Capítulo 69

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Começo a chorar e ela não entende.

- Mara eu preciso conversar com você e é muito sério. Mas não aqui, vamos para o hotel.

A primeira coisa que fiz foi levar ela para o escritório, contei tudo que estava acontecendo no hotel e que estávamos tendo um bom retorno. E tem mais uma coisa.

- Eu estou grávida!

- Ai Angel, como isso foi acontecer? Você traiu o meu irmão! Esse era meu medo. Se ela não acreditou, os outros também não vão acreditar.

- Não Mara, eu amo o Gilmar e jamais faria isso com ele, ainda mais nesse momento. Se for mesmo o que a médica me disse, estou quase de 5 meses.

Falo tudo para ela, não podia deixar ela pensar coisas erradas sobre mim mas pude perceber que ela ficou desconfiada porém me respeitou mesmo assim, pedi que ela cuidasse do hotel para mim, para poder agilizar tudo sobre essa gravidez .
Na mesma semana fiz ultrasson e já descobri o sexo, é uma menina, e é só uma ainda bem, Medhelyn 23 semanas. E já tinha engodado 6 quilos, até o fim da gestação eu ia tá um bola.
Passei a semana afastada do hotel e do hospital, minha cabeça ta virada numa confusão, porque tudo aconteceu dessa forma? Todas as coisas estavam dando errado, eu estava ficando desanima, não tinha mais vontade de viver, se ainda estou aqui é pelo meus filhos, aí de mim se não fosse eles na minha vida, agora vem minha princesinha.
A família de Gilmar me deu um certo tipo de apoio mas podia perceber a desconfiança deles, só que não me deixei abalar por isso, por mais que eles duvidassem o que importava naquele momento é o que eu sabia, por isso decidi me afastar um pouco do hotel, para eles não ficarem pensando que eu estava de interesse no dinheiro deles. Até de Mara me afastei. Hector as vezes ia me visitar, saber como estava, mesmo sendo difícil compreender o que ele falava se tornamos muito amigos e foi que começou a sair os boatos que era para Mara ficar esperta, porque Hector tava muito próximo e isso não era normal. Minha barriga está começando a aparecer e as pessoas no hotel ficam me olhando torto, dava vontade de mandarem tudo se catarem. Eu andava muito estressada com as fofocas, como tinha parado de trabalhar, dependia totalmente da renda do hotel, a família começou a regular a quantidade que eu podia pegar por semana, que mal dava para me virar com os meninos. A Joice continuava trabalhando no hotel e ajudava como podia, eu não exigia nada dela. Minha sorte foi que Gilmar comprou a casa e passou para o meu nome, tive que dispensar Beth pois com o dinheiro não conseguia pagar ela.
Todas as noites eu choro por estar passando essa fase, até no hospital queriam me impedir de ver Gilmar. O único que esteve do meu lado é Hector, ele veio morar um tempo aqui em Florianópolis para ajudar Mara a administrar o hotel, todos os dias ele vai no hospital e quando pode vem me visitar, sempre traz umas coisinhas para me agradar e a melhor que ele poderia fazer por mim, é me dar sempre notícias de Gilmar, que por enquanto não teve nenhuma melhora.

*

Um certo dia, comecei passar mal, estava em casa sozinha com os meninos. Joice estava trabalhando e não sabia o que fazer, também não podia deixar os meninos sozinhos, foi a única coisa que pensei, chamar o Hector.
Logo ele chegou lá em casa com a Joice que ficou com os meninos, enquanto me levou para o hospital o mesmo onde está Gilmar e fui atendida na mesma hora.

- O pai pode acompanhar! Naquele momento eu nem me importei e Hector ficou do meu lado, enquanto os médicos faziam os exames.

- A senhora está com a pressão muito alta, tem que cuidar, se você apresentar sintomas assim novamente você vai ter que ficar internada.

Aproveitei para dar uma espiadinha no meu marido, tinha que ser rápido porque já estava dando o horário de visita, beijei ele e já sai, nem tive a oportunidade de poder falar que vamos ter uma menininha. Esse dia foi uma tortura, eu queria tanto ficar com ele, mas não pude.
Seu aniversário está se aproximando, ele vai passar ali em cima de numa maca de hospital e eu não posso nem chegar perto.
Passei essas últimas semanas trancada dentro de casa, Douglas e Drica vieram me visitar, me deram muita força, qualquer coisa que eu precisasse poderia contar com eles. É tão bom saber que tem pessoas que estão ao meu lado e que não estou sozinha do jeito que eu imaginava.
O mês de fevereiro está no começo, estou indo para o sexto mês, minha barriga já está bem visível e engordei mais 3 quilos, amanhã será aniversário de Gilmar, vou para o hospital tentar ficar perto dele. Mas tenho uma baita surpresa quando estou no corredor do hospital, dois seguranças na porta mas não são Cristiano nem José, fui me aproximando para entrar e eles me barraram. Eu implorei para que me deixassem entrar mas foi impossível, eu fiquei ali discutindo, até que uma enfermeira que me reconheceu e brigou com eles, só assim pude entrar. Nossa como chorei, Gilmar estava ficando irreconhecível, peguei sua mão, coloquei na minha barriga e comecei a conversar com ele.

- Amor, aqui dentro de mim, está mais um fruto do nosso amor, nossa princesinha Medhelyn, você tem que lutar por nós, estamos precisando tanto de você. Volta meu amor, eu não aguento mais ficar aqui sem você. Enquanto conversava com ele, a bebê pulava, parecia que fazia uma festa ao sentir a mão de Gilmar. Mas a alegria durou pouco e Mara entrou no quarto brigando comigo.

- O que você ta fazendo aqui? Já foi te falado pra não chegar perto dele, você não tem vergonha mesmo, fez tudo isso com meu irmão e acha que vai se dar bem agora? Agente só ta te ajudando ainda porque vocês estão casados e tem os gêmeos, porque se não fosse por isso...

Hector chegou e tentou impedir Mara mas não adiantou o estrago já estava feito e não conseguia controlar o choro não saia palavras para responder.
Gilmar começou a ter uma parada cardíaca e os médicos chegaram usando o desfibrilador, o ar começou a me faltar, eu pude ver Gilmar abrir os olhos, e Mara veio em minha direção me colocando para fora do quarto. Ela viu que eu não estava bem e chamou uma enfermeira para me ajudar, e voltou para o quarto. Minha pressão disparou e foi por isso que o ar me faltou, me internaram no quarto ao lado e logo depois Hector veio me ver

- Hector, ele acordou né?

- Sim, quis ver te, mas esperar é melhor. Ele tenta me consolar.

Como eu estou recebendo soro não posso sair do quarto, o médico disse que é para ficar calma e fazer repouso pois caso contrário a bebê irá nascer prematura e com 6 meses a recuperação será bem mais difícil .
Pedi para Hector avisar a Joice sobre o que aconteceu e depois voltou para o quarto, eu estou muito feliz porque Gilmar finalmente acordou, depois de todos esses meses, a esperança está de volta, as coisas vão voltar a ser como era antes.
Em algum momento eu adormeci mas acordei muito perturbada, levantei e fui na porta olhar se os seguranças estavam ali, para minha sorte eles não estavam mais, quando entrei no quarto, fiquei sem entender, ele não está no quarto, será que transferiram ele só para mim não ver e não falar com ele?
Ai mesmo que me bateu um desespero, me encostei na janela fiquei olhando para fora e lágrimas rolavam, eu já nem sabia mais de onde saia tanta lágrimas. Quando senti um abraço por trás, passou a mão na minha barriga, Medhelyn deu um chute e sem ver tinha certeza que era ele.

Chama do pecado - Em revisãoOnde histórias criam vida. Descubra agora