capítulo 03

22.1K 1.4K 240
                                        

Tomo banho, vou para o meu quarto e deito na cama.

Minutos depois meu celular toca, vejo que é Rebeca e atendo.

-alô.

- como foi na casa do Tomás, amiga?
- Rebeca pergunta.

- foi péssimo, amiga, ele não aceitou a gravidez.
- falo.

- como assim, Olivia? Não acredito!

- pode acreditar, ele disse que o filho não é dele, falou que me traiu desde o começo do namoro e me colocou para fora de sua casa.
- falo tudo de uma vez.

- ele não podia ter feito isso, o que você vai fazer agora?

- tem outra coisa para te contar, meu padrasto me expulsou de casa.
- falo sentindo um calafrio, de pensar que não tenho para onde ir.

- meu Deus. - ela fala e acredito que está com a mão na boca. - pode vim para minha casa, aqui você pode ficar.

- não! Não posso ir morar , minha mãe disse que íamos conversar ainda hoje, sei que ela vai me dá uma solução.
- não posso aceitar o convite de Rebeca, na casa dela mora gente demais.

- tem certeza?

- tenho sim, não se preocupa.

- qualquer coisa me liga, pode ligar qualquer hora, você sabe.

- certo, qualquer coisa te ligo, obrigada por tudo.

- não precisa me agradecer, não toma nenhuma decisão sem me contar.

Acabamos a ligação depois de nos despedimos.

Escuto batidas na porta do quarto e mando entrar.
Minha mãe entra com uma expressão muito triste, eu me seguro para não chorar.

- vamos jantar, filha. - ela fala depois de sentar na cama.

- não estou com fome.
- respondo.

- você agora tem que se cuidar mais, por causa da gravidez.

- vou me cuidar, mãe. - falo.

- olha Olivia, eu não vou te julgar por o que aconteceu, na verdade eu estou sendo pior por está te abandonando. - ela fala com os olhos marejados.

- não fala assim mãe, eu te entendo, eu posso me virar, só não sei como farei isso.

Depois que falo isso ela retira um pedaço de papel do bolso e me entrega, nele tem um endereço.

- esse é o endereço da sua madrinha, que mora nessa cidade. - ela fala.

Como assim, eu tenho uma madrinha?

- a senhora nunca me falou que eu tinha uma madrinha. - eu nunca soube dela.

- eu morava nessa cidade com a minha mãe, nunca tive estudos, então trabalhava como diarista. Em uma dessas faxinas conheci Dolores, que estava lá para fazer um jantar. Conversamos e pouco tempo depois viramos amigas e essa amizade só aumentou com o passar do tempo. Quando a minha mãe morreu eu fique muito triste, quase com depressão, vendo isso, Dolores me chamou para morar na casa dela, que na verdade era uma pensão. Foi ótimo para mim, o aluguel da casa onde morava era muito caro, de um quarto em uma pensão seria muito melhor. - ela fala e sei que está lutando para lembrar todo o passado.

- a senhora nunca me contou sobre o seu passado.
- sim, tudo sempre foi um grande mistério.

- continuando... Quando eu engravidei, foi a Dolores que me ajudou com tudo, ela foi um verdadeiro anjo em minha vida, nem sei o que teria sido de mim sem ela - detalhe, minha mãe nunca falou do meu pai, nunca perguntei, sempre respeitei ela não querer falar. - Você nasceu e claro, ela foi a madrinha. Te criei até quase sete anos lá, até que conheci o Joel, me iludi muito com ele e resolvi vim para essa cidade, já que lá, ele só foi passar férias. Escrevi o endereço da minha amiga e prometi voltar para visitar, mas nunca deu certo.

- a senhora quer que eu vá morar lá? - pergunto.

- sim, lá você vai ter casa e poderá trabalhar para sustentar seu filho. - ela fala passando a mão na minha barriga.

- mas como a senhora sabe que a minha madrinha ainda tem essa pensão? Pode ser que ela tenha mudado de endereço.

- não mudou. Mais ou menos um ano atrás eu vi em um supermercado uma pessoa que morou nessa pensão na época em que eu também morei, conversamos muito, ela disse que ainda mantinha contato com Dolores, vai sempre para lá.

- então eu irei. - falo determinada, alguma coisa me diz que vou ser feliz nesse lugar.

- me perdoa, filha, perdoa por está te abandonando. - ela volta nesse assunto.

- eu não tenho nada para perdoar, eu te entendo, só te digo uma coisa, eu ainda volto para buscar a senhora e o Rodrigo.
- falo.

- não se preocupe com isso, você agora tem uma pessoinha aí dentro de você. - ela fala pegando na minha barriga e derrama lágrimas. - meu Deus, eu vou ser avó. - ela fala feliz.

- eu não queria que fosse assim, mãe, tão de repente, mas confesso que, depois de pensar muito, estou feliz, vou ser mãe.
- falo derramando lágrimas.

- sim, agora você vai ter uma pessoa para amar a vida toda, não se esqueça, essa criança virá para alegrar seus dias, deixar tudo mais feliz e mais bonito.

Depois de falar isso ela da um beijo na minha testa e sai do meu quarto.

Depois de digerir tudo que minha mãe falou, levanto e vou até o espelho. Levanto a minha blusa e olho para minha barriga, que ainda não tem nenhum sinal de gravidez.

- Meu Deus, vou ser mãe. - sussurro.

Sorrio. Como minha mãe disse, essa criança virá para deixar meus dias mais bonitos, e eu vou a amar tanto... claro, tem a dúvida de como conseguirei cria-la, mas vou conseguir e a gratificação vai ser quando eu ver um sorriso no rosto do meu filho.









Uma chance para ser feliz (CONCLUÍDO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora