Em casa vivia desprezando o menino. Não gostava de interagir com ele, geralmente não deixava subir na nossa cama. Assistir seus programas preferidos na tv. Não suportava a ideia dele entrar no carro. Ele fez da nossa vida um inferno.

Me ajudar com meu filho? Nunca! Para ir ao médico. Ao dentista, ou à creche, eu tinha que me virar. Levar sozinha, porque apesar de ter um carro, eu não sabia dirigir.

Lembro até hoje, uma das minhas piores lembranças. Era o aniversário do meu filho. Um motivo de comemoração que ele transformou em horror.

Não queria que a festa acontecesse de jeito nenhum. Nem que convidasse minha família, ou que eu gastasse dinheiro para encher a barriga dos outros.

Meu dinheiro. Do meu trabalho. Minha família.

Com raiva ele cortou a cabeça de todos os bichinhos de pelúcia que Davi tinha. Eu não sei porque ele era assim. Mas sempre dizia que era porque era filho de outro homem. E ele não tinha a obrigação de cuidar ou se responsabilizar por um filho que não era dele.

Que idiota.

A gota d' água foi quando ele bateu no meu filho.

Eu jamais obrigaria ele a gostar do Davi. Porém ele tinha que respeitar. Apesar de tudo que ele fez, bater, é algo que eu jamais iria aceitar!

Depois que eu falei que não queria mais, ele ficava indo aos mesmos lugares que eu. Com flores. E as mulheres se derretiam. Achavam lindo a atitude mas nem imaginavam o que ele fazia. Convidava para jantar. E em outras tentativas, quis se aproximar do meu filho.

Nada do que ele fazia, era capaz de mudar o que tinha acontecido. Não me faria acreditar em sua mudança. Até porque eu acredito que as pessoas são o que são. Elas não mudam. Podem melhorar por um tempo, mas a verdadeira essência do que são continua ali, e voltam a ser o que são, mais cedo ou mais tarde.

Teve muito tempo para consertar as coisas e só quis fazer quando eu não tinha mais vontade de continuar.

É como dizem. As pessoas são previsíveis. Querem tudo o que não tem. Enjoam de tudo que conseguem facilmente e só valorizam depois que perdem. É simples, pois o que se tem e não é valorizado, a vida vem e tira.

E agora tenho medo de trazer meu filho. Roberto perdeu totalmente o controle e está louco. Do jeito que é, pode tentar fazer algum mal para Davi, só para me atingir. Eu não vou expor meu filho a ele. Mesmo que isso me doa. Afinal, dias já se passaram e eu apenas queria vê-lo, abraçá-lo e beijá-lo. Pegar em meu colo e saber que está tudo bem.

No momento isso é para nosso bem. Sei que logo poderei estar com ele, sem medo de nada, nem de ninguém.

Duas semanas se passaram.

Gilmar se dedicou esses dias a cuidar de sua família e do hotel. Simplesmente porque sentia que precisava encher a cabeça e se ocupar para não sobrar tempo para pensar em Angel.

Chama do pecado - Em revisãoOnde histórias criam vida. Descubra agora