capítulo 06

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O dia amanhece e eu logo trato de levantar da cama.

Para vestir escolho uma calça jeans, uma camisa de mangas compridas rosa claro, e nos pés eu decido por uma sapatilha da mesma cor da blusa.

Pego minha roupa, uma toalha e um sabonete, saio do quarto e ando até o final do corredor, onde tem uma pequena fila, conto quatro pessoas. No final da fila está Brena, que quando me ver abre um sorriso.

- eu devia ter acordado mais cedo. - falo um pouco baixo. - ah, bom dia. - falo sorrindo.

- bom dia. - ela me responde com um sorriso. - vai se acostumando, é sempre assim, você vai sair?

- sim, irei procurar emprego.
- respondo.

- espero que consiga, está muito difícil trabalho hoje em dia, você tem experiência em alguma coisa?

- em nada, terminei o ensino médio há pouco tempo e nunca trabalhei.

- vai ser um pouco difícil, mas você conseguirá. - ela fala colocando a mão no meu ombro.

- e você, trabalha fazendo o que?
- pergunto e vejo que a pessoa que estava no banho saiu, um homem entra e agora só tem três na minha frente.

- eu trabalho como ajudante de cozinha em um restaurante, é muito puxado, mas é a única maneira de me sustentar.

- deve ser muito difícil mesmo.
- falo. Ajudante de cozinha é quem fica com a parte mais difícil, na minha opinião.

- muito mesmo, quanto mais por causa das mulheres que estão lá há mais tempo, se acham donas de tudo.
- ela fala com um ar cansado.

- te entendo. Você mora aqui faz muito tempo?
- pergunto.

- pouco mais de um ano, vim fugida da minha mãe, graças a Deus ela nunca me achou.

- você deve ter passado por momentos horríveis.

- passei, mas isso só me ensinou a ser mais forte, acho que com você também será assim. - ela fala olhando para os meus olhos e sorri. - olha, saiu mais um.

Olho para a porta do banheiro e mais uma pessoa já vai entrando, com isso só falta duas, atrás de mim tem já chegou três pessoas, também esperando por um banho.

Graças à Deus, minha vez chega e eu não tomo um banho muito demorado, tenho que pensar nas pessoas que esperam para tomar banho.

Visto minha roupa e saio encontrando mais pessoas na fila.

Entro no meu quarto, passo a escova nos cabelos, faço um rabo de cavalo alto, calço minha sapatilha, pego minha bolsa e um envelope com alguns currículos.

Desço para a cozinha e encontro algumas pessoas já tomando café da manhã. Minha madrinha está colocando algumas coisas nas mesas, vou até ela e dou um beijo em sua bochecha.

- bom dia minha querida, para onde vai tão arrumada?
- Dolores pergunta com um sorriso.

- vou procurar emprego madrinha.
- respondo também com um sorriso.

- se você quiser pode esperar mais um tempo, descansar mais um pouco.

- não! Quero encontrar o mais rápido possível.
- falo.

- então sente-se e tome um café da manhã reforçado, você tem que se alimentar por dois.
- ela fala e eu sento em uma mesa onde tem uma mulher e dois homens.

Acho que Brena já saiu para trabalhar, não a vi por aqui.

Como duas fatias de bolo com suco de goiaba, estou tendo mais fome esses dias.

Despeço-me de Dolores e ela me abençoa e me deseja sorte.

Ando pelas ruas e olho para todas as lojas, atenta para ver se tem vagas disponíveis.

Ando mais um pouco e vejo uma loja de roupa onde tem uma placa disponibilizando uma vaga de vendedora.

- bom dia, eu queria saber sobre a vaga de vendedora.
- falo para uma senhora que aparenta ter uns trinta anos, ela é vendedora.

- bom dia, vá até aquela salinha.
- ela aponta para uma porta. - lá tem uma senhora, você poderá falar com ela.

- obrigada.
- agradeço e vou até onde ela mandou.

Bato na porta e depois de ter permissão, eu entro.

- bom dia, vim saber sobre a vaga de vendedora.
- falo para uma senhora de uns cinquenta anos.

- bom dia, sente-se. - faço o que ela mandou. - deixe-me ver seu currículo.

Entrego o meu currículo e ela ler.

- aqui só consta que você tem o ensino médio completo e nenhuma experiência de trabalho.
- ela fala olhando para mim.

- acabei o ensino médio há pouco tempo, ainda não tenho experiência, mas preciso muito do emprego.
- falo a verdade.

- desculpe, Olivia, mas queremos moças com experiência.
- ela fala me entregando o currículo.

- eu aprendo rápido senhora.

- me desculpe.
- ela fala apontando para a porta.

Levanto da cadeira e depois de dizer um "obrigada", saio da sala.

Saio da loja e vejo um ônibus que vai para um pouco longe, decido pega-lo.

Desço do ônibus e ando.
Chego em uma empresa onde está disponibilizando vaga para secretaria do presidente da mesma.

Nem me animo, para essa vaga tem que pelo menos ter uma faculdade e experiência no cargo.

Mas decido mesmo assim ir até lá.

Falo com um segurança e ele me diz que tenho que subir no elevador e chegar no sétimo andar, lá terá uma moça que pode me ajudar.

Faço o que ele falou.
Chego no andar indicado e encontro uma mesa com uma mulher sentada, no seu crachá diz que seu nome é Patrícia.

- bom dia, posso ajuda-la?
- ela fala sem expressão nenhuma no rosto.

- bom dia, vim saber sobre a vaga de secretaria do senhor Goulart.
- falo.

- as entrevistas serão amanhã, esteja aqui as oito da manhã, nesse mesmo andar. Esteja com o seu currículo e essa roupa... - ela me olha dos pés à cabeça. - tente se vestir um pouco melhor, para você ter um pouco mais de chances.

- obrigada, estarei aqui amanhã.
- respondo com um sorriso.

Ela não me dá um sorriso de volta, mesmo assim fico feliz, terei uma entrevista amanhã, mesmo tendo menor chances que as outras pessoas.

Desço para o primeiro andar, nesse momento meu celular toca, enquanto ando vou procurando na bolsa e acabo esbarrando em alguém.

- você não ver por onde anda, garota.
- um homem alto e de termo fala, tenho certeza que é um segurança.

- me desculpa, senhor, me desculpa mesmo.
- falo direcionada ao senhor que eu bati.

É um senhor que aparenta ter uns cinquenta e poucos anos. Ele está me olhando fixamente, não entendo por quê, já me desculpei.

- você não sabe em quem acabou de esbarrar, menina, esse é o dono de tudo isso aqui, Teodoro Goulart.
- outro senhor fala, esse eu acho que não é segurança.

Pronto, era só o que me faltava, esbarrar no senhor cujo eu vou fazer entrevista para ser sua secretaria.

- não tem problema, moça, não foi nada.
- o senhor Teodoro fala com um sorriso. - não precisava amedrontar a moça, Leonel. - ele fala para o senhor que está ao seu lado.

- mais uma vez, mil desculpas.
- saio praticamente correndo, sem da tempo de mais alguém falar algo.

Olho para trás e o senhor Goulart está me olhando e eu apresso meus passos até o ponto de ônibus.










Uma chance para ser feliz (CONCLUÍDO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora