Só estou te contando para que por acaso você não se decepcione outra vez.
Acordo dos meus devaneios com o brilho do celular, avisando que chegou uma nova mensagem.
Não se preocupe, Rebeca, Tomás já é página virada na minha vida.
Quase não consigo enviar a mensagem, pois estou com as mãos trêmulas. Rebeca não responde mais nada.
Tiro o dinheiro de pagar a conta da bolsa e coloco sobre a mesa.
Pego as sacolas que estão no chão e o meu celular.
Saio da confeitaria quase correndo para que elas não notem que era eu, e que escutei a conversa delas.
Chego em casa e subo direto para o meu quarto, fecho a porta atrás de mim e coloco as sacolas na cama.
Sento no chão e me permito a chorar. Choro por ter escutado o que escutei. Por Aron não ser meu irmão, por aquela mulher enganar Teodoro todos esses anos...
Apenas choro.
- Olivia... - escuto a voz de madrinha, mas não olho para ela, fico quieta. - o que aconteceu, minha filha? - ela pergunta enquanto me abraça.
E eu agradeço a Deus por tê-la aqui do meu lado.
- madrinha...
- tento falar, mas os soluços me impedem.
- shiii...
- ela faz sinal com o dedo indicador para que eu não fale nada agora.
Deito em seu colo e ela acaricia o meu cabelo. Passamos vários minutos assim, até que eu consigo controlar o choro e paro de soluçar.
- Aron não é meu irmão...
- falo de cabeça baixa.
- do que você está falando, Olivia?
- ela pergunta, e pelo tom de sua voz deve está pensando que estou louca.
- depois que eu saí da consulta, fui fazer compras para a minha filha. Terminei e quando passei por uma confeitaria, senti vontade de comer alguma coisa, então entrei. Minutos depois, chegou Mirela, a mulher de Teodoro junto com uma amiga.
- aquela mulher falou alguma coisa com você...
- não! - a interrompo. - elas começaram a conversar, e Mirela falou que Aron não é filho biológico de Teodoro, na verdade elas só estavam comentando o quanto ele foi burro em não perceber que Aron não é seu filho.
- meu Deus... - madrinha diz com a mão na boca. - elas perceberam que você estava lá?
- não! Me escondi atrás do cardápio, depois saí de lá praticamente correndo.
- o que fará agora? Vai contar para todos?
Ela pergunta e é agora que paro para pensar nisso.
- não sei... Quero contar, Teodoro não pode viver em uma mentira.
- tenha cuidado, Olivia, não sei do que aquela mulher é capaz.
- eu sei... Também estou em dúvida se conto, por que... E se ele não acreditar em mim?
- a decisão está em suas mãos, você terá que decidir...
(...)
O trabalho se passa tranquilamente, tirando o fato de sempre receber grito das cozinheiras, como elas dizem, a cada dia que se passa eu faço o meu trabalho com mais lentidão.
- passou o dia seria. - Brena fala enquanto caminhamos até a pensão. - aconteceu alguma coisa?
- posso te contar mais tarde? Quero antes tomar banho e comer alguma coisa.
- claro.
- ela diz, mas noto o tom preocupado em sua voz.
Chegamos e entramos na pensão.
Subo para o meu quarto e pego uma roupa e as coisas que preciso para tomar banho.
Ando até o final do corredor e bato na porta. Uma voz masculina fala que já vai sair.
Espero alguns minutos e um homem sai.
Entro no banheiro e tomo um banho relaxante.
Logo após, desço para o andar de baixo e encontro várias pessoas jantando.
Vejo madrinha entrar na cozinha com alguns pratos e talheres, logo vou até ela e pego tudo que ela carrega. Depois distribuo pela a mesa que ainda não tem, deixando o meu, o de madrinha e de Brena separado.
Vou atrás de madrinha para pegar as outras coisas. Quando acabamos, Brena já tem acabado de tomar banho e senta a mesa, eu e madrinha fazemos o mesmo.
Depois de acabar o jantar, eu e Brena ajudamos madrinha a recolher as coisas encima da mesa. Lava os pratos e Brena enxuga, enquanto isso madrinha linda as mesas.
Acabamos tudo e nos certificamos que madrinha iria descansar. Eu e Brena subimos para o quarto logo após.
- agora me conta o que aconteceu.
- ela fala logo após eu fechar a porta do quarto.
Conto tudo o que aconteceu mais cedo. Brena tem uma expressão seria, pensativa... Logo após me abraça apertado.
- você tem que contar tudo para Teodoro e Aron.
- ela fala depois de terminarmos o abraço.
- sim, eu tenho... só não sei como.
- você descobrirá como, Olivia, tenha fé que no fim tudo acabará bem.
Sorrio fraco.
- meu Deus, Aron não é seu irmão.
- Brena quase grita.
- é tudo tão estranho, até ontem eu achava que ele era meu irmão.
- o que você fará em relação a isso? Dele não ser seu irmão.
- tudo continuará como está, ele tá noivo, deve está feliz, o certo é ele casar com Liz.
- não concordo com você, mas não vamos discutir isso. - olha para a cama que ainda está repleta de sacolas, não guardei nada. - o que são todas essas sacolas?
- comprei várias coisas para a minha filha. Inclusive o berço que chega daqui alguns dias.
Mal acabo de falar e ela sai correndo da cadeira em que estava sentada e começa a mexer nas sacolas. Eu faço o mesmo, pois a cada vez que eu vejo essas roupinhas, imagino a minha filha vestida nelas.
Olhamos tudo, Brena achou tudo lindo, inclusive a boneca.
Depois de olhar cada coisa, ela me deseja boa noite, dá um beijo na minha barriga, e sai do quarto para ir dormir.
Coloco todas as sacolas em cima de duas cadeiras que estão no meu quarto e depois de apagar a luz, deito na cama. Esses últimos meses só tenho a opção de dormir de lado, é um pouco desconfortável, mas sempre estou com muito sono para me importar com isso.
Mesmo não querendo, os meus pensamentos são ocupados por o que eu escutei hoje.
Tento desvia-los e depois de algum tempo, adormeço.
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Uma chance para ser feliz (CONCLUÍDO)
Romance#30EmRomance: 21/04/2018 ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ #27EmRomance: 22/04/2018 ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ Olivia vivia uma vida razoavelmente boa, até descobrir que está grávida do seu namorado que sempre a traiu, ser rejeitada pelo mesmo e, em consequência disso, ser expulsa de cas...
