Flashback
(Keith, 6 anos)
Entrei de volta no orfanato com a cabeça baixa, sem me importar com as pessoas ao meu redor. Subi as escadas até o quarto dos meninos, aonde larguei minha mochila.
-Voltou de novo Kogane?- James, um dos poucos meninos da minha idade, debochou- Vai acabar ficando aqui...
Eu acabei de voltar de mais um lar adotivo, fui rejeitado por mais uma família. James diz que quanto mais velho, mais difícil fica de te adotarem. Ele diz que tenho que ser adotado até os dez, eu já tenho seis.
Mas eu ouvi as freiras comentando que eu não sou tão "criança" quanto todo mundo. Eu não me dou bem com as pessoas... só com Acxa, ela é minha única amiga.
Ela tem 2 anos a mais que eu, e está sempre lendo.
Desci as escadas procurando pela garota, sentada em baixo da nossa árvore, sempre.
Mas não estava lá.
Parei olhando em volta, tanto sol, tanto barulho. Se pelo menos os outros parassem quietos pra eu conseguir ver direito.
-Ela não vai voltar.-James disse passando por mim devagar
Senti meu estômago dar um nó, e lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu tenho certeza que em alguma parte dentro de mim, eu devo estar feliz por ela. Eu tenho que estar.
Ela foi adotada, ela encontrou uma família! Ela vai ter todos os livros que quiser, e uma mãe pra lhe contar histórias antes de dormir.
Mas tudo que eu consigo pensar no momento é que eu perdi a única pessoa que eu tinha!
Minha mãe me abandonou, eu mal consigo me lembrar. Logo depois meu pai morreu. Nenhuma família me aceita, e minha única amiga se foi.
O que tem de errado comigo?
Virei as costas e corri, não quero que ninguém me veja chorando, vão falar disso pra sempre! Lotor não vai mais me deixar em paz!
Sem Acxa eu estou sozinho.
Colidi em alguém, os olhos embassados com lágrimas, cai. Uma moça abaixou na minha frente, e me ajudou a levantar.
-Eei, está tudo bem?- abri a boca para responder, mas só comecei a chorar mais
[Senhora Shirogane]
(Algumas horas antes)
-Que cheiro é esse?- a Voz de meu filho soou animada atrás de mim, na porta da cozinha.
Terminei de colocar a última panqueca na pilha e apaguei o fogo. Virei vendo os olhos do meu meninos brilharem enquanto ele se sentava a mesa.
-Eu queria conversar com você.- disse colocando o prato na sua frente
-Claro...- ele tirou os olhos da panqueca, por alguns momentos
-Existe um lugar que recebe crianças tristes, e tenta cuidar delas. Cada criança tem uma história diferente, e nenhuma delas tem família.- observei atentamente meu filho perder o interesse na comida, com as sobrancelhas franzidas e o olhar triste- Eu estou indo se um lugar desses hoje, estou pensando em trazer uma dessas crianças pra casa, dar pra ela uma história feliz. Seria um irmão ou uma irmãzinha pra você.
-Eu teria minha própria Pidge!- os olhos dele brilharam, ao perceber que teria uma irmã como o melhor amigo
-Isso!- não contive meu próprio sorriso, mas mantive o tom sério- Mas eu preciso que você entenda, que vai ter que dividir tudo com essa criança, e que uma vez que ele entre pra essa família vai ficar aqui pra sempre! Se você causar problemas, é você que vai acabar indo pro lugar de crianças com história tristes!!
Ele concordou freneticamente com a cabeça. Não que fosse necessário, meu pequeno Shiro é a criança mais doce desse mundo. Passei a mão em sua cabeça sorrindo enquanto me levantava pra sair.
-Mãe!!- ele chamou empolgado- Leva panquecas! É sempre melhor conversar comendo panquecas!
Então ele percebeu!
...
Eu estava entrando no orfanato, guiada por uma das freiras, quando uma criança bateu em mim e caiu no chão. Me abaixei desesperada pra ver se a criança estava bem, mas apesar de não ter nenhum machucado aparente, ele estava chorando.
Ajudei a se levantar, mantendo minhas mãos em seus braços com carinho.
-Eei, está tudo bem?- o menino abriu a boca como se fosse falar algo, mas não conseguiu, voltou a chorar
O envolvi em um abraço, olhando pra freira que me acompanhava, seu rosto mantinha uma expressão triste. Ela apertou os ombros como se não houvesse nada que ela pudesse fazer. Como assim?
Levantei a criança em meu colo e andei com ela pra dentro da "secretaria" do orfanato. Sentei ele no sofá ao meu lado, e puxei o pote de panquecas que carregava na bolsa, me sentindo feliz por ter dado ouvidos ao meu filho.
Abri o pote na frente do menino, que começava a se acalmar. Os olhos dele saíram das panquecas pra mim, com uma expressão confusa.
-Conversa comigo?- ofereci o pote de panquecas sorrindo, o menino concordou com a cabeça- Qual seu nome?
-Keith...Keith Kogane
[N.A.]
Obrigada por todos que me desejaram feliz aniversário ♡ a minha alma é klance, mas o meu coração é de vocês!
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Feeling Bad By Being Fat
Fiksi PenggemarAlguns problemas não existem. E por não existirem, as pessoas não levam eles a sério. Mas preste atenção, eles só não existem porque não são seus. Quando Keith abre os olhos, e vê a dor em seu reflexo, isso é real. E o fato de outros não verem, só...
