Distração

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O túnel do terror parecia ser menor que a montanha russa pequena. Lance eu nos sentamos no último vagão do carrinho, ainda de mãos dadas.

-Parece que vai ser bem sem graça- murmurei para ele ouvir- Não acha?

-Não sei... Mas se você não quiser ir a gente não precisa, ainda tem vários..

-Eu quero ir em tudo com você.- interrompi, aproveitando o ambiente escuro para esconder minha vergonha- Você, por si só, é uma graça.

O pequeno trem começou a andar e ele não respondeu. Como todo túnel do terror por um curto espaço de tempo apenas atravessamos um ambiente de completa escuridão, entrando em um ambiente em que já não se ouvia mais o parque.

Senti Lance aproximar seu corpo do meu e me virei para ele, embora não o pudesse ver.

A música de suspense começou.
Então do nada uma luz acendeu ao lado dele, mostrando fantoches de palhaços assustadores, que se mexiam de acordo com suas cordas.

Ele deu um pulo em seu lugar, colando ainda mais seu corpo no meu, mas me fazendo gargalhar com o susto idiota.

-"Ha ha ha" - ele debochou - Eu estava distraído, acontece.

-Se é isso porque você está apertando tanto a minha mão?- provoquei, mas ao vez de responder ele deu outro grito, dessa vez me puxando para perto de si

Uma luz acendera atrás de mim mostrando caveiras em um péssimo cemitério falso.

-Okay!- ele sussurrou quando voltamos a andar- Eu tenho medo desse tipo de brinquedo, então, só fica comigo por favor.

-Não tem outro lugar no qual eu queria estar...- sussurrei de volta

-Sabe Kogane, você fica muito fofo no escuro.

Ainda bem que é no escuro, não queria que visse meu rosto corado ou meu sorriso bobo no momento.

-Vamos tentar algo mais feliz! - propus quando saímos do túnel - Que tal algodão doce e aquele Twister?

-Aquilo não é um Twister,- Lance protestou enquanto comprava o algodão doce - Twister ou é aquele tapete de brincar no chão, ou aquele que roda muito rápido, isso aí é... uma roda gigante horizontal!

-Que seja...- nem tentei evitar o sorriso que surgia no meu rosto

Subimos no brinquedo com nossos algodãos doces, o meu rosa e o dele azul. Esperamos o brinquedo fazer sua várias pausas para os outros entrarem, antes de finalmente se erguer no alto e começar a girar devagar.

-É realmente uma roda gigante horizontal.

-Não fala isso!- lance fingiu ofensa- Ele está te ouvindo!

-Claro!- revirei os olhos e acaricie o banco no qual estavamos- Desculpa Twister, você é muito especial do seu próprio jeito.

-Você também.

Sorri sem graça, olhando para o outro lado. A voz dele, o jeito sério como fala simplesmente do nada esses elogios, parece tão... real.

-Então...-ele começou passando o braço por cima do meu ombro- Parece que agora temos todo o tempo do mundo para conversar.

-Tem certeza que isso é uma boa idéia? Quer dizer, da para contar nos dedos as vezes em que não brigamos.

-Tudo bem, também temos tempo para isso.

***
Revirei os olhos conforme descia do brinquedo. É inacreditável a forma como Lance consegue ser insuportável as vezes.

-Eu estou dizendo que...

-Shhhhhh- o interrompi - não diz mais nada. Quais brinquedos ainda faltam?- perguntei olhando em volta mas o garoto não respondeu - Lance? Lance! Para de palhaçada e me responde!

- Achei que não era para eu dizer mais nada.- apoiou as mãos na cintura, mostrando a língua.- Que tal o carrosel?

-Fala sério, eu não vim até aqui para ficar andando em círculos com você atrás de mim. Isso eu já faço todo dia.

-Certo.- ele ignorou minha provocação, apenas rindo- Que tal o bate bate?

-Muito pequeno.

-Já sei!- ele passou e me puxou pelo braço em direção ao tiro ao alvo, com um sorriso enorme em seu rosto

Peguei uma das armas enquanto ele pagava pelas balas. Ouvi ele rir me observando, e antes que pudesse reagir ele me abraçou por trás, me mostrando como atirar.
Não fui capaz de ouvir nada do que ele disse, meu coração batendo alto de mais.

Errei todas.
Mas fiquei satisfeito com o prêmio que recebi: a risada dele.

-Ta, Tá. Se você é tão bom, atira mais e fala menos!

Ele mudou sua expressão na mesma hora, abrindo um sorriso torto, orgulhoso, como quando acaba de aceitar um desafio.

A cada tiro minha boca abria um pouco. E assim eu fiquei até lance me entregar um lobo azulado de pelúcia.

-Pode mudar meu nome de contato para Sharpshooter.

-Até parece.- sai andando na frente, e esperei até ele me alcançar, indiquei a cabine fotográfica com a cabeça e andamos até ela

-Sempre quis tirar foto dentro de uma dessas cabines- lance sorriu- Não sei por...

Flash
o barulho o interrompeu, e a luz o incomodou meus olhos, fazendo com que levasse as mãos ao rosto, xingando

Flash

-Vão ser fotos engraçadas!- ri, fazendo-o me olhar sorrindo 

Flash

-Nem todas.- ele piscou para mim, me fazendo corar e desviar o olhar

Flash

Saímos da cabine pegando as fotos, e elas eram mais fofas do que engraçadas. Lance pegou seu celular e fotografou as fotos, me entregando-as depois.

-Nossa.- ele me mostrou a tela bloqueada do celular- Já tá ficando tarde.

-Vamos na estrela e depois podemos ir para casa. -eu proponho e ele concorda

-Será que vão aceitar nós três?- ele implica indicando o lobo- Sabe, você tem que dar um nome...

-Quando ele estiver pronto vai me dizer o nome dele.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora