capítulo 01

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- Liv, pelo amor de Deus, temos que ir no hospital, você não está bem. - Rebeca fala pela centésima vez só hoje.

Lavo o meu rosto e minha boca depois de vomitar no banheiro da casa da minha amiga

- Eu sei, só estou com medo, você sabe o que pode ser esses enjoos, essas tonturas...

- Calma Olivia, pode ser tudo da sua cabeça também, vocês usaram camisinha. - Rebeca me corta e fala.

- Usamos Rebeca, eu não sei o que aconteceu, não sei o que está acontecendo.

- Só tenha calma, amiga. - Ela fala com a voz doce de sempre e me abraça.

- Amanhã farei o exame, não aguento mais essa dúvida. - falo mais para mim mesma do que para Rebeca.

- Ainda bem que você tomou essa decisão, amanhã te encontro no laboratório. - Ela diz.

- Não precisa ir comigo. - Falo.

- Tá doida Olivia? Claro que vou com você.

- Obrigada.

Há quase um mês eu transei com meu namorado, já namoramos há quase três anos e sempre foi muita insistência dele para fazer isso. Eu sempre neguei, comecei a namorar nova, com quinze anos e não me sentia preparada, aliás, também não me senti há um mês. Essa minha insegurança deve ter sido pelo fato de eu nunca conseguir ama-lo, gosto muito do Tomás, mas sei que nunca foi amor.

Mesmo assim tomei a decisão de perder a virgindade com ele, no meu pensamento era isso o que faltava para o nosso namoro ser mais feliz.

Nossa primeira vez não foi nada tranquila, doeu horrores e eu não me senti confortável com ele, tanto que até hoje eu não quis de novo, sempre enrolo.

Mas de uns dias para cá, me sinto muito enjoada, não consigo comer direito, até tive tonturas. No começo achei que era coisa normal, alguma coisa estragada que eu tenha comido, mas não, isso continuou e já faz algumas semanas.

Só Rebeca, minha melhor amiga, sabe sobre isso, sobre eu ter perdido a virgindade e sobre eu ter a suspeita de gravidez.

Sim, eu tenho quase certeza que estou gravida e estou em pânico!

Tenho apenas dezoito anos e nenhuma condição de criar uma criança, não tenho emprego, terminei o ensino médio há dois meses e não tenho experiência alguma.

Claro, tem Tomás, sei que se minhas suspeitas estiverem certas, ele vai me ajudar. Eu, sinceramente, não sei o que aconteceu, usamos camisinha e Tomás não falou nada sobre ela ter estourado.

Despeço-me de Rebeca e vou para a minha casa, que não é muito longe.

- Liv, você demorou. - Passo pela porta e meu irmão está sentado no sofá assistindo um desenho.

- Não demorei Rodrigo, é só que estava conversando com Rebeca.
- Respondo sentando ao seu lado.

- você está diferente.

- impressão sua irmãozinho. - Respondo e assistimos juntos o desenho.

Depois tomo um banho e me deito sem jantar, minha mãe vai ao meu quarto, acho que para perguntar porquê não fui jantar, mas finjo que estou dormindo e ela sai.


                            (...)


O dia amanhece e eu nem consegui dormir direito. Levanto tomo banho, me arrumo e saio de casa bem cedo, antes da minha mãe acordar.

Chego no laboratório e alguns minutos depois Rebeca chega para me fazer companhia.

- Obrigada por vim, amiga. - Agradeço, nem sei o que seria de mim sem minha melhor amiga.

- Você sabe que nunca te abandonaria numa hora dessas. - Ela fala segurando nas minhas mãos.

- Eu te agradeço muito.

Ficamos em silêncio e alguns minutos depois a moça da recepção chama meu nome.

Rebeca me deseja boa sorte e eu entro na sala para recolherem meu sangue.

- Como foi lá? - Rebeca me pergunta.

- Tranquilo, agora vamos esperar o resultado, a senhora que tirou meu sangue disse que ficará pronto dentro de algumas horas.
- respondo. - Vamos comer alguma coisa, depois voltamos Para pegar o resultado.

Saímos do laboratório e fomos para uma lanchonete que tem perto.

Horas que mais parecem dias se passam e voltamos para o laboratório.

Pergunto a recepcionista sobre meu exame e ela fala que já está pronto.

Me entregam um papel com o resultado, pego com as mãos trêmulas e começo a ler. Só procuro uma palavra, e ela está no final da folha.

Positivo.

Era o que eu já imaginava.

- Então amiga, o que diz?- Rebeca pergunta impaciente.

- Positivo. - Falo e abraço minha amiga.

- Calma, vamos sair daqui.

Saímos do laboratório e sentamos em um banco de uma praça.

- O que eu vou fazer agora? - Pergunto a Rebeca depois de me acalmar.

- Primeira coisa que tem que fazer é contar para o Tomás.
- Ela responde segurando minha mão.

- Sim, vou lá ainda hoje. - Falo e seco uma lágrima solitária que desce em meu rosto. - Com certeza ele ficará muito feliz, sei que somos jovens, mas criaremos essa criança juntos.

- Isso mesmo amiga, é assim que eu gosto de te ver, determinada.
- ela fala orgulhosa.

Espero que toda essa determinação me dê forças, não sei como ainda estou de pé, pensei que seria pior. Mas acho que eu já tinha meio que aceitado isso, tinha quase certeza da gravidez, acho que por isso não desmoronei.






Uma chance para ser feliz (CONCLUÍDO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora