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[Narração em 3° Pessoa]

Existem dois tipos de pessoa:
As que gostam das palavras, brincam com elas, as usam e as gastam, fazendo delas as vezes muito menos do que são e as vezes muito mais do que esperávamos. Dizem-as alto para todos ouvirem, expressando seus sentimentos com tom de certeza.
Eu não sou política e nem poeta, mas vejo o falar e o escrever como uma das artes mais belas desse mundo.

E o outro tipo, as que não gostam das palavras, não é um "desgostar ", é só a ausência desse amor, desse dom. As letras agarram na garganta, as palavras embaralham na cabeça, e as frases, uma vez ditas, se perdem no ar. Talvez os sentidos e os sentimentos não caibam em conversas.
Eu não sou quieta e nem pacífica, mas minhas palavras parecem se desgastar com o tempo, perdendo o valor que um dia coloquei nelas.

-Como seus melhores momentos podem ter sido comigo se a gente tá sempre brigando? Quer dizer, eu já perdi as contas de quantas vezes você me disse pra ficar fora do seu caminho.

Lance apontou num tom de voz defensivo que, se alguém ouvisse, acharia que estão brigando. De certa forma, o cubano estava em uma briga, lutando contra si mesmo.
Ele sabia que era uma declaração, mas se negava a acreditar. Estivera atrás de Keith a vida toda. Sabia, com certeza, que seus sentimentos não eram correspondidos.

-Éh.... bem.... considere que tudo o que eu te disse foi o contrário de como me sinto.

-Então, quando você disse que me queria fora da sua vida?

O menor abaixou a cabeça, sentindo o peso de suas palavras queimarem seu rosto. A emoção do momento, quer dizer, a presença de seu Crush, o impedindo de pensar com clareza.

-Acho que eu quis dizer que... na verdade eu...  quero passar a vida com você.

-E todas as vezes que você disse que eu faço tudo errado, e me acusou de perseguir você?

-Eu a...amo tudo o que você faz...

-Então... bem, quando você disse que...
quando você disse que me odeia?

Longe do alcance dos olhos de Keith, que ainda fitavam o chão, Lance, parado logo a sua frente, exibia a face completamente vermelha. Com seu olhar ansioso direcionado ao "futuro namorado", e seu coração apaixonado quase rasgando sua pele.

-Então, ham, eu.... Quer dizer, você... Não, eu... eu.... Eu preciso mesmo falar se você já entendeu?

-Desde quando eu entendo alguma coisa? É claro que você precisa falar!!

Lance provocou, tentando esconder sua insegurança, tentando disfarçar o quanto aquilo era importante para ele, atrás de suas implicâncias de sempre.

-Grr, eu odeio você!!- Keith gritou, no calor do momento, guiado por uma faísca de raiva

A raiva é um sentimento negativo, que nos faz dizer e fazer o que não queremos e não deveríamos. Nunca nos leva a nada bom.

Es aqui a exceção:
nos segundos em que ocorrera o grito, os garotos se esqueceram de esconder seus rostos, e seus olhares se encontraram.

Existem dois tipos de pessoa: O Lance e o Keith. Um deles adora brincar com as palavras, enquanto o outro vive se perdendo em meio aos seus sentidos e significados.

Olhos nos olhos, rostos corados, corações disparados, a rua vazia, o tempo parado.

Lance esticou a mão até o rosto de Keith, segurando sua bochecha com delicadeza, e então aproximou seu rosto devagar vendo-o fechar os olhos.

-Eu também te amo- sussurrou antes de unir seus lábios em um beijo

Lance nunca se deu muito bem com palavras, talvez por isso não precise delas para entender. Elas se embaralham em sua mente, agarram na garganta, se gastam no ar, e nunca deixam-o expressar o que sente.

Keith, bem,  ele é um poeta.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora