Termino de preparar os relatórios e ainda falta uns dez minutos para Aron voltar.
Aproveito e levo para a sala dele.
Entro e deixo a porta somente encostada. Coloco os papéis em cima da mesa e quando me viro dou de cara com Aron me olhando.
- eu agilizei o trabalho e vim deixar na sua mesa.
- falo depois de alguns segundos o olhando.
- estava olhando como você é organizada. - se aproxima de mim. - e faz seu trabalho muito rápido.
- nunca trabalhei com isso, mas sempre aprendi muito rápido.
- falo tentando manter o controle perto desse homem.
Parece que o ar está fugindo dos meus pulmões ao andar de Aron para perto de mim.
- como já está tudo aqui, vou voltar para minha mesa.
- ando para fora da sala, mas antes ele segura em meu braço.
E parece que uma corrente elétrica percorre o meu corpo.
Nunca senti isso!
- queria te perguntar porque me tratou tão friamente hoje.
- solta meu braço.
- eu só quero fazer meu trabalho, Aron, preciso muito disso.
Fica alguns segundos olhando nos meus olhos e eu também não desvio o olhar.
- tudo bem então.
- vira de costas para mim e começa a olhar os relatórios.
Saio da sala e fecho a porta atrás de mim.
Sento na cadeira e enfim consigo respirar!
E o resto da tarde se passa normalmente, sem muitas coisas para fazer.
O telefone que está em cima da mesa toca e no mesmo instante o atendo.
- pode ir para casa, Olivia, vou só terminar de fazer algumas coisas e também irei.
- Aron fala assim que atendo.
- tem certeza que não vai mais precisar de mim?
- sim, pode ir. Até amanhã.
- até amanhã.
Arrumo minhas coisas na bolsa, levanto e ando em direção do elevador.
Chego no andar de baixo e saio para esperar o ônibus.
Já está quase anoitecendo e o ônibus demora um pouco.
Espero sentada no banco junto com uma senhora.
Minutos depois e o ônibus chega, para, e eu entro.
Por sorte está um pouco vago e eu consigo sentar em um assento.
Minutos se passam e o ônibus para em minha parada.
Ando até a pensão entrando na mesma.
Pelo o cheiro de comida, com certeza madrinha está na cozinha.
Caminho até lá e vou até ela, quando a vejo, dou um beijo em sua bochecha.
- como foi no trabalho, filha?
- pergunta sem desviar a atenção das panelas.
- foi muito bom, não fiz muita coisa hoje, mas já estou aprendendo como funciona tudo.
- respondo.
- e o Teodoro?
- me olha por um segundo.
- nem o vi hoje. Sou secretária do filho dele, Aron.
- entendi. Então vá tomar banho para vir jantar, você deve está com fome.
- estou mesmo. Daqui a pouco venho comer.
- levanto da cadeira e depois de receber um sorriso de madrinha, vou tomar banho.
Abro a porta do quarto, deixo minha bolsa em cima da cama e troco minha sandália por um chinelo.
Tomo banho e depois de vesti uma roupa levinha, desço para jantar.
Termino de comer e vou para a sala onde tem algumas pessoas assistindo um filme.
Me ajeito no único espacinho que tem entre as pessoas e começo a assisti.
- quase não te acho no meio de tanta gente.
- Brena fala baixo e me entrega uma tigela de pipoca.
- meio difícil achar alguém mesmo.
- sorrio.
Brena senta no tapete e começa a assisti o filme.
Levanto do sofá depois de terminar o filme e vou para a cozinha.
Encontro minha madrinha lavando a louça e logo pego o pano de prato para enxuga-los.
- não precisa Olivia, vá descansar.
- madrinha fala quando pego um prato.
- faço questão, madrinha, não dormirei se não fizer isso.
- falo decidida.
- teimosa.
- ri.
- sou mesmo!
- falo enquanto enxugo alguns talheres.
- madrinha?!
- Oi filha.
- o que a senhora sabe sobre o meu pai?
- pergunto e vejo a minha madrinha praticamente mudar de cor.
Já arrumamos tudo na cozinha e estamos tomando chá.
- a senhora está bem? Parece até que mudou sua cor.
- falo preocupada depois de ir buscar um copo de água para ela.
- estou bem, não se preocupa.
- sorri.
- a senhora tem que fazer exames para ver o que é isso.
- melhor irmos dormi, já está tarde e você tem que acordar bem cedo amanhã.
- muda de assunto e eu balaço a cabeça em negação.
Madrinha se recusa à ir no médico!
- mas... e sobre o meu pai?
- eu não sei nada sobre isso. Só sua mãe pode te dá todas as respostas.
- responde desviando o olhar.
E isso me dá a certeza que ela sabe de alguma coisa. Mas assim como minha mãe, não quer contar.
Minha mãe sempre guardou esse segredo e eu respeitei. A final de contas, ela está no direito de não querer contar.
Mas eu sempre tive essa curiosidade. Quem não teria?
Acho que mesmo que não queiram, sempre haverá aquela dúvida, que sempre vai ficar na cabeça martelando.
- tudo bem então, madrinha. - dito isso, ela dá um suspiro de satisfação. - vamos dormir.
- boa noite, minha filha, Deus abençoe.
- fala enquanto levanta da cadeira e eu faço o mesmo.
- boa noite, madrinha.
- depois de falar isso, ela dá um beijo na minha bochecha.
Subo os degraus e chego no meu quarto.
Tranco a porta atrás de mim, vou até o garda-roupa e pego um pijama.
Troco de roupa e deito na cama.
Logo penso... porque minha mãe nunca me disse quem é meu pai?
Porque madrinha ficou tão assustada quando eu perguntei aquilo?
Sinceramente não entendo!
Mas elas sabem o que é melhor para mim, se não contaram é porquê só querem me proteger.
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Uma chance para ser feliz (CONCLUÍDO)
Romance#30EmRomance: 21/04/2018 ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ #27EmRomance: 22/04/2018 ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ Olivia vivia uma vida razoavelmente boa, até descobrir que está grávida do seu namorado que sempre a traiu, ser rejeitada pelo mesmo e, em consequência disso, ser expulsa de cas...
