Devoção

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[Lance]

Terça-feira:

Percebi a mudança toda de uma vez só. Me sentindo sufocar em tanta culpa.

Pensar que em um dia tinha ele em meu alcance, noutro eu era o único que sabia que ele estava matando aula, e de repente, não sou nada.

Ela tirou da própria vida tudo o que me envolvia, e está o tempo todo com Pidge e Matt. Por um lado, ele não tem mais faltado a escola e até faz parte de um novo clube. Mas pelo outro, eu sinto muito a sua falta.

Talvez seja egoísmo puro, mas eu preciso muito disso.

Peguei o caminho contrário ao de minha casa, e fiquei parado escondido na esquina até que ela passasse.

Okay, eu tenho tendências stalkear, e de perseguição. Mas eu tenho ótimos motivos, são egoístas mas são ótimos.

Pidge passou e eu me apressei para estar ao seu lado. A garota é minha melhor amiga desde que me lembro, então nem é um problema estar aqui.

-Pidge, eu preciso fazer parte da sua banda!

-Oi para você também Lance.

-É sério! Eu sei tocar, e eu sou um bom músico. E meus treinos são no mesmo horário que os do Keith então eu devo estar livre nos horários de ensaio e...

-Você está brincando, né?

-Claro que não! Eu sou seu melhor amigo! Eu tenho que fazer parte da banda!

-Lance, não surta. Do que você 'tá falando?

-Por favor Pidge, que mal eu posso fazer?

-Muito, muito mal.- ela riu- Você não leva nada a sério!

-Eu levo o keith a sério...- demorei alguns segundos para perceber que tinha dito em voz alta

-Por que isso agora?

-Só me dá uma chance, você sabe que eu vou dar tudo de mim.

Ela pareceu pensar por um momento, e então concordou com a cabeça. E foi aí que eu percebi o quanto estava tenso, suspirei, sentindo um peso enorme sair de minhas costas, e uma esperança nova nascer dentro de mim.

-Nós temos ensaio agora, melhor você já vir comigo.

-Claro!

Uma vez na garagem da pidge, ela convenceu Matt de que eu seria perfeito para banda. Não entendi direito a troca de instrumentos que foi necessária para isso, mas joguei um pouco do meu charme no rapaz e acho que nos demos bem.

Pidge estava começando a me passar as músicas quando keith chegou. Uau, parece que eu não vejo ele a uma eternidade. Parece mais pálido, e magro, como se estivesse doente. Ao mesmo tempo que parece lindo.

Ele não ficou feliz em me ver, nem um pouco. Foi difícil me manter tranquilo nessa situação. Eu só queria saber o porquê dele estar me afastando dessa forma. Estava distraído de mais para acompanhar a conversa.

-Pidge, ele não toca bateria!!

-Eu sei, eu toco. Ele é o novo baixista- ela ensaiou um suspiro - É claro, que se você tiver algo contra o Lance nós podemos continuar procurando é só que...

-Ele já sabe quase todas as nossas músicas.- Matt completou

Keith olhou para mim e eu tentei manter a mesma expressão. Foi genial dizer que eu já sei as músicas, mas eu não sei! Como vamos ensaiar? Meus pensamentos estavam mais altos que as vozes ao meu redor.

--Claro, -keith pegou folhas em sua bolsa, que seja minha salvação- eu trouxe umas coisas novas para você.

-Acho que a gente podia começar com uma das novas. Assim Lance vai se acostumando com nosso jeito de fazer as coisas.

-Por mim tudo bem.

Minha melhor amiga é um gênio, simples assim. Me colocou na banda e encobriu sua mentira.

Ela pegou uma das folhas, escolha aleatória, e fez tres cópias. Nos sentamos em um círculo, keith com um violão, pidge com suas baquetas, cada um de nós com uma das folhas e uma caneta.

Uau, é incrível pensar que keith escreveu isso. É assim que ele se sente? Sinto borboletas no estômago por pensar em quão pessoal isso pode ser. Sinto ciúmes ao pensar de quem ele está falando.

Mas acho que todo mundo percebe ao ler a letra, que tudo que o keith nunca disse, ele escreveu. A música é a voz dele, sua forma de se expressar.
E, abençoado seja Apolo, eu fico muito feliz de ter a oportunidade de fazer parte disso.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora