Abusos

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Senti as lágrimas escorrendo. E as falsas esperanças quebrando antes mesmo de terem se completado.
Corri a passos largos e entrei no primeiro banheiro masculino que vi.

É uma vantagem que a escola esteja vazia nesse horário, porque eu não consigo parar de chorar.

Eu sinto como se estivesse preso dentro de mim, queria poder me engolir de uma vez e sumir. Queria descascar essa pele para fora de mim.
Arranho meu rosto em um movimento repetitivo e inútil.

Sinto o no meu estômago, o descompasso no meu coração. Sinto um grito preso na garganta e quero morrer.

Quero morrer.

Paro tudo por um segundo, recalculado minha vida.

Respiro fundo.

Eu quero morrer.

Abro a minha mochila, procurando desesperadamente minhas chaves. Sei que tenho um chaveiro com canivete, shiro me deu de presente quando fui ao meu primeiro acampamento .

Cadê a desgraça da chave?!

A porta do banheiro abre e alguém entra. Me encolho atrás de uma das pias. Quem pode ser a uma hora dessas?
Limpo o rosto com as costas da mão e ouço os passos se aproximando, mais de uma pessoa.

-Olha o que temos aqui!- sinto um arrepio percorrer o meu corpo, Jack- Você não tem sido fácil de pegar Kogayne.

-Já tem quase 2 semanas desde a última não?-Tom calcula - Os ematomas já devem estar sumindo.

-Tenho que admitir- o terceiro cujo o nome eu nunca lembro se abaixa na minha frente - Eu estava mesmo querendo bater um papo com você.

-Éh- Jack concorda- Você vacilou Kogayne.

-Vacilou feio.- O terceiro se afastou irritado- Segurem ele.

Não tentei evitar, não é como se fosse mudar alguma coisa.

-Você estava chorando? -Tom me perguntou em um sussurro

Olhei ele, sem entender o tom de preocupação. E como se lesse minha expressão de dúvida ele mudou a sua expressão de pena para determinação.

-Quero ver o corpo dele.- O terceiro ordenou, enquanto acendia um cigarro

Dessa vez eu tentei me debater, mas Jack e Tom retiraram minha blusa, expondo os ematomas das brigas anteriores, que realmente já começavam a sumir.

-Eu não queria fazer isso- ele disse enquanto levava o cigarro a boca, e completou depois de soltar a fumaça- Mas você não me dá opção. Eu te avisei. Eu não avisei ele Jack?

-Avisou, mais de uma vez.- Jack me sacudiu pra enfatizar - Nós avisamos.

-Você só tinha que ficar longe do lance.- Eu grunhi de dor e cai com um chute na canela

Depois do primeiro golpe outros vieram. Chutes, socos, e então alguém sentado em cima de mim. Abri os olhos sentindo Tom segurar meus braços enquanto Jack segurava minhas pernas. Isso é novo.

-Eu vou te deixar um lembrete melhor que esses ematomas, vamos ver se dessa vez você não se esquece.

Ele aproximou seu cigarro do meu pulso e começou a me queimar. Comecei a gritar com a dor, mas algo de repente tampou minha boca. Lábios, e por algum motivo repulsivo minha primeira reação foi retribuir o beijo.

Senti meu estômago se contorcer e um certo nojo surgir quando percebi o que eatstava acontecendo.

Lágrimas escorriam, meu pulso ainda estava latejando, ardendo. Mas minha garganta não fazia nenhum som.
Ouvi as risadas, e então os três se afastaram de mim.

Fiquei deitado no chão mais uns 5 minutos. Soluços ecoando pelo ambiente. Pensei em ficar ali para sempre.

Então a porta se abriu novamente, minha vista embassada de mais com as lágrimas para eu saber quem era.
Braços me envolveram e me levantaram.
As lágrimas continuavam. A pessoa colocou meu pulso queimado em baixo da água.

Gritei com a dor, mais não ouve som. Ele sussurrou alguma coisa que eu também não ouvi, e me vestiu com cuidado.

Senti meu coração desacelerar um pouco, e enquanto a pessoa secava meu rosto a vi pela primeira vez. Era Tom, um dos lacaios do meu agressor. Tentei me afastar, mas tropecei e ele me segurou.

-Não vai acontecer de novo.- ele garantiu- Não vai acontecer de novo.

Ele me puxou para um abraço e todas as minha lágrimas voltaram a cair.
Abracei ele de volta, algo em seu tom de voz parecia famíliar, lembrava algo que ja vi antes.

-Vamos sair daqui. Tem um café muito legal a a algumas quadras no sentido contrário de todo mundo.

Concordei com a cabeça e me deixei ser guiado pelo garoto de olhos mel.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora