Encaixe

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Entramos na roda gigante, eu, lance e cosmo - nomeado pelo cubano, que se sentou na minha frente com o lobo.
Nós fomos os últimos a entrar no brinquedo, que logo começou a girar lentamente.

Eu queria que felicidade fosse algo compartilhavel. Queria poder fazer ele sentir o que eu sinto. Essa sensação leve que domina meu corpo, esse sorriso involuntário que estampa meu rosto.
De repente não há nenhum peso na minha consciência. Na verdade, não tem absolutamente nada na minha cabeça. É tudo sobre o que eu vejo.

Eu vejo olhos e olhares. E me encanto com o brilho forte e as diversas emoções que se mostram nesse azul tão claro.

Eu vejo fios de cabelo, sempre tão arrumados que chegam a irritar, deixando minhas mãos nervosas com a vontade de despentea-lo.

Eu vejo sua pele morena, parece tão lisa, tão macia - provavelmente por ser extremamente bem cuidada - é como uma obra de arte famosa e muito bem conservada.

Eu vejo boca e vejo sorrisos. E por mais atraentes e tentadores que sejam seus lábios, ainda mais me fascíno pelos sorrisos. As vezes tímidos, as vezes travessos, insinuando coisas que não foram ditas. As vezes tantas coisas, mas sempre tão lindos.

A forma natural como se abrem em seu rosto, levantando suas orelhas e expondo sua as covinhas, poderia se comparar ao nascer do sol, iluminando meio mundo e despertando a vida.

Me deixando feliz.

-... e foi assim que eu descobri sobre o Parque, e na hora eu soube que era o lugar certo!- lance concluiu sua história

-O lugar perfeito...

-Para sair com um garoto perfeito.- me senti corar enquanto ele saia do banco a minha frente e se sentava do meu lado, agora de frente para a paisagem.

Ficamos em silêncio por alguns momentos, enquanto chegávamos ao topo da grande roda. O horizonte de luzes e cidades parecia pequeno e insignificante. Ao mesmo tempo, as estrelas se destacavam no céu, como se gritassem por atenção.
E voltamos a descer.

Senti o garoto passar o braço por de trás dos meus ombros, e não consegui evitar o pensando de que, talvez, no meio de tudo isso, esse seja o lugar ao qual eu pertenço.

Voltamos a subir.
Deitei minha cabeça no ombro dele, logo me encaixando em seu pescoço.
Agora já não é mais sobre o que vejo.

Sinto seu cheiro, sempre perfumado, e seu calor, contra minha própria pele. Como queria sentir mais.

Voltamos a descer.
Voltamos a subir.

-Lance...- chamo levantando meu rosto, e ele se vira para mim- Eu preciso esperar até o final do encontro?

Ele sorri, entendo perfeitamente o que eu quero dizer, e eu aceito isso como minha resposta.

Sinto sua pele lisa debaixo de meus dedos, que logo alcançam os fios macios de seu cabelo. Sinto seus olhos azuis, em um olhar doce, pouco antes de serem fechados. E, por fim, sinto seus lábios, contra os meus, e mesmo sem sorriso, sinto sua felicidade.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora